Modo debug ativado. Para desativar, remova o parâmetro nvgoDebug da URL.

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias

Notícia

Nobel de Economia 2026 premia estudiosos por avanços na estabilização macroeconômica

Por José Henrique Mariante | Folhapress

Nobel de Economia 2026 premia estudiosos por avanços na estabilização macroeconômica
Foto: Divulgação / Nobel Prize

O Prêmio Nobel de Economia de 2026 foi concedido aos americanos Robert E. Hall, da Universidade Stanford, e Michael Woodford, de Columbia, "pelos fundamentos microeconômicos da estabilização macroeconômica". O anúncio foi feito nesta segunda-feira (12) pela Academia Real Sueca de Ciências.
 

Segundo os organizadores do prêmio, a dupla demonstrou como os modelos econômicos tradicionais poderiam ser reformulados para revitalizar a política de estabilização.
 

"Em vez de basear os modelos em relações estatísticas entre variáveis macroeconômicas, como inflação, produção e consumo, optaram por construí-los sobre uma base microeconômica", afirmou o comitê de premiação. "Isso envolve a compreensão de como o conjunto das famílias e das empresas, individualmente, afeta a economia por meio de suas ações."
 

Os premiados desenvolveram novos modelos que possibilitaram a adoção de medidas oportunas de política fiscal e monetária capazes de reduzir a intensidade das oscilações prejudiciais na economia.
 

"O trabalho dos laureados nos proporcionou uma base teórica sólida para os modelos que hoje são utilizados por bancos centrais e governos em todo o mundo. Com eles, estamos mais bem preparados para lidar com choques na economia, como crises energéticas ou mudanças repentinas nos níveis de consumo das famílias", disse John Hassler, presidente do Comitê do Prêmio em Ciências Econômicas.
 

Desde que John Maynard Keynes lançou suas teorias há quase um século, as políticas de estabilização têm sido importantes para lidar com a alternância entre recessões e expansões. Durante as recessões, a economia é estimulada por meio da redução das taxas de juros e do aumento do déficit orçamentário, enquanto o contrário deve ser feito para desacelerar uma economia em expansão.
 

Porém, durante as crises do petróleo dos anos 1970, os modelos keynesianos que determinam quando e como as medidas deveriam ser implementadas pareciam não funcionar mais. Não reduziram o desemprego e, em vez disso, levaram a uma inflação descontrolada. "A receita antiga não funcionava mais", declarou Timo Boppart, economista da Universidade de Estocolmo e membro do comitê.
 

"Fizemos muitos progressos graças a esses novos modelos, que são usados hoje em dia por bancos centrais, autoridades monetárias e governos como política fiscal e monetária. O uso efetivo desses estudos ameniza os choques econômicos nas sociedades."
 

Contatado pelo comitê por telefone logo após o anúncio, Woodford declarou que seu trabalho "foi uma tentativa de aprimorar as bases para a discussão da política econômica e, assim, contribuir tanto para a gestão da economia quanto para a compreensão do público".
 

Segundo o professor de Columbia, que era apontado como um dos favoritos à premiação antes do anúncio nesta segunda-feira, "a compreensão das pessoas que atuam nos mercados e tomam decisões sobre gastos... são, na verdade, cruciais para os efeitos da política econômica".
 

"Um dos principais objetivos ao tentar desenvolver um quadro analítico não era simplesmente aplicá-lo às pessoas, mas também conversar com elas sobre por que as coisas que estão sendo feitas estão sendo feitas", disse Woodford, classificando o Nobel como uma "honra enorme".
 

O próprio economista usou a crise imobiliária de 2008 como exemplo desse "Foward Guidance", ou orientações prospectivas sobre a política monetária.
 

"Fazer declarações mais explícitas sobre a trajetória futura provável da política de taxas de juros, em vez de depender simplesmente da possibilidade de reduzi-la ainda mais. Essa foi uma parte importante da resposta de política monetária a partir de 2009, e acredito que tenha contribuído para uma melhor estabilização."
 

Conhecido por um artigo famoso de 1978, em que afirmava que o consumo era imprevisível, Robert E. Hall, o outro agraciado do dia, também se notabilizou por ter anunciado recessões nos EUA nas últimas cinco décadas. Daquele ano até 2024, ele presidiu o National Bureau of Economic Research, órgão no país responsável pela classificação.
 

O professor de Stanford também atuou como consultor do Departamento do Tesouro dos EUA, do Departamento de Justiça e do Conselho do Federal Reserve, o banco central americano.
 

Popularmente chamado de Nobel de Economia e com o mesmo prestígio que os de outras áreas, o prêmio de ciências econômicas é o único que não fez parte do testamento de Alfred Nobel (1833-1896), um engenheiro e químico sueco, conhecido por ter inventado a dinamite e desenvolvido a borracha e o couro sintéticos.
 

Criado em 1968 pelo Banco Central da Suécia (Sveriges Riksbank), o prêmio de economia tem o nome oficial de Prêmio Sveriges Riksbank em Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel. É concedido pela Real Academia Sueca de Ciências, de acordo com os mesmos princípios dos Prêmios Nobel originais, que são atribuídos desde 1901.
 

O prêmio é de 12 milhões de coroas suecas, quase R$ 6 milhões, além de uma medalha de ouro projetada pelo escultor sueco Gunvor Svensson-Lundqvist e um diploma.
 

No ano passado, o Nobel de economia foi concedido a Joel Mokyr, Philippe Aghion e Peter Howitt por mostrarem como a inovação impulsiona o progresso, debate que ganhou ainda mais importância diante dos efeitos da inteligência artificial nas sociedades.