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Segunda, 22 de Fevereiro de 2021 - 11:10

Mila Paes

por Mauricio Leiro/Mari Leal

Mila Paes
Jade Coelho/Bahia Notícias

Criada pela atual gestão municipal de Salvador, que tem como chefe o prefeito Bruno Reis (DEM), a Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Emprego e Renda (SEMDEC) tem como a finalidade formular, planejar, coordenar, executar, acompanhar e avaliar a política de desenvolvimento econômico do município, as políticas e atividades voltadas à geração de emprego e renda, o apoio ao trabalhador, ao empreendedorismo e às micro e pequenas empresas, além de coordenar o programa municipal de parcerias público-privadas e de concessões.

 

Em entrevista ao Bahia Notícias, Mila Paes, escolhida por Reis para chefiar a pasta, falou dos desafios e dos percursos os quais a nova secretária pretende seguir. Segundo ela, o trabalho pretende atender demandas imediatas, sem deixar de lado o olhar de longo e médio prazo, construindo para a cidade novas a vantajosas maneiras de ampliar a matriz econômica local. 

 

Secretária, pouco tempo frente à da pasta ainda, já foi possível definir em quais frentes pretende atuar?

Estou há pouco mais de um mês na pasta. Digo que foi um momento de ambientação, de formação de equipe. É uma secretaria muito técnica. A gente trouxe algumas da iniciativa privada para dar um olhar diferenciado do contexto. Tem algumas pessoas também da área pública, mas o corpo gestor é predominantemente de pessoas da iniciativa privada. Temos quatro diretorias e atuamos em diversos segmentos. Estamos ainda em um momento do desenvolvimento do planejamento estratégico da secretária para uma posterior validação com o prefeito. Claro que ele já me deu todas as diretrizes, já conversou algumas vezes sobre os objetivos da secretaria, mas eu diria que ainda estou em um momento de validação de projeto. Especificamente nomes de projetos ainda não tenho. Mas, sim, de forma muito clara, os principais pilares da secretaria, as principais áreas de atuação já é possível descrever.

 

A pandemia foi um dificultador para a geração de emprego. Como conseguir atrair os investimentos para retomar a aberturas dessas vagas formais de trabalho? 

A pandemia com certeza é uma elemento que torna o desafio ainda mais desafiador do que ele já é. Falar em desenvolvimento econômico no Brasil, no Nordeste de maneira geral, em Salvador, é um assunto bastante desafiador. A gente sabe todas as dificuldades que o país tem, que o estado tem, que a cidade tem, mas também os potenciais. A pandemia é, sim, um elemento muito importante para a gente enxergar e analisar. Pelo impacto negativo que teve e continua tendo é, com certeza, um balizador das nossas ações em algumas vertentes. A secretaria vai atuar basicamente em dois pilares. Um, que a gente chama de uma olhar de curto prazo, que é uma preocupação em programas de geração de emprego e renda mais imediatos. Que significa olhar o problema do agora, as pessoas que estão desempregadas agora, das empresas que estão passando por dificuldade agora, seja por conta da pandemia ou não. Para isso, a gente tem trabalhando em uma escuta muito grande das vertentes empresariais e econômicas da cidade. A gente tem também trabalhado em programas e projetos que a própria prefeitura já tem implantação. Entendo que a Semdec vem em um momento oportuno, em uma segunda gestão, depois de uma maturidade de projetos durante oito anos de propostas de extrema relevância para a cidade. Bruno trouxe essa secretaria com a visão de que agora vamos também agregar uma visão econômica para tudo que a gente vem fazendo. Um outro pilar da secretaria é o olhar do médio e longo prazo, ou seja, onde a gente quer chegar como cidade. A gente tem uma economia que, hoje, é basicamente de comércio e serviço, tendo o turismo como um dos principais lastros econômicos, mas é isso ou a gente quer ter na nossa matriz econômica outras vertentes? Dentro desse contexto temos um outro pilar, que é a diretoria Salvador Tec, que olha para o desenvolvimento dessa nova economia, que aí, sim, eu posso falar da pandemia como sendo uma grande enzima aceleradora desse universo econômico, da economia 4.0. A gente entende que importante a secretaria olhar também esse amanhã, esse depois, e criar de fato as bases para a gente conseguir plantar sementes e criar raízes para essa nova economia que a gente entende que Salvador tem todo potencial.

 

Como você bem trouxe, temos uma cidade basicamente de serviço, não temos indústrias. Além da tecnologia, existe algum outro ramo que a prefeitura pretende observar para atrair outra matriz econômica?  

Como falei, a gente está no começo de um processo de planejamento e a gente tem diversos outros olhares. O próprio olhar sobre melhorar o ambiente de negócios da cidade, entender onde estão os entraves que impedem outros seguimentos de vir para a cidade é muito importante e um cuidado muito grande que a secretaria está tendo para saber onde pode atuar de maneira assertiva. A possibilidade da economia tec é muito relevante, é algo que, de fato, Salvador tem um potencial muito grande de se tornar uma cidade como Santa Catarina conseguiu fazer há alguns anos, como Recife vem trabalhando através do Porto Digital. A gente acredita muito no potencial e na capacidade de se desenvolver nesse universo. Salvador tem, dentre várias coisas, um potencial criativo muito grande, uma força de trabalho e um povo muito capaz de se qualificar. O programa Salvador Tec vai trabalhar em alguns pilares. Um deles é a questão dos talentos, do trabalhar, capacitar, entender, de fato, quais são as bases, do que a gente precisa fazer hoje para atrair essa indústria tec. A gente também vê a pandemia como uma enzima catalisadora e de outros movimentos. O turismo é uma vertente, a gente pretende trabalhar no fortalecimento dela, criar programas específicos para ela, mas não ficar apenas olhando isso e o status quo e sendo a única forma que cidade tem. O nosso papel também olhar para frente, para o nosso futuro. 

