Influenciadores de direita alcançam votação recorde para deputado em 10 estados brasileiros
Por Pedro S. Teixeira | Folhapress
Nas eleições para os Legislativos federal e estaduais, um perfil se repetiu entre recordistas de votação: parlamentares de direita com pelo menos 200 mil seguidores no Instagram. Esses influenciadores lideraram o ranking de deputados eleitos em nove estados.
Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP) — seguidos por 22,6 milhões e 5,3 milhões de contas, respectivamente — se tornaram os deputados federais mais votados da história, ambos com mais de 3 milhões de votos.
Além deles, bateram recordes de votação para a Câmara dos Deputados em seus estados: Júlia Zanatta (PL-SC), Lucas Polese (PL-ES), André Fernandes (PL-CE), Delegado Caveira (PL-PA), Jeffrey Chiquini (Novo-PR), Mauricio Marcon (PL-RS), e Lucio Mosquini (PL-RO).
A deputada estadual mais votada no país foi Eduarda Campopiano (PL-SP), que recebeu mais de 1,955 milhão de votos e se aproximou do recorde de Janaína Paschoal —mais de 2 milhões em 2018. Para o Legislativo estadual, também atingiram patamares inéditos Ana Campagnolo (PL-SC) e Bruno Engler (PL-MG).
Embora eles se apresentem como políticos, todos são influenciadores. Segundo pesquisa de campo da socióloga Rosana Pinheiro-Machado, 44 anos, professora da Universidade de Dublin, na Irlanda, pessoas com mais de 200 mil seguidores estão entre as pessoas mais influentes do Instagram.
Do grupo com menos de 30 anos de idade —que inclui Pavanato, Polese, Campopiano e André Fernandes—, Nikolas se destaca nas redes sociais. O parlamentar mineiro é líder de audiência no TikTok, com 9,1 milhões de seguidores, e produziu o vídeo mais visto no Brasil da história do Instagram, sobre uma suposta vigilância do Pix. O conteúdo acumulou mais de 300 milhões de visualizações.
Para Pinheiro-Machado, o sucesso dos parlamentares influenciadores nestas eleições para o Brasil era esperado.
"Vivemos em um país com um dos maiores números de influenciadores autodeclarados do mundo. Esses candidatos estão no topo de uma pirâmide aspiracional de como as pessoas se representam e almejam ser", afirma a socióloga.
Segundo a pesquisadora, o conglomerado de redes sociais da Meta, dona também de Facebook e WhatsApp, redefiniu todo o jogo eleitoral a partir de uma política de visibilidade. "Aparecer se torna mais importante aparentemente do que os fatos em si", diz.
Neste novo tabuleiro, diz a socióloga, os parlamentares direcionam toda a sua atuação para se mostrar nas redes sociais e construir reputação, enquanto a projeção nas redes sociais se converte em sucesso eleitoral.
"Isso ficou muito claro nesta eleição: hoje, é possível se eleger só com rede social, mesmo sem ter base política", afirma Pinheiro-Machado.
Segundo a pesquisadora, o sucesso de Eduarda Campopiano nestas eleições é um exemplo dessa tendência. A jovem, antes vereadora por Praia Grande, município do litoral paulista de 368 mil habitantes, construiu sua reputação e carreira política em torno de participações em podcasts e publicações no Instagram, onde tem mais de 2 milhões de seguidores.
Para a socióloga, a Meta promove na política partidária uma transformação similar à que promoveu no mercado de trabalho. "Hoje, junto com as igrejas evangélicas, a lógica do marketing digital é a grande mola propulsora da criação de sonhos e de fantasias, muitas vezes deslocadas na realidade."
Esses sonhos são muitas vezes inalcançáveis, como o padrão de ostentação demonstrado em perfis com milhares de seguidores. A quebra de expectativa joga as pessoas em uma espiral de frustração, de acordo com Pinheiro-Machado.
A socióloga acrescenta que as plataformas também estimulam uma polarização afetiva, por serem um lugar propício para despejar raiva e ódio. "As pessoas precisam achar um culpado, e isso se torna um processo envolvente."
Ela pondera que a busca de voto nas ruas e o trabalho de base ainda funcionam. "Mas a visibilidade nas redes se reproduz sozinha e atinge muito mais pessoas."
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Seguidores no Instagram de deputados federais recordistas de votos
Lucas Pavanato (PL-SP), vereador por São Paulo - 5.433.433
Sandro Filho (PP-BA), vereador por Salvador - 167.394 votos
Julia Zanatta (PL-SC), deputada federal por Santa Catarina - 1.139.150
Nikolas Ferreira (PL-MG), deputado federal por Minas Gerais - 5.492.878
Lucas Polese (PL-ES), deputado estadual pelo Espírito Santo - 297.089
André Fernandes (PL-CE), deputado federal pelo Ceará - 3.030.007
Delegado Caveira (PL-PA), deputado federal pelo Pará - 534.000
Jeffrey Chiquini (Novo-PR), advogado e influenciadoriadoriador - 2.423.771,000
Maurício Marcon (PL-RS), deputado federal pelo Rio Grande do Sul - 854.570,000
Lucio Mosquini (PL-RO), deputado federal por Rondônia - 264.301,000
Fontes: Instagram
Sufrágios nos candidatos a deputado federal mais votados
Lucas Pavanato (PL-SP) - 3.037.076
Julia Zanatta (PL-SC) - 560.170
Nikolas Ferreira (PL-MG) - 3.098.936
Lucas Polese (PL-ES) - 419.735
André Fernandes (PL-CE) - 681.193
Sargento Salazar (PL-AM) - 205.737
Delegado Caveira (PL-PA) - 414.338
Jeffrey Chiquini (Novo-PR) - 425.388
Maurício Marcon (PL-RS) -379.834
Lucio Mosquini (PL-RO) - 158.421
Fontes: TSE
Seguidores no Instagram de deputados estaduais mais votados
Eduarda Campopiano (PL-SP), vereadora por Praia Grande - 2.434.998
Ana Campagnolo (PL-SC), deputada estadual por Santa Catarina - 2.641.266
Bruno Engler (PL-MG), deputado estadual por Minas Gerais - 610.450
Fontes: Instagram
Sufrágios nos candidatos a deputado estadual mais votados
Eduarda Campopiano (PL-SP) - 1.956.238,000
Ana Campagnolo (PL-SC) - 387.523,000
Bruno Engler (PL-MG) - 675.932,000
Fontes: TSE
