Sexta, 22 de Maio de 2020 - 17:45

O lamento resumido com a fala de 'como é fácil implantar uma ditadura no Brasil'

por Fernando Duarte

O lamento resumido com a fala de 'como é fácil implantar uma ditadura no Brasil'
Foto: Alan Santos/ PR

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), liberou o vídeo da reunião do presidente Jair Bolsonaro com os integrantes do primeiro escalão no último dia 22 de abril. A expectativa era tamanha que o site da Corte saiu do ar nos instantes seguintes após a disponibilização das imagens. E o vídeo traz, integralmente, aquilo que cada personagem do Executivo federal se propôs a fazer ao longo dos últimos 17 meses. E é bem simbólica uma frase do presidente: “como é fácil implantar uma ditadura no Brasil”.

 

O contexto é uma defesa do armamento da população. Na avaliação de Bolsonaro, um povo armado não é escravizado e, portanto, não poderia ser alvo da implantação da ditadura. Porém a necessidade de negar a possibilidade de um governo autoritário é um sinal de que ela sempre existiu. Ainda assim, haverá um séquito de aliados a dizer que se tratou de mais um arroubo do presidente. Bolsonaro é aquilo que sempre foi. Algo completamente distinto do conceito de estadista, construído ao longo de séculos na história da humanidade.

 

Ainda assim, o trecho de toda a polêmica com o ex-ministro Sergio Moro, onde o presidente aponta publicamente que pode interferir na Polícia Federal, não deve surtir efeito prático para a população que ainda mantém certos níveis de apoio a Bolsonaro. Mesmo que saibamos que o chefe do Executivo tratava diretamente da PF, ele vai seguir com a justificativa tola que se referia a seguranças da família dele – algo já desconstruído pela imprensa, que provou que houve mudanças no Gabinete de Segurança Institucional dias antes do episódio.

 

Ao assinar esse “puta de recado para esses bostas”, Bolsonaro assume que é, antes de tudo, antidemocrata. “Quem não aceitar as minhas bandeiras: família, Deus, Brasil, armamento, liberdade de expressão, livre mercado...”, bradou ele para sugerir a saída dos cargos em caso de discordância. No entanto a família é um conceito dele, tanto quanto Deus, Brasil, armamento, liberdade de expressão e livre mercado. Tudo de acordo com uma interpretação bem restrita da realidade, presa a conceitos arraigados e que despreza conceitos importantes, como respeito a minorias e direito ao contraditório.

 

Bolsonaro ainda completou que quem não aceitar esse posicionamento, está no governo errado. Talvez a frase mais adequada seja outra. Talvez o Brasil esteja com o governo errado.

 

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