Terça, 21 de Julho de 2020 - 20:05

Coletiva de Imprensa Virtual: um olhar para o Glaucoma no Brasil

por Iga Bastianelli

Coletiva de Imprensa Virtual: um olhar para o Glaucoma no Brasil

 

O Bahia Notícias Mulher participou hoje de uma coletiva de imprensa virtual por meio da plataforma Zoom promovida pela Sociedade Brasileira de Glaucoma e o laboratório Pfizer. O evento on line  apresentou o resultados da pesquisa: “um olhar para o glaucoma no Brasil”, aplicada pelo IBOPE Inteligência a 2,7 mil internautas brasileiros, a partir dos 18 anos de idade, em diferentes regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Bahia, Ceará e Pernambuco. Os resultados apontam que grande parte da sociedade brasileira não está ciente sobre a importância da frequência às consultas ao oftalmologista, sabe pouco sobre o glaucoma e desconhece seu risco de cegueira. Essas são algumas das conclusões da pesquisa.

 

A iniciativa contempla também o lançamento da campanha de conscientização “Não perca seu mundo de vista, tenha um novo olhar para o glaucoma”conduzida pela Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG) e pelo laboratório Pfizer. “Confirmar o quanto existe de desinformação sobre o glaucoma é muito preocupante. Mais da metade dos entrevistados não sabe que é a maior causa de cegueira irreversível e 41% não conhece a doença que atinge diversos grupos da população. Além disso, segundo dados do IBGE, a deficiência visual mostrou-se a mais frequente no Brasil, atingindo aproximadamente 7,2 milhões de pessoas”, afirma Luiz Fernando Vieira, gerente médico do laboratório.

 

Glaucoma e grupos de risco

Estatísticas fornecidas pela OMS (Organização Mundial da Saúde) mostram que o glaucoma é a segunda causa de cegueira no mundo, ficando atrás apenas da catarata. Entretanto, representa um desafio maior para a saúde pública do que a catarata, porque a cegueira causada pelo glaucoma é irreversível. A pesquisa revela ainda uma forte desinformação a respeito da patologia. Mais da metade (53%) desconhece que a doença possui a maior probabilidade de um quadro de cegueira irreversível e 41% sequer sabem o que é glaucoma, chegando a 53% dos jovens de 18 a 24 anos (ante 71% entre os com 55 anos ou mais) e 44% do público masculino entrevistado (contra 38% das mulheres).

 

A estimativa é que de 2 a 3% da população brasileira acima de 40 anos possam ter a doença, o que representa cerca de 1,5 milhão de pessoas. Além de existir a maior chance de desenvolvimento em pessoas com casos na família, afrodescendentes e pacientes com pressão intraocular elevada. O levantamento revela que quase metade (47%) acreditava ser um mito ou desconheciam a relação com a hereditariedade. Além disso, 90% não associavam a patologia com a afrodescendência, sendo que a porcentagem se mantém elevada entre os pretos e pardos entrevistados (86%).

 

“As fases dentro dos tipos de glaucoma – aberto ou fechado – são muitas vezes assintomáticas e os pacientes muitas vezes buscam o tratamento em uma fase já bastante adiantada da doença. Uma vez que a visão foi perdida, ela não pode ser restaurada”, relata o mestre e doutor em Oftalmologia, Augusto Paranhos Junior, presidente da Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG). A OMS aponta que se houvesse um número maior de ações efetivas de prevenção e/ou tratamento, 80% dos casos de cegueira poderiam ser prevenidos ou curados.

 

Consulta com Oftalmologista

Outro ponto revelado pela pesquisa e que preocupa especialistas é sobre a frequência que com que vão ao especialista, 10% dos entrevistados assumiram que nunca foram e 25% disseram que raramente, apenas quando sentem algum incômodo nos olhos. Destaque para as faixas etárias mais jovens: um a cada cinco relatou nunca ter ido ao oftalmologista (21%) e 10% foram uma única vez na vida. Embora a maioria (73%) dos que têm 55 anos ou mais - público que deveria ter uma preocupação ainda maior com desenvolvimento de doenças oculares -, visite o oftalmologista uma vez ou mais por ano, a pesquisa mostra que 1 em cada 4 deles não possui uma rotina de visitas ao oftalmologista.

 

Alguns dados também chamam a atenção regionalmente: 18% dos internautas baianos e proporção idêntica de catarinenses aguardam sentir algum incômodo para agendamento médico, 33% dos cearenses acreditam que a consulta deve ocorrer após começar a usar óculos e 32% dos catarinenses apenas quando percebe alguma perda de visão.

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