Segunda, 20 de Abril de 2020 - 11:10

Pablo Barrozo

por Jamile Amine

Pablo Barrozo
Foto: Divulgação

Recém nomeado como secretário municipal de Cultura e Turismo de Salvador, Pablo Barrozo tem uma batalha pesada pela frente: lidar com a forte crise que tem abatido os dois setores, diante do isolamento social implementado para conter o coronavírus, e preparar o terreno para o pós-pandemia.

 

Ele, que é graduado em Direito, pós-graduado em Planejamento Urbano e Gestão de Cidades, já foi deputado estadual pelo Democratas, além de assessor do prefeito ACM Neto e subsecretário da Secult, acredita que estas competências poderão ajudar a encarar o desafio. “O fato de eu estar na secretaria nesse último ano e dois meses me ajudou também muito, porque tive condição de conhecer todas as ações da secretaria e, inclusive, ajudar na estruturação de novas ações, porque nós não paramos por aqui”, disse Barrozo, destacando iniciativas como as obras de requalificação na orla da cidade, na Praça Castro Alves e Avenida Sete de Setembro, além de projetos como o Quali Salvador e o Capacita Salvador, voltados para qualificação e certificação nos setores de cultura e turismo.

 

Em entrevista ao Bahia Notícias, Barrozo lembrou ainda que as áreas às quais sua pasta é encarregada foram as primeiras afetadas na pandemia e que certamente serão as últimas a sair da crise, pois dependem da circulação e aglomeração de pessoas para existir. “Os serviços essenciais vão voltar, mas as pessoas precisam se sentir seguras com relação à passagem do vírus, pra voltar a mobilidade, eventos, turismo, pra viajar, se divertir, para negócios”, avaliou o secretário, que, no entanto, disse estar otimista para a retomada, projetada para junho ou julho deste ano, caso a população siga corretamente as recomendações sanitárias para combater a Covid-19.

 

Nesta linha de pensamento, com as medidas tomadas pela prefeitura e pelo governo do estado, Pablo Barrozo descarta a possibilidade da pandemia afetar a realização do carnaval de 2021, destacando, no entanto, que ainda não é hora de planejar a festa momesca. “Nossa prioridade agora é pensar na prefeitura estar do lado das pessoas para passar esse momento de dificuldade e quando voltar à normalidade retomar o quanto antes a economia, dos prejuízos que esse momento vai causar”, afirmou. “A gente não pode renegar e fazer vista grossa para as necessidades que vão surgir. Então, se houver necessidade e os órgãos técnicos de saúde designarem alguma ação preventiva ou outra eu tenho certeza que a prefeitura vai abraçar, no intuito de preservar as pessoas e de manter a vida normal funcionando, adequada à realidade do momento”, disse ele, em relação a possíveis adequações sanitárias para a realização de eventos pós pandemia. 

 

O secretário comentou ainda sobre a perda de dois ícones da cultura baiana, Riachão e Moraes Moreira. “Nós não pudemos nos despedir deles dois da forma que eles mereciam, então, eu acho mais do que justo que eles sejam lembrados. Isso, no momento certo, tenho certeza que virá à tona”, disse Barrozo. 

 

Primeiro, estamos vivendo um momento inédito, não só na cidade de Salvador, mas na Bahia, no Brasil e no mundo. Você não teve receio de assumir um cargo público durante essa pandemia, diante do cenário de incerteza que ela representa?
Receio não tenho. A verdade é que a dificuldade realmente para o setor tem sido grande e entendo que além da de agora, a dificuldade é você não ter perspectiva a curto prazo. Porque os veículos ligados ao turismo, as empresas foram as que primeiro tiveram que fechar e foram prejudicadas, porque as pessoas cancelaram reservas de hotel, de agências de viagem, de eventos, e talvez seja uma das últimas a voltar. Os serviços essenciais vão voltar, mas as pessoas precisam se sentir seguras com relação à passagem do vírus, pra voltar a mobilidade, eventos, turismo, pra viajar, se divertir, para negócios. 

