Polícia apreende Lamborghini ligado a Deolane em nova ação contra o PCC
Por Jorge Abreu | Folhapress
A nova fase da operação Vérnix, deflagrada na segunda-feira (17), cumpriu um mandado de busca e apreensão contra uma Lamborghini Urus Performante, avaliada em mais de R$ 4 milhões, que seria da advogada e influenciadora Deolande Bezerra, presa desde maio sob acusação de lavar dinheiro do PCC (Primeiro Comando da Capital). Ela nega as acusações.
A ação é mobilizada pela Polícia Civil (PC-SP) e pelo Ministério Público (MP-SP), por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado). Seu objetivo é apurar os crimes de organização criminosa e lavagem de capitais, ligados à facção paulista.
No último dia 9, a Polícia Militar (PM-SP) apreendeu outro veículo de luxo de Deolane. Desta vez, o modelo era um Mercedes-Benz GLC 300, que pode custar cerca de R$ 500 mil. O veículo estava sendo dirigido pelo filho da influenciadora, quando foi interceptado e verificado que era alvo de mandado de busca e apreensão também decorrente da operação Vérnix. Ele não foi preso.
A defesa de Deolane Bezerra foi procurada nesses dois episódios de apreensões de veículos, contudo, em ambos os casos, o advogado informou que não vai se manifestar sobre os desdobramentos da operação.
Após a prisão da influenciadora, no dia 21 de maio, o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, responsável pela denúncia, disse à Folha de S.Paulo que há uma relação direta e íntima entre Deolane e a família de Marcola, apontado como chefe do PCC.
Segundo ele, Deolane teria fornecido contas para a lavagem de dinheiro do grupo criminoso, o que é negado por sua defesa. Um dos indícios de atividade criminosa, segundo ele, seria um aumento repentino do patrimônio dela, com ganhos superiores a R$ 140 milhões de 2020 a 2022.
O promotor disse considerar que está praticamente comprovada a incompatibilidade entre as atividades profissionais de Deolane e seus ganhos financeiros.
Após ser presa, Deolane chorou durante a audiência de custódia. "Excelência, eu fui presa no exercício da profissão. À época dos fatos, eu advogava. É um processo bem antigo, de 2019, 2020. Eu quero deixar bem claro, mesmo sabendo que aqui não se trata de mérito, que eu fui presa por estar advogando, por uma quantia de R$ 24 mil depositada em minha conta, por um cliente que consta no próprio relatório da polícia o meu acompanhamento ao cliente", afirmou.
Ela não informou na audiência quem seria o seu cliente.
