Dólar e Bolsa recuam após Ibovespa disparar na véspera com resultado do 1º turno
Por Júlia Galvão | Folhapress
O dólar abriu em queda nesta terça-feira (6), com os investidores ainda repercutindo o resultado do primeiro turno da eleição presidencial, que terminou com o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A moeda americana também recuava frente a outras divisas.
Às 11h46, o dólar comercial tinha queda de 0,44%, cotado a R$ 4,979. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, recuava 0,24%.
A Bolsa abriu o dia em alta nesta terça-feira, dando continuidade ao movimento positivo da véspera, mas passou a oscilar com a realização de lucros por parte dos investidores após a forte valorização de ontem. Às 11h49, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, tinha queda de 0,86%, aos 205.122 pontos.
Os juros futuros também continuavam repercutindo o resultado eleitoral, após registrarem forte baixa na segunda-feira (5). Às 10h46, a taxa para janeiro de 2028 estava em 12,675%, leve alta de 0,01 ponto percentual, enquanto a taxa para janeiro de 2035 estava em 12,675%, recuo de 0,11 ponto percentual.
Na véspera, o Ibovespa fechou em alta de 7,70%, aos 206.911 pontos, no maior patamar da história, tanto em termos nominais quanto reais. O dólar encerrou o dia em queda de 4,11%, a R$ 5,001, no maior recuo intradiário desde 2018, quando caiu 5,50% em uma única sessão.
Leonardo Mendes, economista e consultor financeiro da Manchester Investimentos, diz que a abertura desta terça mostra a continuidade da reprecificação dos ativos brasileiros, mas em intensidade menor após o movimento excepcional da véspera.
"Na minha leitura, o ponto mais importante agora é que o mercado começa a sair da reação imediata ao resultado eleitoral e passa a tentar precificar o que pode vir depois. A composição do Congresso, a sinalização fiscal e, principalmente, os nomes e propostas econômicas que surgirem ao longo do segundo turno devem ganhar cada vez mais peso", afirma.
Segundo Mendes, depois de uma valorização tão forte em um único pregão, é natural haver realização de lucros e volatilidade. O ambiente externo também ajuda nesta terça-feira, com queda dos rendimentos dos Treasuries e do petróleo, embora a baixa da commodity pressione as ações da Petrobras, que, às 11h54, caíam 2,54%, a R$ 53,95.
Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, também destaca o fluxo de recursos para os ativos brasileiros. Segundo ele, o movimento positivo continua sendo puxado pelo chamado "trade eleitoral", com destaque para o setor financeiro, enquanto as ações de petróleo ficam na contramão devido à queda da commodity.
Moliterno diz ainda que pode haver continuidade do fluxo de entrada e reposicionamento nos ativos brasileiros diante do cenário eleitoral. Segundo ele, o movimento também aparece no câmbio, com vendas de dólar nas mesas institucionais e entrada de recursos estrangeiros, pressionando a moeda para baixo.
A reação dos mercados ao resultado do primeiro turno refletiu a expectativa de alternância de poder e de uma condução fiscal mais sólida, na avaliação de investidores. Esse cenário reduz a percepção de risco sobre os ativos brasileiros e aumenta o otimismo entre analistas.
O senador Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos, ante 45,16% de Lula. Os dois disputarão o segundo turno, marcado para o próximo dia 25.
Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, a avaliação predominante entre os investidores é de uma possível mudança em direção a uma política mais à direita e potencialmente mais alinhada a uma agenda econômica considerada favorável pelo mercado. Entre os pontos destacados estão menor intervenção do Estado na economia, maior protagonismo da iniciativa privada e atenção à questão fiscal.
Nesse cenário, os ativos brasileiros passam a incorporar a expectativa de que o novo Congresso e o novo Senado, além de uma eventual mudança no Executivo, possam favorecer pautas econômicas mais bem recebidas pelo mercado. Essa perspectiva ajuda a explicar tanto a forte alta da Bolsa quanto a valorização do real observadas na véspera.
No exterior, os investidores voltam a acompanhar os preços do petróleo, que, às 12h, recuavam 2,03%, a US$ 98, apesar de novos ataques dos houthis, grupo do Iêmen aliado do Irã, a aeroportos da Arábia Saudita.
Na noite de segunda (no Brasil), os aeroportos de Jazan e Najran foram bombardeados, deixando 3 pessoas feridas, segundo a autoridade-geral de Aviação Civil do país. Os houthis assumiram a autoria dos ataques.
O grupo iemenita anunciou nesta terça ter assumido o controle total do país, incluindo áreas estratégicas no Mar Vermelho. O governo do Iêmen contesta a informação e afirma ter retomado o domínio de parte do território, como o estreito de Bab al-Mandab, que liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico.
Enquanto os ataques dos houthis prosseguem, o Qatar afirmou que Estados Unidos e Irã ainda mantêm negociações para tentar encerrar o conflito.
As Bolsas americanas estão em alta. Às 12h01, o Dow Jones avançava 0,57%, o S&P 500 subia 0,71% e o Nasdaq tinha alta de 0,82%.
Além disso, os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, conhecidos como Treasuries, recuavam após uma sequência de altas nos últimos dias. Às 12h02, o valor máixmo do rendimento da Treasury de dez anos estava em 5,323%, queda de 0,44%, enquanto o título de 30 anos tinha rendimento de 5,680%, recuo de 0,37%.