Então, têm algumas ações que o setor vai sentir bastante, mas o receio meu não existe, porque a prefeitura nesses sete anos tem conseguido, nesse setor da cultura e do turismo, fortalecer o município. Nós temos uma estrutura de trabalho nesses setores bem forte, uma relação muito próxima do trade turístico, de todos esses setores da economia ligados à Secretaria de Cultura e Turismo, então, nós temos que estar em diálogo constante, porque existe o crédito dos trabalhos desses anos, mas a gente precisa estar em diálogo constante pra construir soluções para sairmos da crise econômica que deve estar por vir. E a gente precisa fazer isso para minorar, para mitigar mais rápido possível os prejuízos. 

Eu acredito que esse momento de dificuldade, a gente como soteropolitano, como baiano, a gente sempre se supera com bastante força, luta, trabalho, fé, mas com união. Acho que a palavra certa do momento é união e superação. 

 

Você é formado em direito e, enquanto deputado, atuou em comissões em áreas diferentes das que vai comandar agora e em março de 2019 assumiu o cargo de subsecretário da Secult. Essa experiência na pasta, somada aos conhecimentos de outros campos podem auxiliar nesse novo desafio? O fato de ter sido assessor de ACM Neto pode ser um diferencial e ajudar a desempenhar o trabalho na secretaria? 

A gente é a soma de todas as experiências que a gente vive. Tenho 20 anos que tenho estado na vida pública, ao lado do prefeito, conhecendo a realidade dos municípios baianos, principalmente de Salvador, que é a cidade que eu escolhi para viver. A questão da advocacia ajuda, com certeza, porque me dá um conhecimento amplo. A questão do ato político, sempre na Assembleia defendendo as bandeiras da cultura e do turismo do nosso estado, inclusive eu me aproximei do trade turístico lá. 

Quando fui deputado estadual nós estávamos num momento de crise, de desempregados, por causa da economia. Foi logo aquele momento que a Dilma [Rousseff] tinha acabado de ser eleita, teve impeachment, e a gente precisava passar a gerar empregos. E eu acreditava muito no setor turístico, acredito porque acho que é a tendência natural da cidade de Salvador. Em torno de 20% da nossa economia se baseava nisso, e se você for olhar a cultura pode ver que esse número cresce mais ainda. Então, a nossa cidade naturalmente é voltada pra isso, tem grande perspectiva de crescimento com relação a isso, isso já é um vetor de crescimento natural. Então, por que num momento de dificuldade a gente não incentiva e não ajuda e abraça com incentivos a esse setor? Na Assembleia eu já tive essa experiência que eu trago pra cá hoje. Eu me pós-graduei em Planejamento Urbano e Gestão de Cidades, justamente para me qualificar para essas oportunidades, essas missões. 

O fato de eu ter trabalhado com o prefeito ACM Neto me deu possibilidade de trabalhar com pessoas de diversos setores, e isso ajudou no meu crescimento e na minha compreensão do setor público. E o fato de eu estar na secretaria nesse último ano e dois meses me ajudou também muito, porque tive condição de conhecer todas as ações da secretaria e, inclusive, ajudar na estruturação de novas ações, porque nós não paramos por aqui.

Eu imagino que essa junção das experiências ajude nesse momento de crise para a gente poder superar e ajudar o setor.

 

O orçamento da Cultura geralmente é modesto, como você avalia que o setor, que já amarga prejuízos enormes com a paralisação das atividades, será afetado depois da pandemia?
Eu entendo que vão haver prejuízos, há prejuízos e vão haver cicatrizes desses prejuízos. Mas, como havia falado antes, por ser um vetor natural de crescimento e de potencialidade para gerar emprego e renda, eu tenho certeza que vai haver por parte da prefeitura, e eu vou defender aqui isso enquanto secretário de Cultura e Turismo, uma atenção maior. 

O que é que eu entendo? Há uma mudança de paradigma com a Covid-19 que vai mudar a vida de todo mundo, alguns mais e outros menos, a depender dos setores de atuação. Mas entendo que a ação da prefeitura como um todo vai ter que cuidar mais ainda das pessoas. Eu acho que as pessoas vão passar a ser mais ainda prioridade. É óbvio que você tem que ter um equilíbrio entre as pessoas e a economia, as pessoas vão empobrecer, vão ter dificuldades, o desemprego está aumentando e é bem provável que aumente, e a gente vai ter que lidar com isso.

