Domingo, 08 de Setembro de 2019 - 18:40

Tanto problema no Rio e Crivella usa gestão para perseguir o amor, diz Duda Beat

por Amon Borges | Folhapress

Tanto problema no Rio e Crivella usa gestão para perseguir o amor, diz Duda Beat
Foto: Divulgação

A tentativa de censura de obras com temática LGBT na Bienal do Livro do Rio foi criticada pela cantora Duda Beat no primeiro dia da sexta edição do Coala Festival, realizado neste sábado (7) e domingo (8), no Memorial da América Latina (zona oeste de São Paulo). O pedido foi feito pelo prefeito Marcelo Crivella.

“Tantos problemas no Rio, falta de saneamento, a polícia invadindo morros para tirar casa de pessoas, problemas de saúde, de educação, e ele usando da gestão dele para perseguir o amor”, disse, após o show, a cantora recifense que mora na capital fluminense.

“Para mim vale qualquer tipo de amor e ele quer censurar. Eu fico extremamente revoltada e por isso falei no meu show”, afirmou. “Vivemos numa democracia e não podemos permitir que esse tipo de coisa aconteça. Espero que as pessoas se liguem e não elejam as pessoas, que pensem na sociedade”, completou a rainha da sofrência pop.

Ao fim do show, enquanto cantava “Bixinho”, Duda ainda levantou (literalmente) a bandeira colorida para apoiar o movimento LGBT.

Elba Ramalho, que também se apresentou no evento, não se manifestou no palco, mas nos bastidores também criticou a postura de Crivella. “Não gosto de falar de política, mas com tanto problema no Rio ele [Crivella] deveria se preocupar com outras coisas”, afirmou a cantora paraibana.

O caso teve início na quinta (5), quando Crivella divulgou um vídeo criticando a HQ “Vingadores – A Cruzada”, que trazia um beijo gay e estava sendo vendida na Bienal. Segundo ele, isso supostamente iria contra o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Na sexta (6), fiscais da prefeitura foram à feira em busca de obras consideradas impróprias, mas não encontraram nada.

Após o Tribunal de Justiça do Rio publicar liminar que impedia a apreensão de livros e cassar alvará da Bienal, o desembargador Claudio de Mello Tavares, presidente do órgão, suspendeu a decisão e disse que obras que ilustram o tema da homossexualidade iam de encontro ao Estatuto da Criança e do Adolescente e, portanto, deveriam ser comercializadas em embalagens lacradas.

Mas neste domingo (8), o ministro Dias Toffoli, presidente do (STF) Supremo Tribunal Federal, derrubou a medida que autorizava a prefeitura carioca a censurar obras na Bienal do Livro do Rio. Toffoli indica que o “regime democrático pressupõe um ambiente de livre trânsito de ideias”.

Além das duas cantoras nordestinas, passaram pelo palco artistas como Josyara, Dona Onete e BaianaSystem, que fechou a noite. Neste domingo, sobem ao palco nomes como Chico César (com participação de Maria Gadu), Djonga, Kevin O Chris e Ney Matogrosso.

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