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Terça, 26 de Janeiro de 2021 - 07:20

Tão tão distante da imunidade de rebanho, mas pelo menos informados

por Fernando Duarte

Tão tão distante da imunidade de rebanho, mas pelo menos informados
Arte: Reprodução/ Laura Alegre/ Jornal do Campus/ USP

Talvez um dos levantamentos mais precisos do andamento da curva de disseminação do novo coronavírus na Bahia teve seus resultados preliminares divulgados nesta segunda-feira (25) pela prefeitura de Salvador. Trata-se do inquérito epidemiológico que identificou que cerca de 20% dos soteropolitanos já foram expostos à Covid-19 e apresentam algum tipo de resposta imunológica ao vírus. Para 10 meses de pandemia, é um número baixo para considerar como imunidade de rebanho, ainda que existam referências a sugerir isso. Como disse o prefeito Bruno Reis, estamos distantes do fim da circulação do vírus na capital.

 

Quando o inquérito epidemiológico foi lançado, ainda na gestão de ACM Neto, era possível identificar uma aposta em dados científicos para a adoção de medidas contra o coronavírus em Salvador. Dentro de um universo com tantas autoridades públicas se esforçando para negar a gravidade da doença, esse estudo iria permitir traçar estratégias mais claras para enfrentar a pandemia. Agora, com as informações disponíveis, é possível que a prefeitura adote posições mais duras ou mais brandas, a depender da exposição da população à doença.

 

A primeira sinalização, ainda que tangencial, foi a possibilidade do retorno das aulas no começo de março. O prefeito tinha sugerido a hipótese na última semana e a reafirmou nesta segunda. Os dados disponibilizados pela pesquisa dão maior segurança à capital baiana para decidir sobre o tema, algo que até então vinha sendo feito “no escuro”, sem o embasamento ideal para optar por expor ou não a população. Esse é apenas um dos exemplos possíveis diante do compêndio tabulado por técnicos da prefeitura e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

 

Apesar de ser um bom norte, o levantamento preliminar divulgado não consegue prever totalmente a evolução de eventuais reinfecções ou o avanço de uma mutação, como a já observada em Manaus (AM), cidade até aqui mais atingida pela segunda onda do coronavírus. Porém é preciso admitir que, entre não ter dados e dispor de informações estruturantes sobre a disseminação do vírus na primeira onda, a segunda opção é muito mais adequada para enfrentar um adversário invisível.

 

Lembrando que essa análise não indica que as decisões tomadas anteriormente para conter o avanço da pandemia estejam equivocadas. Dentro do universo de dados conhecidos da doença, era o possível a se fazer com tantas lacunas de informações a serem preenchidas. Agora é torcer para que esses parâmetros identificados sejam efetivamente um padrão, permitindo que Salvador retome a uma aparente normalidade com base na ciência.

 

Este texto integra o comentário desta terça-feira (26) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para a rádio A Tarde FM. O comentário pode ser acompanhado também nas principais plataformas de streaming: Spotify, Deezer, Apple Podcasts, Google Podcasts e TuneIn.

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