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Notícia

Dólar abre em queda com cenário eleitoral no radar

Por Júlia Galvão | Folhapress

Dólar abre em queda com cenário eleitoral no radar

O dólar abriu em queda de 0,66%, a R$ 5,094, às 10h19, nesta terça-feira (8), com investidores refletindo as novas pesquisas eleitorais, que reforçam um cenário de disputa acirrada no segundo turno da eleição presidencial de outubro. No exterior, a moeda norte-americana exibia sinais mistos ante as demais divisas de países emergentes, com queda de 0,36%.
 

Durante o feriado, uma nova pesquisa Quaest mostrou o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) numericamente empatados em 41% em uma simulação de segundo turno da eleição presidencial. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
 

Também nesta terça, o boletim Focus mostrou que os economistas elevaram a previsão para o PIB deste ano pela primeira vez em mais de dois meses e reduziram a estimativa para a inflação pela segunda semana consecutiva.
 

Segundo o Focus, os analistas esperam crescimento econômico de 1,93% neste ano, alta de 0,01 ponto percentual em relação à expectativa da semana passada. Foi a primeira elevação da previsão para o PIB desde 29 de junho, quando passou de 1,98% para 1,99%. Depois disso, a estimativa ficou estável por seis semanas e começou a cair até chegar a 1,92% na semana passada.
 

Para 2028, a previsão de crescimento do PIB caiu de 1,98% para 1,96%.
 

Olivia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, diz que a combinação de inflação menor e crescimento maior é positiva, mas a melhora foi marginal. A projeção para o IPCA passou de 5,01% para 5%, enquanto a do PIB subiu 0,01 ponto percentual. A estimativa para a Selic, por sua vez, permaneceu em 13,75%. "O Brasil melhorou um centésimo e continua pagando juros por inteiro. Quando a boa notícia cabe na segunda casa decimal, convém não comemorar na primeira", diz a especialista.
 

Para ela, o dado mais relevante da inflação está nas projeções para os anos seguintes. A estimativa para o IPCA de 2027 subiu de 4,28% para 4,29%, enquanto a de 2028 permaneceu em 3,80%. "O mercado enxerga algum alívio imediato, mas ainda não comprou integralmente a história de convergência da inflação nos anos seguintes", afirma.
 

A trajetória da Selic reforça esse cenário. O Focus projeta a taxa em 13,75% no fim de 2026, 12% em 2027 e 10,50% em 2028. Apesar da queda de 3,25 pontos percentuais prevista para os próximos dois anos, os juros ainda permaneceriam em dois dígitos ao fim de 2028.
 

Isso mantém a renda fixa competitiva e o crédito caro, além de pressionar a precificação de ativos de risco, como ações. "O mercado está prevendo queda de juros, não dinheiro barato. No Brasil, até o alívio monetário chega pagando CDI", diz.
 

Na sexta-feira (4), a moeda americana fechou em alta de 0,49%, a R$ 5,128, enquanto a Bolsa recuou 0,02%, a 185.147 pontos, próxima da estabilidade.
 

No acumulado da última semana, o índice avançou 5,4%, a segunda maior alta do ano. Apesar do avanço de sexta-feira, o dólar caiu 1,30% na semana. No ano, a Bolsa acumula alta de 14,9%, enquanto a moeda registra queda de 6,5%.
 

Durante a última semana, o acirramento dos conflitos no Oriente Médio favoreceu o retorno do fluxo de investidores estrangeiros à Bolsa brasileira, com destaque para empresas de commodities, contribuindo para a valorização do real e do Ibovespa.
 

Nesta terça-feira, por volta das 10h20, o barril do petróleo Brent era negociado em alta de 0,74%, a US$ 97,72, atingindo o maior preço desde junho, em meio a novos ataques dos EUA e do Irã contra navios petroleiros e uma refinaria de petróleo.
 

A alta reflete a preocupação dos investidores com a escalada militar entre EUA e Irã. Os novos confrontos aumentaram o temor de interrupções no fluxo global de petróleo, pressionando as cotações da commodity.
 

Nesta manhã, instalações da estatal saudita Saudi Aramco, em Jizan, voltaram a ser atingidas. No começo de agosto, os houthis, aliados de Teerã no Iêmen, já haviam atacado uma refinaria da companhia na costa do Mar Vermelho.
 

No exterior, os investidores acompanham as expectativas para a próxima decisão do Fed, que definirá a taxa de juros dos Estados Unidos em reunião marcada para 15 e 16 de setembro. Atualmente, os juros americanos estão na faixa entre 3,5% e 3,75%.
 

Na última quinta-feira, o diretor do Fed Christopher Waller afirmou que pode defender a manutenção dos juros neste mês caso a inflação americana dê sinais de recuo. O próximo indicador de inflação a ser divulgado é o Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) de agosto, previsto para esta sexta-feira (11).
 

O Fed prefere o Índice de Preços para Despesas com Consumo Pessoal (PCE, na sigla em inglês) como medida de inflação, mas o indicador só será divulgado em 30 de setembro.
 

A sinalização de Waller contrasta com a do presidente do Fed, Kevin Warsh, que afirmou, em Jackson Hole, que o banco central terá trabalho a fazer caso a inflação americana não retorne à meta de 2%.
 

Uma postura mais restritiva do Fed tende a impulsionar o dólar e os Treasuries, títulos do Tesouro americano, e pressionar ativos de mercados emergentes, como o real e a Bolsa.
 

No Brasil, os juros futuros em queda nesta terça-feira. O DI para janeiro de 2028 avançava para 13,535%, queda de 0,04 ponto percentual. Na ponta longa da curva, o DI para janeiro de 2035 caia para 14,065%, queda de 0,16 ponto percentual. As Treasuries abriram em queda de 0,21%.
 

Na última semana, o mercado também foi impactado pela crise no STF (Supremo Tribunal Federal). Mensagens recuperadas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, do Banco Master, foram divulgadas na última terça-feira (1º) e indicaram a atuação do ministro Alexandre de Moraes em favor do ex-banqueiro.
 

A retirada do sigilo da investigação, por decisão do ministro André Mendonça, revelou que, dias antes de ser preso pela PF, Vorcaro perguntou a Moraes se deveria deixar o país.
 

Nesta terça-feira (8), Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal. Na mesma decisão, o ministro também afastou preventivamente o diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada.
 

Segundo a decisão, o afastamento foi motivado pela produção de um relatório interno da Polícia Federal usado por Moraes para contra-atacar Mendonça.
 

Os dois ministros estão no centro da crise institucional que se agravou no STF nas últimas semanas.