Modo debug ativado. Para desativar, remova o parâmetro nvgoDebug da URL.

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias

Notícia

Opinião: CPMI precisa ir além das narrativas para evitar ser sequestrada

Por Fernando Duarte

Opinião: CPMI precisa ir além das narrativas para evitar ser sequestrada
Foto: Pedro França/ Agência Senado

Apesar de um início excessivamente governista, a CPMI do 8 de janeiro corre sério risco de ser sequestrada pelos apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. A presença e a narrativa do ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques evidenciam que há uma estratégia discursiva por parte dos bolsonaristas e, caso os aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não estejam efetivamente preparados, a guerra contra informações falsas estará perdida.
 

Silvinei foi um dos grandes responsáveis pelo aparelhamento da PRF e o próprio sequestro do órgão pela extrema-direita. Ao longo do último ano do governo Bolsonaro isso já era claro e a disposição da PRF no dia do segundo turno das eleições de 2022 foi a ponta mais visível dessa incorporação de agenda. Já era um problema antes, porém, em tese, a derrocada nas urnas desse grupo político deveria fazer ruir o discurso. A CPMI traz, então, uma sobrevida.

 

Claramente, as falas de Silvinei na CPMI foram planejadas para render cortes e manter a disseminação de informações imprecisas sobre o que aconteceu nas inúmeras tentativas de colocar em xeque a estrutura democrática do Brasil. Ele se mostrou como vítima e colocou a PRF na mesma caixinha. Caso fossem os adversários a fazê-lo, o próprio Silvinei criticaria o vitimismo, mas agora é ele quem usa o artífice.

 

Ao longo dos momentos em que a relatora Eliziane Gama (PSD-MA) tentava questionar o ex-diretor-geral da PRF de maneira mais incisiva, os bolsonaristas tentavam ou silenciá-la ou causar barulho suficiente para inviabilizar o prosseguimento da sessão. Pelo menos, houve um ponto de equilíbrio com o presidente do colegiado, Arthur Maia (União-BA), que evitou que a balbúrdia se expandisse.

 

A reflexão possível diante do primeiro dia de depoimentos na CPMI para apurar os atos antidemocráticos do último mês de janeiro é que há, sim, um esforço da oposição em manter discursos falsos ou imprecisos para tentar descredibilizar as investigações. É exatamente esse sequestro que levou o governo a tentar coibir a instalação da comissão. Os governistas precisam encontrar uma estratégia no terreno da milícia digital, atualmente dominado pelo bolsonarismo - ou seja lá o que esteja a sucedê-lo. Nem que para isso tenha que ceder ao proselitismo de André Janones...