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Marca Bahia Notícias

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Bolsa sobe e dólar mantém estabilidade com crise no STF e guerra do Irã no radar

Por Folhapress

Bolsa sobe e dólar mantém estabilidade com crise no STF e guerra do Irã no radar

A Bolsa sobe nesta terça-feira (15), com a alta do petróleo e o cenário político, em especial a crise do STF (Supremo Tribunal Federal), no radar dos investidores.

 

O pregão é marcado pelo início da sessão que julgará a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A sessão também mantém no radar as decisões do Copom (Comitê de Polítca Monetária do Banco Central) e Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) na quarta-feira (16).

 

Por volta das 13h25, a Bolsa avançava 0,58%, a 186.590 pontos, com as ações de empresas do setor de petróleo em alta. No mesmo horário, o dólar recuava 0,02%, a R$ 5,146.

 

A tensão na guerra do Irã continua no radar. Nesta terça, o petróleo Brent, referência mundial da commodity, avança até 2,88%, a US$ 108,73, na máxima do dia. O movimento favorece as ações da Petrobras, que representam cerca de 13% do Ibovespa e valorizam 3%.

 

O movimento acompanha o observado nas últimas semanas, quando a alta do petróleo impulsionou os ativos domésticos. "O petróleo segue funcionando como principal termômetro do apetite por risco. Uma nova escalada pode pressionar o real, elevar os juros futuros e prejudicar ações domésticas, embora possa sustentar as petroleiras. No Brasil, o mercado também deve ajustar posições antes da superquarta", diz Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil.

 

Na segunda-feira (14), o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que estava "aberto" a dialogar com Teerã, um dia após ter dito que não haveria negociação com o Irã até o término das eleições de meio de mandato dos EUA, marcadas para novembro.

 

Em resposta, Mohsen Rezaei, chefe da principal instância de segurança do Irã, condicionou a volta das negociações pelo fim da guerra à aceitação das exigências iranianas.

 

"Não se deixem distrair pelos sinais contraditórios do presidente americano, que oscila entre 'não há negociações' e 'estamos dispostos a dialogar' com o Irã... Não haverá nenhuma negociação enquanto as condições do Irã não forem atendidas. Ponto final!", afirmou em post na rede social X (antigo Twitter).

 

Nos últimos dias, os preços do petróleo têm sido pressionados pela escalada do conflito no Oriente Médio.

 

A escalada aumenta os riscos para as exportações sauditas pelo Mar Vermelho, após a obstrução do estreito de Hormuz.

 

Antes do conflito, a passagem era responsável pela circulação de cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás. A tensão também levou os Estados do Golfo a adiar uma reunião com o chanceler iraniano sobre a gestão de Hormuz na segunda.

 

A perspectiva de inflação mais alta aumenta a cautela dos investidores diante da possibilidade de manutenção dos juros em níveis elevados por mais tempo, o que tende a pressionar ativos de risco. O tema deve estar no radar das decisões do Copom e do Fed nesta quarta-feira.

 

Segundo o Boletim Focus desta segunda-feira, a previsão é de que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, métrica oficial da inflação) encerre 2026 em 4,90%. A projeção está acima do teto da meta de inflação, de 4,5%, considerando o centro de 3% e a tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

 

Nos Estados Unidos, o CPI (índice de preços ao consumidor), último indicador de inflação antes da reunião do Fed, também avançou em agosto. No mês, o índice subiu 0,4%. Nos 12 meses até agosto, a inflação acumulada foi de 3,4%.

 

Lá fora, os rendimentos dos Treasuries, títulos do Tesouro dos Estados Unidos, de 10 anos dispararam e atingiram o maior nível desde 2007, em meio à perspectiva de juros mais altos.

 

Analistas preveem que o Fed eleve a taxa de juros para a faixa de 3,75% a 4%, ante os atuais 3,5% a 3,75%. No Brasil, a expectativa é de que o Copom (Comitê de Política Monetária) reduza a Selic para 13,75%, ante os atuais 14%.

 

A política brasileira também continua no radar dos investidores, com a crise do STF (Supremo Tribunal Federal). Mensagens recuperadas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, do Banco Master, indicaram a atuação do ministro Alexandre de Moraes em favor do ex-banqueiro.

 

A divulgação do conteúdo levou a novos desdobramentos no tribunal, incluindo o afastamento de Moraes da relatoria do inquérito das fake news e de André Mendonça, relator dos casos do Banco Master e do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) do caso que apura a ligação entre o ministro e Vorcaro.

 

Nesta terça-feira (15), está prevista uma sessão sobre a atuação de Moraes e sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

 

A interpretação predominante no mercado é de que o desgaste do STF pode favorecer mais a campanha de Flávio Bolsonaro do que a de Lula, uma vez que o senador é historicamente crítico ao Supremo e usa esse discurso para defender o impeachment de ministros da corte.

 

"A grande leitura que o mercado está tentando fazer é sobre o posicionamento dos candidatos em relação ao julgamento, tanto em relação à continuidade das investigações quanto ao uso de algum instrumento para atrasar essa votação. Ou seja, como o governo vai atrelar sua imagem a esse julgamento", diz Gabriel Mota, analista de renda variável da Manchester Investimentos.