Justiça aceita denúncia e Deolane vira ré sob acusação de lavar dinheiro do PCC
Por Rogério Gentile e Bárbara Sá | Folhapress
A Justiça paulista aceitou a denúncia contra a advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra sob acusação de lavar dinheiro para a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).
Com isso, Deolane, que está presa na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior do estado, passa a ser ré no processo e terá dez dias para apresentar resposta à acusação.
Marcos Willian Herbas Camacho, o Marcola, principal chefe da facção criminosa, o irmão dele, Alejandro Herbas Camacho Júnior, e Everton de Souza, apontado como operador financeiro do esquema, também passaram a ser réus na ação, de acordo com a decisão judicial da 3ª Vara de Presidente Venceslau.
A denúncia é desdobramento da Operação Vérnix, realizada a partir de suspeitas de que uma transportadora de fachada era usada para lavar dinheiro do PCC. A operação resultou na prisão de Deolane e de Everton de Souza.
Também foram denunciados Leonardo Alexsander Ribeiro e Paloma Sanches, sobrinhos de Marcola, que estão foragidos.
A defesa de Deolane Bezerra afirmou nesta quinta-feira (18) que o recebimento da denúncia não representa qualquer conclusão sobre os fatos investigados. Em nota, os advogados Aury Lopes Jr., Josimary Rocha de Vilhena, Luiz Ricardo Rodrigues Imparato e Rogério Nunes disseram que a medida é apenas uma etapa inicial do processo e que a influenciadora irá se defender das acusações na Justiça.
Os advogados sustentam que Deolane é inocente e não possui qualquer vínculo com organizações criminosas. Também afirmam que os rendimentos da influenciadora possuem origem lícita e foram regularmente declarados aos órgãos competentes.
O advogado Bruno Ferullo -que defende Marcola, seu irmão e os dois sobrinhos- afirmou, também em nota em nota divulgada nesta quinta, que contestará as acusações de organização criminosa e lavagem de dinheiro atribuídas aos denunciados.
Segundo o advogado, Marcola e Alejandro Camacho estão custodiados em presídios federais de segurança máxima desde fevereiro de 2019 e submetidos a rígidas restrições de contato e comunicação. A defesa sustenta que essa condição "torna inviável qualquer participação nos fatos investigados" e demonstraria um equívoco da acusação.
A nota também nega as acusações formuladas contra Leonardo e Paloma Camacho. De acordo com Ferullo, o simples vínculo familiar entre os denunciados não pode ser interpretado como prova de envolvimento em atividades criminosas. A defesa afirma ser "inaceitável que a simples proximidade afetiva sirva de fundamento para uma acusação desta magnitude".
Após a prisão de Deolane, o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, responsável pela denúncia, disse à reportagem que há uma relação direta e íntima entre Deolane e a família de Marcola.
Segundo ele, Deolane teria fornecido contas para a lavagem de dinheiro do grupo criminoso, o que é negado por sua defesa. Um dos indícios de atividade criminosa, segundo ele, seria um aumento repentino do patrimônio dela, com ganhos superiores a R$ 140 milhões de 2020 a 2022.
"Ela tem relação direta com a família Camacho, além de relação de amizade íntima com integrantes, como Paloma e Alexandro, filhos de Marcolinha [Alejandro Juvenal Herbas Camacho, irmão de Marcola] também indiciados", diz.
O promotor disse considerar que está praticamente comprovada a incompatibilidade entre as atividades profissionais de Deolane e seus ganhos financeiros.
Após ser presa, Deolane chorou durante a audiência de custódia ao afirmar que foi presa no exercício da advocacia.
"Excelência, eu fui presa no exercício da profissão. À época dos fatos, eu advogava. É um processo bem antigo, de 2019, 2020. Eu quero deixar bem claro, mesmo sabendo que aqui não se trata de mérito, que eu fui presa por estar advogando, por uma quantia de R$ 24 mil depositada em minha conta, por um cliente que consta no próprio relatório da polícia o meu acompanhamento ao cliente", afirmou.
Ela não informou na audiência quem seria o seu cliente.
