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Segunda, 02 de Agosto de 2021 - 11:10

Cacá Leão

por Mari Leal

Cacá Leão
Foto: Agência Câmara dos Deputados

O Progressistas (PP) é hoje um dos principais partidos da base de sustentação do governo Bolsonaro, no entanto, nos cenários estaduais, a exemplo da Bahia, mantém um arco de alianças com legendas de oposição ao presidente. Para o deputado federal Cacá Leão, não há choque entre os posicionamentos, pois o respeito à “pluralidade” é central para a sigla. 

 

Neste aspecto, em entrevista ao Bahia Notícias, ele reforça permanência da legenda na atual base governista baiana, assim como a pré-candidatura ao governo do atual vice-governador, João Leão, de quem é filho. 

 

“Ninguém quer ficar perto de quem está fraco. As pessoas chegam e procuram o nosso partido, se filiaram e têm se filiado ao nosso partido justamente porque a gente tem o partido forte, em nível de Bahia e em nível de Brasil”, destaca ao pontuar a possibilidade de o PP agregar apoio em torno do nome de Leão para assumir a cabeça de chapa do grupo na disputa de 2022.

 

Cacá descarta a possibilidade de a aproximação com o governo Bolsonaro influenciar mudanças no eixo de aliança no nível baiano. “O nosso projeto é viabilizar a candidatura do vice-governador João Leão para o governo da Bahia. Esse é o meu foco. É o foco do nosso partido. A gente tem procurado fazer essas conversas e essas discussões dentro do nosso âmbito”. 

 

Quais são seus planos para 2022, reeleição para a Câmara?

A gente tem procurado trabalhar ao longo dos últimos seis anos que eu estou aqui em Brasília. Eu tive a missão de substituir como deputado federal o atual vice-governador, João Leão, e desde lá eu procuro cumprir a minha missão e cumprir um mandato de excelência para o povo baiano de resultados. De levar obras, de melhorar realmente a vida das pessoas. Reeleição é consequência disso. Eu acho que a gente não pode começar um mandato já pensando na reeleição. Ela é consequência da aceitação que a população da Bahia. Graças a Deus, aonde a gente chega tem conseguido cumprir a missão. Em todos os municípios onde eu sou votado, e até em municípios onde não fui ainda votado, tenho conseguido focar nisso e melhor a vida do nosso povo. Então, o caminho natural é buscar a reeleição em 2022 para a Câmara dos Deputados. 

 

O PP tem está sendo hoje uma forte coluna de sustentação do governo Bolsonaro, ainda mais agora com a chegada do Ciro Nogueira ao núcleo duro. Já é decisão do PP sustentar a apoio para Bolsonaro até a disputa dele pela reeleição ou ainda é a etapa de aproximação, afinação e daí observar como a coisa segue?

O PP foi o partido que mais cresceu, que mais elegeu deputados nas eleições de 2018, fora a polarização entre PT e PSL. Elegemos 42 deputados federais. Infelizmente perdemos um para a Covid, o deputado do Paraná, José Carlos. Temos 41 deputados hoje na Câmara Federal. É um partido coeso, unido. Foi também o que mais cresceu em número de prefeituras em 2020 nos quatro cantos do Brasil, inclusive na Bahia, onde praticamente dobrou o nosso número de prefeitos e vereadores e vice-prefeitos. Então, é um partido que é hoje muito grande nacionalmente e tudo isso se deu justamente por o partido respeitar as alianças nos estados. Na Bahia tem uma aliança com o governador Rui Costa. No Rio Grande do Sul tem uma aliança com o governador Eduardo Leite. É um partido bastante plural em todo o Brasil e surge, pelos bons quadros que tem, temos o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, e agora com a função do nosso presidente do partido ao ministério mais importante do governo federal. É um partido que é cortejado por todos por sua pluralidade, pelo tamanho e representatividade da sua bancada. É natural que esse assédio aconteça, mas o PP é grande justamente por respeitar essa pluralidade. Eu acho muito difícil a vinda do presidente Bolsonaro ao partido justamente por causa disso. Ele deve se filiar a um partido que ele vá conseguir ter um controle nos estados, ter uma unidade em torno da sua candidatura e isso no PP hoje não é possível. Acho muito difícil que ele consiga sacramentar essa função. Agora, hoje, o partido está em sua base, tem muita chance de nacionalmente declarar o apoio a reeleição, mas tenho certeza absoluta que o partido respeitará a sua relação que tem nos estados. 

 

Pessoalmente falando, Bolsonaro é seu candidato para continuar no comando do Brasil? 

Não. Hoje não. A gente ainda está fazendo essa discussão. Eu particularmente não gosto desse tensionamento, dessa polarização. Gostaria muito que surgisse uma terceira via, até para animar e para esfriar um pouco essa centralização de poder que está concentrada entre o presidente Bolsonaro e o ex-presidente Lula, mas a gente ainda não tem. Eu particularmente ainda não tenho um posicionamento definido. Vou ouvir o meu partido em nível federal, vou ouvir o meu partido, que vai ser construído também em nível das alianças que vai fazer no estado da Bahia. Hoje a gente tem uma aliança bastante sólida com o Partido dos Trabalhadores, liderada pelo governador Rui Costa, pelo ex-governador e atual senador da República, Jaques Wagner. Nós vamos avaliar ainda essa questão no nosso estado para tomar uma decisão mais na frente, que só vai acontecer em 2022.

