Quarta, 30 de Setembro de 2020 - 11:00

Bruno Reis

por Fernando Duarte / Lucas Arraz

Bruno Reis
Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

Único candidato à prefeitura de Salvador do grupo do prefeito ACM Neto (DEM) e adversário de outros oito nomes oposicionistas, o vice-prefeito Bruno Reis disse não temer ataques que possa sofrer durante a campanha. “A Salvador de hoje é muito melhor que a de oito anos atrás. Todo mundo fala que a cidade está bem organizada, a cidade está bem cuidada. Quem vai me defender contra esses candidatos todos é a população que sabe o que fizemos e que confia que podemos fazer ainda mais”, declarou. 

 

Reis foi o primeiro candidato da série de entrevistas ao vivo com os prefeituráveis da capital baiana, realizada pelo Bahia Notícias na campanha pela capital neste ano (assista aqui). 

 

Durante a conversa, o atual vice-prefeito defendeu seu trabalho durante os últimos quatro anos ao lado do atual prefeito, falou em continuidade de projeto e disse estar preparado para assumir Salvador em 2021. “Tenho vinte anos me preparando para ser prefeito dessa cidade. Muitos foram os obstáculos, mas isso me fez o homem que sou hoje. E é isso que eu quero colocar a disposição da cidade”, argumentou. 

 

O grande desafio do próximo prefeito, sem dúvida nenhuma, é lidar com as consequências da pandemia do novo coronavírus. Nesse sentido, quais são as propostas para lidar com essas consequências? Tanto econômicas, quanto sociais? 

Se o desafio do próximo prefeito já era grande, depois da pandemia será ainda maior. Tivemos um agravamento da crise econômica e social no nosso país. Para combater isso, o próximo prefeito terá que se dedicar e colocar toda a experiência e todo o conhecimento para mudar essa realidade. O que nós vamos fazer é seguir a política de incentivos e estímulos fiscais. Para a reativação da economia, a Câmara Municipal de Vereadores está aprovando neste momento 101 medidas que vão, desde a isenção de multas e juros, a redução do valor de alguns tributos municipais. Vamos seguir com essa política. Principalmente para o setor mais afetado e também para outras áreas que queremos estimular para a economia da nossa cidade. Vamos seguir simplificando os métodos para ter agilidade na relação do cidadão com a prefeitura. Nossa ideia é fazer uma prefeitura toda online. Por meio de processos eletrônicos, as pessoas possam ter, por exemplo, licenciamento das obras e empreendimentos na cidade. Vamos seguir trazendo segurança jurídica para quem quer investir. Hoje temos um novo PDDU, uma nova LOAS, um novo código de obras. Todos sabem que a relação com a prefeitura é a mais transparente possível. Além disso, com investimentos públicos, temos uma série de programas e projetos para iniciar e outros em fase de contratação. Esse conjunto de medidas vai fazer com que a gente possa sair na frente do Brasil, reativando nossa economia e com crescimento econômico, gerando emprego e renda e combatendo a desigualdade social. 

 

Você acompanha a prefeitura de Salvador mais de perto nos últimos quatro anos como vice-prefeito, mas antes acompanhava por ser aliado do prefeito ACM Neto. Quais são os principais gargalos da cidade e como resolvê-los?

Salvador tem déficit histórico de 470 anos que foram acumulados e que em oito anos não conseguimos resolver. Déficit em todas as áreas. Tem muitas coisas que me incomodam. Quem vai nos bairros diariamente, como eu vou. Vai nos becos, nas baixadas, nas vielas. É comum ver córregos, canais, correndo a céu aberto. A gente sabe que é responsabilidade da Embasa, mas não estamos aqui para transferir a responsabilidade. Temos que resolver o problema das pessoas. Temos um déficit habitacional grande na nossa cidade. Investimos em muitos empreendimentos. Foram mais de quinze unidades habitacionais construídas ao longo dos anos. Mas precisamos avançar mais. Sabemos que os bairros carecem de estrutura, em todas as áreas. E por isso, investimos muito para melhorar a vida dos bairros. Sabemos da desigualdade racial. Salvador ainda é uma cidade muito pobre. Com a gente pega o PIB por pessoa, Salvador é uma das cidades com o menor índice do Brasil. Isso significa que temos muitos desafios pela frente. Um deles é gerar desenvolvimento econômico, identificando novos vetores de crescimento. Por exemplo, tentar transformar Valéria em um polo de logística. Vai surgir uma nova centralidade em Salvador, que é a centralidade de Águas Claras, a partir da chegada do metrô naquela região. A partir da saúde, podemos estimular o turismo de bem estar e saúde e, com isso, atrair mais pessoas para a nossa cidade. Tem a inovação. O futuro já chegou. A pandemia antecipou o trabalho virtual. O trabalho remoto, o home office. Temos que transformar Salvador em uma cidade inteligente. A partir da inovação, com estímulos a startups, a empresas e indústrias virtuais, de processamento de dados. Criar um ecossistema em nossa cidade. Para que, com isso, a gente possa gerar empregos. Temos muitos problemas e sabemos disso. O muito que foi feito, ainda é pouco perto das necessidades da cidade, mas vamos seguir fazendo a cidade avançar. Investimos em toda a cidade, as áreas mais pobres. Foram quase 80% dos investimentos da prefeitura para melhorar, para transformar de verdade a vida das pessoas. 

