Opinião: Morte de Alan Sanches faz a política desacelerar e parar ao menos um final de semana
Por Fernando Duarte
Às vezes, os tempos da vida e o da política deixam de ser os mesmos. Tanto que a cena baiana foi obrigada a parar no final de semana ao receber, de surpresa, a notícia da morte do deputado estadual Alan Sanches. Ex-vereador de Salvador, Alan se preparava para ser candidato a deputado federal em outubro, após ensaiar esse caminho em outras eleições. Porém, a roda da vida parou quando não se esperava. E políticos, aliados e adversários, ficaram perplexos - e assustados - com a partida precoce.
Alan era um político de fino trato. Mesmo estando há alguns anos na oposição, do qual foi líder em um passado recente na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), o deputado estadual do União Brasil nunca foi ostensivo nas críticas, apesar de um posicionamento firme. Talvez, por isso, a comoção tenha atingido as mais diversas matizes políticas. Do governador Jerônimo Rodrigues ao ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, potenciais adversários no próximo pleito, todos prestaram homenagens a Alan e ao filho, Duda Sanches, além de outros familiares que não estão presentes no mundo público.
Entretanto, essa coluna não é sobre Alan Sanches. É sobre um episódio que foge dos controles e que gera uma reflexão sobre a efemeridade que a política tem, mas que nem todos conseguem lidar. Alan esteve na Lavagem do Bonfim, na última quinta-feira, junto com outros tantos detentores de mandato. Cumpriu o ritual de mostrar força com apoiadores, tal qual diversos outros pares. Pré-candidato a deputado federal, ele estava pronto para alçar esse voo. Foi solapado pela vida. E conseguiu, no velório, mostrar que as adversidades se sobrepõe mesmo a quem vive em lados opostos nas urnas.
Jerônimo foi ao velório e permaneceu boa parte da manhã de domingo na Assembleia. Cancelou a agenda prevista e foi prestar solidariedade à família. Nas redes sociais, diversos aliados do governo também renderam homenagens ao deputado falecido, reconhecendo o papel de Alan, ainda que na oposição. Ou seja, nessa hora, esqueceu-se quem era adversário. Foi o lado humano que prevaleceu - e que bom.
Entre os aliados de Alan Sanches, muitos estavam ali, abalados, mas compartilhando um pouco da dor da família. ACM Neto e Bruno Reis, dois dos maiores representantes da oposição, acompanharam o velório e o sepultamento. Deram apoio não apenas nas redes, mas também pessoalmente. Ao pé do ouvido, Duda agradeceu "de coração" pelo apoio recebido. Como herdeiro do pai, o vereador de Salvador vai lidar com o próprio futuro enquanto sobrevive ao luto.
Em resumo, a morte de Alan Sanches foi o episódio mais visível no passado recente de que a política não é páreo para os desígnios da vida. Por mais que se planeje o futuro, jamais se tem controle absoluto sobre tudo. E, nessas horas, a política é obrigada a parar um pouco.
