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Segunda, 18 de Abril de 2022 - 11:10

Elze Fachinetti

por Mauricio Leiro

Elze Fachinetti
Foto: Divulgação

Primeira mulher eleita para a presidência do PSOL na Bahia, a militante cultural Elze Fachinetti acredita que o partido fornecerá nas eleições deste ano a única candidatura de esquerda entre os nomes colocados. O partido terá como nome na disputa ao governo da Bahia Kléber Rosa, além de Ronaldo Santos para a vice e Tâmara Azevedo ao Senado. 

 

"Estamos na trincheira da esquerda, mas o que a gente quer construir a longo prazo, é uma alternativa de esquerda. Então essa federação PSOL e Rede é uma alternativa a algumas alianças [do PT] com setores de direita, como o Geddel [Vieira Lima]. Então eu acho que ao longo prazo, a sociedade vai enxergar que a gente pode seguir esse caminho. A longo prazo podemos construir essa nova alternativa. A gente não vê como empecilho, estamos galgando o espaço e a nossa construção ideológica", comentou. 

 

Além disso, o partido segue em processo de federação com a Rede Sustentabilidade e deve seguir com o formato de candidaturas coletivas, incluindo ao Senado. "A gente deve lançar algumas candidaturas sim coletivas, teve ao todo umas 64 estaduais e 40 federais. E, dentre essas, tem algumas assim que já estão se colocando dentro do partido como coletiva. Então acho que a gente vai ter um uma quantidade maior do que anos anteriores", completou Elze. Veja a entrevista completa:

 

Presidente, temos a pré-candidatura posta ao governo pelo PSOL com Kleber Rosa, ao senado com Tâmara Azevedo. Teremos chapa será puro sangue e como está a expectativa? 

Na última conferência eleitoral do dia 29, confirmamos a candidatura ao governo com o Kléber Rosa, um pré-candidato que é bastante popular. É com a cara da Bahia, o que está se precisando. Ele é professor, cientista social e conhece a fundo os problemas do estado, como o dia a dia da população. Vem com seu vice, o tesoureiro que é o Ronaldo e na campanha do Senado vem também com Tâmara Azevedo, que é cientista social. No Senado a gente aprovou uma candidatura coletiva que compõe com o professor Max, funcionário público da Embasa. 

 

E a chapa proporcional, como tem sido ajustado os nomes? Tem alguma candidatura competitiva e coletiva também?

A gente deve lançar algumas candidaturas sim coletivas, teve ao todo umas 64 estaduais e 40 federais. E, dentre essas, tem algumas assim que já estão se colocando dentro do partido como coletiva. Então acho que a gente vai ter um uma quantidade maior do que anos anteriores. Até então de confirmados, pelo PSOL, a gente tentou e está tentando fazer esse diálogo, e localmente também junto com a Rede. Por enquanto temos o nome de Marcos Mendes, da companheira Laina Crisóstomo para estadual, temos o companheiro Hilton, que vai novamente tentar estadual. Temos os companheiros Jônatas, de Feira de Santana, também está posto para concorrer a estadual e o companheiro Marcos Rezende também pela estadual. Temos a esperança de eleger dois estaduais e eleger um federal. É um pouco difícil, mas estamos fazendo uma construção para isso. 

 

Nacionalmente o PSOL tem o movimento de se federar com a Rede Sustentabilidade. Como tem sido o diálogo aqui no estado? 

O PSOL vai fazer uma reunião para finalizar a federação com a Rede, que já está mais ou menos aprovada pela executiva nacional e posteriormente vai ter uma votação, que será agora no dia 30 de abril. Então a gente acredita que isso vá se consolidar. Aqui na Bahia a relação é muito boa. Temos a apoiar, como já provou pelo executivo a nacional a candidatura a Luiz Inácio Lula da Silva desde o primeiro turno. Até foi colocada com candidatura do Walter Braga, porém, pela executiva nacional, não foi aprovada e isso vai ser votado agora no diretório nacional. A gente prevê que também seja aprovado o apoio ao Lula desde o primeiro turno. 