 

O que você faria diferente da atual administração de Salvador?

Primeiro vou manter tudo que está dando certo. Depois vamos seguir melhorando, inovando. A cidade conseguiu avançar muito na área de inovação. Mas acho que a gente pode avançar muito mais. Hoje temos uma base de dados de todos os programas e projetos que a prefeitura desenvolveu. A partir dele podemos definir políticas públicas mais específicas. Trago no nosso plano de governo o programa Vida Nova, onde vamos emancipar os vulneráveis. Esse programa, inclusive, foi fruto da minha tese de mestrado. Que é permitir a progressão social da família, a autonomia da família. Seja, na melhoria habitacional ou na questão sanitária. Analisando a nossa base de dados, podemos atuar para cada família. 

 

Salvador tem a maior proporção de mulheres eleitoras do Brasil. E temos ao menos duas candidaturas femininas, com Major Denice (PT) e Olívia Santana (PCdoB). Como você pretende evitar o argumento da necessidade uma candidatura feminina de alguma forma não atrapalhe seu processo eleitoral?

Vou ser o prefeito de todos. Vamos seguir investindo nas políticas de empoderamento e autonomia de mulher. Principalmente dando condições para que ela possa disputar as posições em pé de igualdade com mesma remuneração e tendo os mesmos espaços de decisão e de poder. E, para isso, temos um conjunto de ações que estão sendo produzidas e vamos ampliar. Nós temos o Salvador Delas. Nesse programa maior temos uma série de ações, seja a qualificação da mão de obra feminina. Eu, como secretário de obras, criei o Marias nas Construções onde qualificamos mulheres para trabalhar na construção civil. Existem outros programas nessa área que vamos implementar. Na área de empreendedorismo, com criação de plataformas para que sejam comercializado os produtos, na busca e no apoio para que essa mulher possa efetivamente criar o seu negócio, tendo orientação, apoio técnico e tendo acesso ao microcrédito. Vamos implantar a casa da mulher brasileira e soteropolitana. Viabilizando esse recurso junto ao governo federal. Para dar todo o suporte às mulheres, principalmente contra a violência doméstica. No SIMM, implantamos o SIMM mulher, onde passa a ter uma prioridade para essa mediação da mão de obra. Além do conjunto de ações na área da saúde, assistência social. 

 

Nas eleições de 2020 a gente percebe que existe uma discussão um pouco mais profunda na questão das minorias, do que em outras eleições passadas. Até por conta do posicionamento do governo federal em relação a defesa de minorias, em relação a comunidade negra, a comunidade LGBT. Você tem propostas específicas para esses segmentos sociais? 

Não só as ações que nós já realizamos nesses oito anos. Como o Estatuto da Igualdade Racial. Ele estava há oito anos parado na Câmara. Tenho muito orgulho de ter, junto com o presidente Geraldo Jr., participado dessa articulação. Vamos colocar em prática o estatuto. Vamos aprimorar ainda mais o combate ao racismo estrutural, avançando em diversas políticas de reparação, buscando a equidade racial. Elaboramos o plano de turismo etno afro. Vão surgir milhares de oportunidades de emprego e renda. Temos na negritude um grande diferencial nosso para fortalecer o turismo da nossa cidade. Vamos seguir avançando nas políticas. No Morar Melhor, as comunidades quilombolas foram prioridade. Nós reconhecemos os terreiros de Candomblé como templos evangélicos, dando sensação fiscal e anistia dos seus débitos. Nós ampliamos a política de reconhecimento. Nós vamos seguir nesse enfrentamento da questão do preconceito. e não vamos admitir qualquer tipo de discriminação na nossa cidade.

 

O DEM não tem um alinhamento automático com o governo federal, mas, de alguma forma, participa do governo, com a ministra da agricultura, o ministro Onyx Lorenzoni... Existe um certo flerte com a base aliada do presidente Jair Bolsonaro. Como manter um distanciamento ao mesmo tempo em que integra a base aliada já que o Democratas não é parte da base de apoio do presidente?