A cultura e o turismo, como formas naturais de crescimento e de emprego e renda para nossa cidade, eu tenho certeza que não vai faltar atenção pra elas. É óbvio que a cidade sempre que precisou - em alguns momentos mais da sua história e outros menos - de obras de infraestrutura. Nós temos orgulho do setor, de por exemplo de requalificarmos as orlas da cidade, de criar a Casa do Carnaval, construir o Centro de Convenções, ter feito exposições como as de Pierre Verger e Carybé nos fortes de São Diogo e Santa Maria. Por essas diversas ações a gente fortaleceu aqui, num entendimento na área de edital e incentivos de programas com todo o setor. Nós fizemos essas ações e daqui pra frente eu vejo que a tendência é a prefeitura se adequar ao momento.

Tenho visto o prefeito muito preocupado com as áreas de assistência social e saúde, mas quando passar o Covid, eu tenho certeza que ele vai olhar a cidade como um todo, para conseguir, dentro do orçamento, priorizar o que vai atingir diretamente na vida das pessoas. Nós já tínhamos esse problema no país, é uma realidade, mas o principal lema vai ser emprego, porque realmente as pessoas vão precisar e vão ter pessoas, aquelas que estão na extrema linha de pobreza, que vão precisar mais ainda da prefeitura. 

Mas na cultura e no turismo especificamente, eu entendo que se a gente era parceiro e ajudava o setor com ações que visavam fortalecer, a gente tem a obrigação de aumentar esse apoio. No momento de dificuldade a gente tem a obrigação de aumentar esse apoio. 

Como secretário de Turismo e Cultura eu vou defender que não diminua o apoio, e até que aumente, porque é uma área que é um vetor de crescimento, de emprego e renda. E é isso que a gente vai precisar, emprego e renda. E nós estamos elaborando projetos na secretaria já pensando no pós-Covid. Porque agora você não vai conseguir abrir hotel, agora você não vai conseguir promover ações de cultura para as pessoas, até porque nosso entendimento é que elas não podem estar em grande número num local, então o pensamento nosso é em sobreviver nesses próximos meses, para a gente conseguir fomentar a população que vive em torno da cultura e turismo, para que eles saiam o quanto antes do prejuízo e sair da crise a passos largos. 

 

No início você pontuou que os setores de cultura e turismo foram os primeiros a ser impactados pelo isolamento e provavelmente serão os últimos a retomar as atividades. Você consegue mensurar de alguma forma a perda para essas áreas e projetar quando começaria a retomada dessa cadeia produtiva?
Não. Mensurar, programar isso, acho que não há condição de se fazer, porque vai depender muito de como o vírus e a população se comportam. Não dá para projetar quando a volta será, mas o que a gente tem visto, que os especialistas do Ministério da Saúde e da própria Secretaria Municipal [têm projetado], é em julho, aos poucos. Mas para o setor aqui, a gente não tem condição de averiguar isso agora. 

Os prejuízos existem, até porque a maioria dos hotéis estão fechados, as agências de viagem também, os guias de turismo, por exemplo, não têm o trabalho agora… Nós até, para aqueles que necessitam mais, conseguimos incluir 200 deles no Salvador Por Todos, o programa de ajuda da prefeitura, com cestas básicas. Acho que até os pintores tribais que atuam no Pelourinho, as baianas de acarajé que atuam no Pelourinho e estão formalizadas. 

Agora, não há condição de prever sem estar mais próximo do momento. O que posso dizer da secretaria é que nós estamos trabalhando na gestação de projetos e formas criativas que façam a gente caminhar a passos largos assim que a crise acabar. É nisso que a gente está focado agora. Óbvio que se tiver alguma ação para o momento, por exemplo, a Fundação Gregório de Mattos está vendo a forma de atender os músicos e artistas que necessitam ajuda agora, porque ganham o sustento da semana. Mas para o futuro a gente pretende realmente caminhar de uma forma mais acelerada para reaver o prejuízo. 