 

Secretária, como fica a situação do médio empreendedor e as micro e pequenas empresas nessa pandemia? O que a secretaria pretende fazer?

Salvador é uma cidade que, de fato, tem um percentual de informais e de micro e pequenos empresários. A maior parte da força de trabalho das pessoas da cidade transita nesse universo. A gente tem dentro desse primeiro pilar que eu falei, de olhar do curto prazo, pensado e desenhado programas muito específicos para esse público informal. Quando eu fui da gestão de ACM Neto, a gente trabalhou um diagnóstico bem interessante. Fiz diversas conversas com esse público informal para entender as dores. O nosso olhar sobre o mercado informal não é de busca da formalização. O nosso é olhar é o de entender que isso é uma realidade nossa e a precisamos atuar nesta realidade. Nesse levantamento que fizemos na Sedur culminou até em um programa, o Agente de Empreendedorismo. Ele era um programa que tinha dois lastros, que continuam sendo as duas grandes dores do mercado informal, que é a falta de capacitação e a falta de acesso a crédito. Esses são os dois pilares principais de fomento ao mercado informal. A gente pretende trabalhar um programa econômico de fomento e de fortalecimento. Acreditamos que a economia informal é uma fase, muitas vezes, de um posterior formal. A consequência do informal que teve sucesso é a formalização porque ele vai precisar adentrar em um universo de captação e que naturalmente ele se formaliza. Mas como fazer para isso acontecer? Aí eu preciso trabalhar qualificação em diversas áreas, acesso a crédito, toda uma gama de programas. Entendemos que é uma realidade nossa. A gente também sabe que a maior parte do nosso universo informal e microempreendedor é feminino. A gente tem tido um olhar, e aberto a conversas com pessoas que atuam dentro desse universo para a gente montar um programa efetivo e que entregue o que a gente deseja, que é o fortalecimento e a geração de emprego e renda para essa população. 

 

Secretária, a pasta também coordena o programa municipal de parcerias público-privadas e de concessões. Já existe o vislumbre de algo desse tipo? 

A gente tem uma diretoria de programas e projetos que é um pouco mais abrangente do que a ideia de PPP. A gente o conselho gestor de PPP, que está sob minha responsabilidade. Nesse sentido a gente é uma secretaria que apoia outras secretarias em programas estruturados, sejam eles concessões, PPP ou qualquer outro modelo jurídico. A PPP é uma das formas de se viabilizar um determinado projeto. É um modelo jurídico de viabilidade. A gente tem um olhar sobre isso, tem discutido alguns programas, não só internos, como com outras secretarias. Eu não gostaria de dar nomes. Eu tenho conversas com secretarias específicas que estão validando. O programa de parceria de projetos mais estruturados e maiores depende de uma gama de aprovações, inclusive de um desejo muitas vezes político ou estratégico do próprio prefeito. Todos os programas que a gente está discutindo eles vão perpassar por uma aprovação. Acho que é um pouco precipitado dar nomes. A gente teve conversas com a Secretaria de Sustentabilidade, com a Secretaria de Turismo, a gente sabe de alguns projetos que podem acontecer na área de mobilidade e dentro da nossa pasta também, a gente tem programa na região do centro histórico que provavelmente virão a partir de operações estruturadas através de programas como esse.

 

Salvador por Todos foi adotado como um programa de distribuição de renda, que perpassa também a sua área de atuação. O programa permanecerá vigente? 

A liderança do Salvador por Todos não é da Semdec, até porque ela nem existia quando o Salvador por Todos aconteceu. A gente tem tido conversas em conjunto com as secretarias. Acho que é a Sempre que hoje toca a operacionalização do Salvador por Todos com a vice-prefeita. Eu acredito que para alguns setores específicos faz muito sentido o Salvador por Todos permanecer caso isso seja possível. Existe uma questão econômica e financeira envolvida na decisão de manter ou não manter um programa desse. Não é só uma decisão. Mas com um olhar de desenvolvimento econômico eu acredito que alguns setores ainda demandam esse tipo de ajuda. Eu sei que ela vai durar ainda até final de março e a gente está avaliando a possibilidade de contemplar alguns setores específicos para que a gente tenha esse apoio garantido. Eu defendo que sim.

 

O prefeito Bruno Reis tem falado muito sobre turismo na área de saúde com a chegada de alguns empreendimentos. Esses locais já negociaram algum incentivo fiscal? Como fica a mão de obra local para atender essas iniciativas? 

Sobre incentivos, isso não faz parte da minha secretaria. Deve estar sendo discutido com a Sefaz. A gente tem dentro da secretaria uma das ações muito fortes é o olhar sobre essa vertente econômica da saúde. A gente entende que é uma grande oportunidade de Salvador, por tudo que ela representa como qualidade de vida a agregação desses investimentos na área de saúde torna essa vertente extremamente relevante para a economia da cidade. O que a gente já tem trabalhado sobre esse tema é a aproximação com alguns grupos desses investidores. Estamos trabalhando na montagem de um programa de qualificação da mão de obra local para atender a essa demanda. A gente está estruturando para ser uma fonte de pessoas qualificadas para esse programa. A gente quer fazer um casamento entre localização geográfica dessa mão de obras versus a implantação desses equipamentos. A qualificação dessas pessoas para garantir que toda a mão de obra absorvida seja local, capacitada e qualificada, tendo como protagonista o poder público fazendo a interface. A gente entende que o nosso papel como município é o poder de articular esse universo de cidadãos que demandam empregos e os grupos empresariais que chegam à cidade. 

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