Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Segunda, 10 de Janeiro de 2022 - 17:10

Sosthenes Macedo

por Vitor Castro / Gabriel Lopes

Sosthenes Macedo
Foto: Divulgação

Salvador teve em 2021 um dos anos mais chuvosos já registrados para o município. Com isso, muitos foram os desafios daqueles que tiveram de lidar diretamente com as ações de enfrentamento às precipitações na cidade.  

 

À frente da Defesa Civil de Salvador (Codesal), o diretor geral Sósthenes Macedo revelou, em entrevista ao Bahia Notícias, que mesmo diante dos desafios do ano anterior, acredita ter cumprindo a missão da pasta. Isso porque, na cidade, nenhuma vida foi perdida por conta das chuvas, deslizamentos de terra ou desabamento de imóveis. Resultado, segundo Sósthenes, das ações de prevenção da pasta, do trabalho em conjunto com mais de 200 servidores e da parceria com ACM Neto e Bruno Reis. 

 

Na vida pública há 20 anos e atuando na gestão municipal há pelo menos 17, quando perguntando sobre o ano eleitoral e o desejo a concorrer a um cargo, Sosthenes se esquiva de respostas, mas garante a parceria com o grupo de ACM Neto, parceiro político "de sempre".

 

“Eu não tenho nenhum tipo de pretensão eleitoral ou de candidatura própria e a cada dois anos perguntam se sou candidato a vereador ou candidato a deputado. Nem filiado estou. Com relação as definições de campos, isso ficou claro quando houve as separações no passado de que a gente continuaria caminhando com o campo do prefeito ACM Neto”, disse. 

 

Ainda para o Bahia Notícias, Sósthenes revelou que o orçamento da pasta para o enfrentamento às chuvas deve aumentar, mas não deu mais detalhes. “Nosso orçamento tem a previsão de garantir a execução do nosso planejamento estratégico, que vem sendo, ano a ano, ampliado o nosso parque tecnológico, as nossas políticas de prevenção o que deve manter no mesmo valor do ano anterior”, disse. Confira na íntegra a entrevista ao Bahia Notícias:

 

Salvador enfrentou fortes chuvas no final do ano passado, diversos alagamentos foram registrados aqui na capital, mas o número de vítimas fatais em decorrência da chuva reduziu muito nos últimos anos. Gostaria que o senhor falasse sobre essa atuação da Codesal ao longo do ano de 2021, a que o senhor atribui essa redução?

2021 foi um ano extremamente desafiador tal como 2020. Um ano de fortes chuvas, nós não superamos 2020 em acumulados por pluviométricos porque maio, que é o mês comumente chuvoso, foi um mês de poucas chuvas em 2021, foi o mês que menos choveu nos últimos 29 anos. Mas exceto maio, todos os outros meses em 2021 bateram recordes. Novembro, por exemplo, nós tivemos o novembro mais chuvoso dos últimos 10 anos. Dezembro nós acumulamos mais de seis vezes a média histórica que era de 58,1 mm no pluviômetro de Ondina, que é o pluviômetro referência do Instituto Nacional de Meteorologia para fazer essa referência. Nós temos 30 anos de estudos de acompanhamento constante que é o que é feito pelo Inmet. Em alguns bairros em Salvador nós tivemos somente no fim de semana do Natal mais de 200 mm em 72h. Motivo esse que nos levou a acionarmos as sirenes das regiões de Castelo Branco e também de Sete de Abril. Ora, 2021 com tudo isso foi um ano que não registramos, graças ao bom Deus e a todo esse trabalho de prevenção da Codesal, da prefeitura de Salvador, dos órgãos, secretarias do sistema municipal de proteção e Defesa Civil, uma perda de vida humana. Então a nossa missão assim foi alcançada. Acho que conseguimos garantir que todos soteropolitanos estivessem com suas vidas seguras nesse último período. Isso não se deu à toa. Em 2021 foi o resultado do que iniciamos lá atrás em que foi feito uma reformulação de toda a nossa Defesa Civil, 2016 começamos a implementar uma série de programas a exemplo de as geomantas e já ultrapassam a casa de duas centenas, são mais de 212 geomantas instaladas em Salvador nesses últimos anos pela Defesa Civil, também pelas contenções de encostas executadas pela Seinfra por meio da superintendência de obras públicas, a Sucop, na Codesal foi instalado naquele momento o nosso Cemadec, que é o Centro de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil de Salvador dado a continuidade e intensificada as ações pelo prefeito Bruno Reis, pela vice-prefeita Ana Paula Mattos. Nós contamos hoje com 71 pluviômetros, com 15 estações geotécnicas que foram entregues no ano passado e tem a pretensão de observar a umidade daquelas localidades mais vulneráveis geotecnicamente falando, com possibilidade de escorregamento de terra. Nós temos 11 sistemas de alerta e alarme. O prefeito Bruno Reis autorizou a compra de mais três, já foram solicitadas e deverão ser entregues agora no primeiro semestre de 2022. Esses sistemas que tem por missão nos informar os dados aqui na sede da Codesal e também acionar as sirenes quando necessário for para afastar as pessoas da condição de risco. Contamos com quatro estações que tem a pretensão de acompanhar o avanço, a elevação do leito de rios e canais da capital baiana, a exemplo do Camaragipe, também conhecido como Camurugipe, ele corta desde São Caetano até o Jardim dos Namorados. Também temos duas estações meteorológicas, nos possibilita saber velocidade do vento, radiação, temperatura, nos favorece muito as análises de estudos de nossos profissionais. Eu tenho convicção de que tenha sido esse talvez o maior sucesso que nos levou em 2021 a não termos perdas de vidas humanas. Perceba que não é uma não é uma solução individual, não é uma vitória individual. Não foi a Codesal que conquistou isso. Não foi a Defesa Civil sozinha que conquistou isso. Foi a prefeitura de Salvador, foi o sistema municipal de proteção e defesa civil, a sociedade, foram os moradores das áreas de risco foram vocês da imprensa que sempre apontaram esses caminhos para que esses moradores tivessem a compreensão da necessidade de estarem atentos no dia a dia das suas vidas e ter esse olhar para a Defesa Civil. Então é uma vitória coletiva.


