Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Segunda, 20 de Setembro de 2021 - 11:10

Fabrizzio Muller

por Jade Coelho / Mauricio Leiro

Fabrizzio Muller
Foto: Divulgação

A solução definitiva para a condução da bacia de transporte já ocupada pela CSN pode estar mais perto. De acordo com o secretário de mobilidade de Salvador (Semob), Fabrizzio Muller, a prefeitura pretende "distribuir as linhas da CSN para outros contratantes”. “Isso está na reta final, acho que nas próximas semanas teremos novidades”, comentou Muller ao Bahia Notícias. 

 

“Com todas as dificuldades da administração, estamos respeitando todos os princípios e não existem precedentes. Outras cidades já nos procuraram pois devem seguir o mesmo caminho. Houve um acordo entre os rodoviários e a CSN, foi afastado o risco de sucessão, queremos a resolução para divulgar a nova licitação”, comentou. 

 

Muller também ressaltou que o cenário do transporte público na capital baiana é de dificuldade. “Salvador não entra com subsídios diretos. O que custeia é o valor pago pelo usuário, na pandemia com a queda temos um forte desequilíbrio. Em Salvador tivemos uma redução de 60% dos passageiros e assim não permitimos que as concessionárias retirassem os ônibus. É um desequilíbrio nos contratos e gerou uma crise muito forte. Interrompeu um processo de renovação de frota”, disse. Leia a entrevista completa:

 

Foto: Redes Sociais 

 

O prefeito de Salvador Bruno Reis (DEM) tem comentado que a grande dificuldade de seu mandato é o transporte público. A prefeitura visualiza a solução desse problema? Existe a possibilidade de Salvador não tenha mais esses problemas?

Não tenho dúvida que sim, mas é importante registrar que o prefeito vem falando de forma aberta as dificuldades de Salvador, mas que é nacional. Existe antes da pandemia e foi agravado por conta da queda de passageiros. Salvador não entra com subsídios diretos. O que custeia é o valor pago pelo usuário, na pandemia com a queda temos um forte desequilíbrio. Em Salvador tivemos uma redução de 60% dos passageiros e assim não permitimos que as concessionárias retirassem os ônibus. É um desequilíbrio nos contratos e gerou uma crise muito forte. Interrompeu um processo de renovação de frota. Os ônibus previstos no último ano não foram entregues. Medidas estão sendo tomadas, estamos buscando mais eficiência, queremos melhorar o serviço e reduzir custos. Em razão dessa crise está se buscando, já que o passageiro vai demorar para retornar ao uso do transporte, esse novo modo. Um dos pontos que entendemos que precisam ser revistos é a gratuidade do idoso, quem financia nas principais capitais é o usuário. Quem paga é o usuário que paga sua passagem inteira, está embutido a meia passagem do estudante e o passe do idoso. O prefeito tem levado a necessidade de sensibilizar para apoiar o transporte público. Gira em cerca de R$ 80 a R$ 90 milhões por ano. 

 

O senhor percebe que existe alguma sensibilidade do governo federal? 

O que tenho ouvido de informações é como se o governo federal ainda não estivesse sensibilizado. Foi aprovado na Câmara e Senado e o apoio foi vetado por Bolsonaro. Por enquanto não há nenhuma sensibilização. 

 

A CSN teve alguma solução para a bacia? Qual o futuro para ela?

Tivemos uma intervenção, depois se tentou a vinda de outros operadores para assumir essa bacia, mas, por conta do risco de sucessão trabalhista, não restou outra alternativa a assumir a bacia. Contratamos 2.800 funcionários da antiga CSN, fizemos a requisição dos ônibus e das garagens. Com todas as dificuldades da administração, estamos respeitando todos os princípios e não existem precedentes. Outras cidades já nos procuraram, pois devem seguir o mesmo caminho. Houve um acordo entre os rodoviários e a CSN, foi afastado o risco de sucessão, queremos a resolução para divulgar a nova licitação. Queremos distribuir as linhas da CSN para outros contratantes. Isso está na reta final, acho que nas próximas semanas teremos novidades. 

 

Falando de trânsito, temos problemas grandes para além dos pontos principais da capital. Como exemplo, temos a Liberdade, São Caetano, Cidade Baixa... Como a prefeitura pretende resolver os engarrafamentos de locais mais periféricos?

Salvador no ano 2000 tinha 370 mil veículos, em 2020 já ultrapassamos 1 milhão, crescemos 3 vezes. Qualquer grande centro, e Salvador tem especificidades, temos dificuldades extras. Qualquer grande centro urbano já entendeu que não consegue absorver a quantidade de veículos. Não conseguimos esse crescimento de frota. De forma macro não há outro caminho que não o investimento do transporte público. Não há outra forma. Temos que tornar o transporte público atrativo. Queremos fazer com que as pessoas estejam motivadas para deixar os carros nas garagens. 

 

Temos uma escalada grande com relação a violência nos transportes.Sabemos que o tema segurança é vinculado ao governo, mas o que a prefeitura tem feito para tentar diminuir?

De fato esse é um problema que não está diretamente ligado, mas impacta na decisão do usuário. Temos uma pesquisa interna, nesse sentido a maior insatisfação é exatamente a segurança pública. Isso acaba impactando. Ao tempo que você melhora o sistema, é necessário o caminhamento da segurança. Temos conversado, buscando dentro das nossas competências para melhorar. Foi lançado o 'Iluminando meu ponto' que pretende os mais de 3 mil pontos da cidade. Não é só o ônibus, tem todo um trajeto. Isso tudo conta. Vamos fazer esse trabalho, inclusive com outras secretarias. É algo que nos preocupa, mas foge um pouco da competência. 

 

Secretário, vemos que a prefeitura está tentando tirar do papel o projeto para construir esteiras rolantes com destino às estações do metrô do Campo da Pólvora e da Lapa... existiu diálogo com a Semob? Como vai ser esse formato? Quem vai operar o equipamento?

Estamos participando. De fato é um equipamento que traz conforto, de mobilidade, que melhora a experiência do usuário. Um ambiente refrigerado, com uma esteira. Existem definições de modelagem e definição.

 

Tivemos o primeiro teste para avaliar estações do BRT ... quais os próximos passos e teremos mais testes ainda esse ano? E como ficam os outros trechos? Já existe perspectiva?

Demos duas estações praticamente prontas, fizemos alguns testes de aproximação, outros testes também devem ocorrer. O trecho 2 já está com as duas estações elevadas quase prontas, o trecho 3 está bastante acelerado, para o início do próximo ano, e junto com o trecho 1, é a região toda da Pituba, que é uma das mais demandadas. A primeira etapa, que vai do trecho 1 a 3, e também temos o desejo de inserir a eletromobilidade nesse trecho, desejo de Bruno. É o ideal para a sustentabilidade. Ainda há um caminho a seguir, dificuldades, por conta do alto custo. Um veículo custa 3 vezes mais que um convencional, fora a estrutura. É um esforço que vale a pena. 

 

Salvador está com testes em ônibus elétricos, que pontos vão ser observados?

Primeiro a eficiência, são operados por uma concessionária. Temos a parte de manutenção, da carga, descarga. Para o usuário é só alegria. Ele viaja sem vibração ou barulho. Os usuários estão aguardando. Para a gente serve de laboratório para avaliações. 

Histórico de Conteúdo