 

Foto: Divulgação

 

É de fato a única saída para os partidos menores?

Pela situação que se encontra hoje a gente vê como positivo uma aliança com a Rede. Porque a gente tem uma afinidade política, com outros partidos talvez fosse um pouco mais complicado pela questão ideológica. A federação com a Rede, dentro dessa saída, eu vejo como a única saída no momento, e isso é positivo tanto pro PSOL quanto para Rede.

 

Tivemos algumas pesquisas ocorrendo para o governo, Kleber pontuou, o partido analisa de forma animadora os números? 

Sim, a gente também está muito otimista querendo alavancar a campanha do Kleber, principalmente divulgar. Porque a gente coloca essa candidatura como de fato, hoje, a única candidatura de esquerda. Por tudo que aconteceu aí dentro da conjuntura na Bahia, você tem uma candidatura do PSOL, por outro lado você tem ACM Neto e, o bolsonarista João Roma. Temos essa candidatura do PT hoje com a aliança com MDB, então assim a gente acredita que alguns setores de esquerda vão poder visualizar na candidatura de Kleber como uma uma alternativa de esquerda, de verdade, e a gente acredita que esse percentual possa subir.

 

No campo da esquerda tivemos um longo período de indefinição sobre o nome petista na disputa ao governo. Seria Jaques Wagner, Otto Alencar, com a definição de Jerônimo Rodrigues, o senhor acredita que a manutenção de um nome no PT, pode atrapalhar as aspirações políticas do PSOL?

Não. Estamos do lado da trincheira da esquerda, mas o que a gente quer é construir a longo prazo, construir uma alternativa de esquerda. Então essa federação PSOL e Rede é uma alternativa a algumas alianças [do PT] com setores de direita, como o Geddel [Vieira Lima]. Então eu acho que ao longo prazo, a sociedade vai enxergar que a gente pode seguir esse caminho. A longo prazo podemos construir essa nova alternativa. A gente não vê como empecilho, estamos galgando o espaço e a nossa construção ideológica.

 

Presidente, a Executiva Nacional do PSOL decidiu em fevereiro abrir negociações com o PT sobre o apoio a Lula. Isso pode ter algum conflito com o eleitor aqui na Bahia?

Não, porque a militância tende a se unificar depois do que for definido. Mas, aqui como em todo o Brasil ficou dividido [sobre a escolha]. A gente compreende a votação da maioria. Então provavelmente fica unificada. Porque o importante no que a gente acredita hoje é o grande projeto de tirar Bolsonaro. Nacionalmente e aqui sempre foi dividida as opiniões, né? Setores apoiavam que o PSOL lançasse candidatura no primeiro turno, outros setores achavam importante não arriscar e já apoiava a candidatura do Lula no primeiro turno. Tanto que foi lançado internamente a pré-candidatura do Glauber.

 

Foto: Divulgação

 

Temos um grande arco de apoio no governo do PT aqui no estado, porque o PSOL não compôs esse grupo?

Por questões ideológicas, de aliança. Todo um processo histórico, a gente achou que deveríamos lançar uma candidatura própria. Estamos apoiando o cenário do PT nacional, vemos a candidatura de Kleber como potencial. Ele, quando começar a se apresentar, acho ele mais preparado, opinião pessoal, das candidaturas postas. Professor, é uma pessoa que sabe das necessidades. O PSOL nunca foi testado no governo, temos que construir um nome e queremos criar uma alternativa verdadeira de esquerda. 

 

Quais as principais diferenças ideológicas entre o PT e o PSOL?

Primeiro, o PT optou se privilegiar com algumas alianças e deixou de ouvir as bases originais. O PSOL, nesse novo momento, está tentando a construção de um partido para não se mostrar com uma imagem tão doutrinária. Estamos passando por uma mudança interna, estamos passando de ser um partido de contestação, para o debate sobre as questões da esquerda. O PT acabou se perdendo com algumas alianças. Estamos apostando nessa construção do partido, queremos viabilizar o partido como uma alternativa. Queremos apresentar nossas pautas de governo.

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