Com quantos profissionais a Codesal conta hoje, qual o efetivo de vocês?

Falando em profissionais a Codesal desde então vem mantendo uma equipe multidisciplinar, com diversos profissionais das mais diversas áreas, nós temos meteorologista, engenheiro ambiental, engenheiro agrônomo, agrimensor, arquiteto, engenheiro civil, técnicos que fazem essa monitoria aqui no Cemadec e fazem as vistorias nas ruas da cidade. Então dessa forma a gente consegue ter com maior precisão, rapidez e assertividade as tomadas de decisões desses profissionais que estão em campo realizando essas análises, ou das casas ou das localidades, quando solicitadas pra população através do número 199. São cerca de 200 pessoas, se a gente pensar aqui nos da casa e dos que atuam também nas atividades correlatas. 

 

Teremos um acréscimo no orçamento da Codesal para 2022 em relação ao ano passado, qual é a situação?

Nosso orçamento tem a previsão de garantir a execução do nosso planejamento estratégico, que vem sendo, ano a ano, ampliado o nosso parque tecnológico, as nossas políticas de prevenção o que deve manter no mesmo valor do ano anterior. 

 

Quais são as ações de apoio à população que são ofertadas pela Defesa Civil?

Primeiro é a realização das vistorias, essa é a nossa missão primordial. Cabe a Defesa Civil afastar o risco dessas populações. A primeira coisa, as pessoas que estão em condição de risco ligam para 199 e nós realizamos essa triagem, hierarquizamos os riscos e realizamos as vistorias. Se for por exemplo necessário a instalação de uma lona, nós fornecemos a lona e a Limpurb instala nessas localidades. É um serviço prestado uma parceria Codesal/Limpurb. Em determinadas situações nós fazemos também a instalação de geomantas. E com órgãos de articulação encaminhamos para os demais órgãos e secretarias as necessidades: contenção de encosta, limpeza de canal, limpeza de caixa de sarjeta, poda de árvores, demolição de edificações em risco, para que os órgãos possam realizar as suas ações e afastar o risco dessas localidades. Ainda nisso, afastando as pessoas da condição de risco que moram em alguma localidade que precisem serem afastadas, o aluguel social, mas é bom que fique claro que quem fornece o pagamento do aluguel social é a secretaria de promoção social que também é parceira. 

 

A previsão é que o verão desse ano seja mais chuvoso, alguma medida específica para isso deve ser adotada? 

O trimestre da operação chuva é abril, maio e junho. Eu tinha previsão de uma redução de 40%. Maio foi o que menos choveu nos últimos 29 anos. Ao fim das contas, o trimestre foi o de menor quantidade de chuvas do que a média histórica. Havia perspectiva de termos 40% a menos e no fim das contas se apurou 37% a menos, ou seja, muito próximo. Ocorre que abril foi um mês extremamente chuvoso e junho também. Então a queda de maio jogou a média do trimestre lá para baixo como um trimestre com a quantidade menor de chuva. Vamos fazer o recorte também do verão, dezembro, janeiro e fevereiro. Os estudos dos nossos meteorologistas e dos demais que acompanham apontam um verão 30% mais chuvoso. Ora, dezembro nós já tivemos bastante chuva, choveu seis vezes mais do que a média histórica, então eu peço ao bom Deus que ele já tenha utilizado a cota de chuvas mais rigorosas em dezembro e que nós tenhamos assim com a chegada do El Ñino - a perda de intensidade do La Ñina a partir agora de final de janeiro, fevereiro -, que nós tenhamos agora por diante em janeiro e em fevereiro mais tranquilo.


Para fechar, falando um pouco de política, o senhor é um homem de vida pública. A gente sabe que você faz parte do grupo político de ACM Neto, mas sempre foi muito ligado a João Roma e a expectativa é que ele também dispute o governo na eleição desse ano enfrentando ACM Neto. Diante desse cenário, quais são os planos do senhor para esse ano, tem alguma pretensão política?

A cada dois anos essa pergunta se refaz. Estou na vida pública há mais de 20 anos, na prefeitura há 17. Eu não tenho nenhum tipo de pretensão eleitoral ou de candidatura própria e a cada dois anos perguntam se sou candidato a vereador ou candidato a deputado. Nem filiado estou. Com relação as definições de campos, isso ficou claro quando houve as separações no passado de que a gente continuaria caminhando com o campo do prefeito ACM Neto. A gente fez uma escolha há 10 anos quando acabou o governo do prefeito João Henrique, a gente veio para administração do prefeito ACM Neto, hoje com o prefeito Bruno Reis e o nosso caminho é com Bruno, é com Neto, para que a gente possa fazer as transformações que a gente entende que sejam necessárias para Bahia. Neto mostrou isso nos oito anos dele de governo à frente da prefeitura de Salvador, a Defesa Civil é um case de sucesso nesse cenário, é explícito essa transformação que ele pôde implementar na cidade de Salvador e eu torço, faço votos e luto para que isso aconteça nesse ano 2022. Para que nós tenhamos a certeza e a segurança de que a Bahia poderá usufruir e sentir um pouco da transformação que Salvador sentiu nesse último período.

Histórico de Conteúdo