Desde o primeiro momento dissemos que iríamos manter a nossa posição de independência. Votando o que fosse bom para o país sair dessa crise econômica e dessa crise social. Temos autonomia, independência para se posicionar diante de pautas que nós não concordamos. Daí por exemplo a questão do meio ambiente. A partir do momento que o governo decidiu não realizar o encontro da ONU na semana do clima, trouxemos ele aqui para Salvador. Temos posições próprias. Na condição de prefeito, eu vou procurar todos os governos. Nós temos um cardápio de projetos. Projetos que vão melhorar a vida das pessoas. Vou procurar os governos para apresentar esses projetos. Quer queira, ou não, goste ou não goste, pelo menos até 2022. Serão esses os governadores que estão aí. Agora, uma certeza o soteropolitano pode ter, Salvador não é subserviente a ninguém. Salvador conquistou nos últimos oito anos a sua independência e sua autonomia. Salvador anda com a próprias pernas. É capaz de resolver seus próprios problemas. Vamos seguir avançando, resolvendo nosso problema. Vamos sim buscar as parcerias para grandes projetos, grandes obras. Buscar organismos multilaterais como nós fizemos e buscar operações de crédito, como também a iniciativa privada, que é a parceira da cidade em diversas ações. E com isso estamos melhorando a vida das pessoas. A nossa prioridade é mudar e transformar a vida de quem mais precisa. 

 

Quais são suas propostas para a geração de empregos permanentes. Sobretudo para a juventude, fora das sazonalidades da cadeia turística? 

O primeiro grande desafio é vencer a sazonalidade. Com a estratégia de estimular o turismo de negócio, com o novo Centro de Convenções, com o estímulo do turismo esportivo, com diversas atividades esportivas, com o estímulo ao turismo religioso. Somos a capital da fé, a cidade do sincretismo. Temos a primeira santa brasileira. Em esforço conjunto entre poder público e iniciativa privada, a nossa economia será reativada. Vamos implantar o Centro Cultural Casa da Música para estimular a produção de música em Salvador. Nossa cidade é um caldeirão cultural. Precisamos voltar a produzir boas músicas, vamos ter esse estímulo. Vamos oferecer cada vez mais conteúdo para o turismo para que as pessoas se sintam estimuladas a ficarem aqui, entregando o novo arquivo da cidade, a Casa da História Soteropolitana. Mantendo a economia ativa, vai surgindo as oportunidades e a gente vai gerando emprego para essa juventude que está chegando. 

 

Está no poder e controlar a máquina de alguma forma favorece ou atrapalha em uma campanha?

O fato de estar nos últimos anos à frente da gestão fez com que eu adquirisse experiência, vivência, conhecimento. Hoje eu conheço cada problema da cidade. Sei o status de cada problema. Sei quais são os caminhos para resolver esses problemas e sei que encaminhamentos precisamos dar. Me qualifiquei. Tenho vinte anos me preparando para ser prefeito dessa cidade. Me formei em direito, me graduei em finanças na FGV, fiz um mestrado na área social na Ufba. Quando a gente soma a minha história da vida, eu perdi meus pais muito cedo. Minha vida sempre foi de muita luta. E não vou dizer que passei fome, porque não passei. Mas passei muitas dificuldades para chegar até aqui. Muitos foram os obstáculos, mas isso me fez o homem que sou hoje. E é isso que eu quero colocar a disposição da cidade. Tenho muita vontade de ajudar a mudar a vida das pessoas, levar um benefício. É isso que eu quero seguir. Com muita garra, muita determinação. Avançar muito mais. Foi muito difícil chegar aqui, nós ultrapassamos muitas tempestades. As conquistas estão asseguradas. Vamos sonhar com Salvador, vamos sonhar sonhos mais ambiciosos.

 

O fato de ser o candidato da situação contra oito candidatos que se dizem contra a atual administração. É uma dificuldade extra, já que são oito candidatos para te criticar e só você para defender o legado do atual prefeito? 

Tenho que ser sincero. E todos sabem que a marca da minha vida pública é a humildade, a simplicidade e o pé no chão. Tenho que me preocupar com o nosso trabalho. As pessoas sabem. Quem vai me defender desses candidatos são as pessoas que viram sua realidade mudar nos últimos anos. A Salvador de hoje é muito melhor que a de oito anos atrás. Quem não lembra. Qual era o debate de oito anos atrás? Era rua que não tinha iluminação e hoje a gente está colocando iluminação em LED. Era que estava esburacada. Era coleta de lixo que não funcionava. Hoje Salvador se destaca pela zeladoria. Todo mundo fala que a cidade está bem organizada, a cidade está bem cuidada. Quem vai me defender contra esses candidatos todos é a população que sabe o que fizemos e que confia que podemos fazer ainda mais.

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