 


Foto: Divulgação/ Facebook

 

Então, para apimentar o cenário uma terceira via seria bacana. E desses nomes que estão colocados hoje, o Ciro Gomes, o próprio Eduardo Leite, o Doria?

Todo nome que chegar com força para eleição, aumenta e potencializa o debate e diminui a radicalização. Eu ainda não consigo ver esses nomes conseguirem agregar uma força para se apresentar como terceira via, mas ainda estamos a quinze meses da eleição. Ainda tem tempo para que um desses nomes, ou até um novo nome surja, e consiga potencializar esse debate e diminua esse radicalismo. 

 

O senhor já colocou a questão da pluralidade e respeita da legenda às alianças nos estados. Mas a gente se pergunta se a relação tão íntima do PP com o governo Bolsonaro pode prejudicar a aliança com já posta aqui na Bahia, fragilizar ou influenciar uma mudança para outro eixo, a exemplo de ACM Neto?

Eu não acredito que venha mudar nosso eixo de trabalho. O nosso partido tem, hoje, buscado se fortalecer dentro do estado. Conseguimos um importantíssimo resultado eleitoral nas eleições de 2020. Elegemos 96 prefeitos, filiamos diversos prefeitos ao longo desse ano de 2021. Filiamos o prefeito de Luís Eduardo Magalhães, filiamos o prefeito de Catu, o prefeito de Uauá. Tem diversos prefeitos que nos procuraram após as eleições municipais e ingressaram na legenda. O nosso intuito agora, assim como é o do Partido dos Trabalhadores, como é o intuito do PSD, nesse momento, é se fortalecer. A gente tem uma pré-candidatura colocada do vice-governador João Leão, que tem todos os predicados, que tem força política, conhecimento e reconhecimento pelo trabalho que realizou quando foi prefeito de Lauro de Freitas quanto deputado federal e vice-governador. Agora o nosso objetivo é fazer com que as forças que estão no nosso entorno se aglutinem em torno desta candidatura, que o mesmo desejo legítimo que o PT tem com o ex-governador Jaques Wagner, que o PSD tem com o senador Otto Alencar e demais nomes que compõem nossa base de apoio. 

 

Eu conversei com uma pessoa da própria base e a avaliação que faz é a de que a postura de João Leão “mira no que vê para acertar no que pode”, na perspectiva de forçar uma candidatura de Rui Costa para permanecer alguns meses na cadeira de governador. Faz sentido? 

Para Leão assumir o governo, isso depende primeiro de uma decisão do governador Rui Costa, que ele tem que tomar. Ele tem o tempo dele até abril do ano que vem para avaliar os cenários, para discutir internamente dentro do partido dele e dentro da base de apoio. Uma coisa que não nos cabe fazer é esse tensionamento. Não é uma coisa que depende única e exclusivamente da gente. O que depende única e exclusivamente do nosso partido Progressistas é buscar o seu fortalecimento. E é isso que a gente tem feito ao longo desses últimos anos, que é construir um partido forte, dialogar com os parceiros, agregar novos parceiros. A gente tem cumprido bem essa missão. Assumir o governo em abril de 2022 depende de uma decisão pessoal e depois política do governador Rui Costa. A gente não pode fica à margem disso. Claro que a gente tem esse desejo, sim, do vice-governador chegar ao governo da Bahia, mas não é uma coisa que está explicitamente dentro das nossas possibilidades e da nossa vontade. Depende muito do governador Rui Costa. 

 

E a força que o PP tem angariado no âmbito nacional reflete aqui também nessa junção de partidos e alianças para agregar força em torno dessa cabeça de chapa, mudando as posições no “teodolito”? 

Ninguém quer ficar perto de quem está fraco. As pessoas chegam e procuram o nosso partido, se filiaram e têm se filiado ao nosso partido justamente porque a gente tem o partido forte, em nível de Bahia e em nível de Brasil. É o que a gente tem colocado, a gente tem feito. Acho que a gente tem conseguido cumprir essa função e é, por isso, que prefeitos, vereadores, e até deputados, têm procurado a legenda para se filiar durante a janela partidária. Ninguém quer estar do lado de quem está fraco ou é fraco. As pessoas querem estar do lado de quem tem força, de quem tem serviço prestado e tem serviço a oferecer. Graças a Deus isso tem acontecido com o nosso partido. 

 

Há algumas semanas o deputado Arthur Maia (DEM) em uma entrevista conosco, disse que a chapa dos sonhos era uma aliança entre DEM e PP. Qual o status possível para a realização desse sonho aqui na Bahia? Já houve procura desse outro grupo para dialogar com vocês?

Eu tenho uma característica, herdada também do vice-governador João Leão, de fazer amigos na política. Tenho muito amigos e um deles é o deputado Arthur Maia. Tenho também uma relação de amizade com diversos deputados federais e estaduais que fazem parte da aliança do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto [DEM]. É natural que essas conversas aconteçam, que essas especulações aconteçam, mas isso não está dentro do nosso projeto. O nosso projeto é viabilizar a candidatura do vice-governador João Leão para o governo da Bahia. Esse é o meu foco. É o foco do nosso partido. A gente tem procurado fazer essas conversas e essas discussões dentro do nosso âmbito. A gente tem uma relação política e também pessoal e amizade muito forte com Rui Costa, Com Wagner, com Otto Alencar, com Lídice da Mata, com Daniel Almeida, Alice Portugal, parlamentares que compõem o nosso arco de aliança. O nosso desejo, o nosso intuito é nos fortalecer e fazer essa discussão dentro da base. Não dá para querer escalar o time adversário. 

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