Nós não pretendemos inventar a roda, mas de uma forma criativa queremos superar a crise e estamos conversando diariamente com os setores até para ouvir sugestões. Já tem ações que e já estavam sendo gestadas e já estão em andamento na secretaria, como a Quali Salvador e o Capacita Salvador.

 

Em que consistem esses projetos, quando serão implementados?

A gente provavelmente deve estar pertinho disso. O Capacita é para início de setembro. Um processo de capacitação para a gente qualificar as pessoas tanto no mercado formal, quanto do informal. Oferecer cartilhas, manuais, vídeos. É voltado para quem trabalha em hospedagem, bares, restaurantes, agências de viagem, meios de transporte, isso vai incluir até o treinamento das pessoas com relação a hospitalidade, manipulação de alimentos. Isso já é um pedido antigo do setor à prefeitura, e a gente criou esse programa pensando nisso. 

O Quali Salvador, previsto para agosto, também funciona nesse sentido, é um certificado aos empreendimentos que atenderem a determinados critérios. Tem ênfase em implantação de modelos de gestão consagrados, até nacionalmente e internacionalmente, fazendo com que aqueles empreendimentos que forem contemplados possam melhorar resultados técnicos, operacionais, financeiros. E esses segmentos vão ser beneficiados com ações de comunicação e marketing, para divulgar e diferenciar esses empreendimentos. Esses programas são todos abraçados pelo Prodetur Salvador. 

Os dois programas seguem o cronograma e não serão atrasados. Só irá ter atraso se, por exemplo, o isolamento social, o lockdown, o fechamento total, for previsto para esses meses. Acho que em agosto e setembro nós poderemos ter convívio, então esses projetos vão estar prontinhos para ser implementados. 

A gente também está com o PEA, o Plano do Turismo Étnico-Afro. Esse é um projeto bem legal daqui, o plano foi entregue no final de novembro do ano passado. Nós dividimos ele em quatro eixos e já estamos caminhando com o primeiro e o segundo, para o aumento de emprego e renda para esse segmento da população, em especial as mulheres afrodescendentes. É um programa que realmente traz à luz uma diferença histórica que a gente, enquanto soteropolitano, enquanto gestor da cidade de Salvador, da prefeitura, precisava corrigir isso e essa é uma ação que vai ajudar nisso. Nós temos muitos afrodescendentes que vêm a Salvador para visitar por causa disso, por causa da nossa raíz, de toda formação da nossa cidade. 

Tem obras importantes da cidade que também não estão paradas, como por exemplo, a Casa da História, que vai abrigar todo o museu do Arquivo Público da cidade, do lado do Mercado Modelo. E onde vai ser a Casa da Música, que é hoje a casa dos azulejos, está em obra, em andamento. Tem a licitação que já tinha sido conclusa da obra de Stella Maris, Praia do Flamengo e Ipitanga. Essa obra provavelmente vai estar acontecendo agora nesse momento de crise. Tem a Avenida Sete e a Praça Castro Alves que devem ser entregues no dia 31 de maio. 

 

Como estão sendo tocadas essas obras agora, estão menos aceleradas?
Não. As empresas estão com cuidados, foi exigido por aquele decreto do prefeito que os trabalhadores tivessem máscaras, então não houve atrasos por conta do Covid nessas obras. 

 

Falando especificamente agora do novo Centro de Convenções, o equipamento tinha acabado de ser inaugurado, quando o isolamento social precisou ser imposto para conter o coronavírus. A prefeitura projetava a retomada do turismo de negócios e uma agenda de eventos, mas com a pandemia, qual quadro que se desenha agora? Os eventos agendados foram adiados ou houve cancelamentos? 

O impacto existe porque a maior parte do ano no Centro já estava com a agenda bem cheia. Então, de fato, existe. Agora, eu acredito na retomada do Centro de Convenções. Assim como ele tinha um potencial muito grande antes, depois ele continua com o mesmo potencial. Então, é uma concessão à empresa GL, empresa francesa que opera centros de convenções em todo o mundo, inclusive o de São Paulo. É uma empresa preparada, tem sido parceira da prefeitura e eu tenho certeza que logo após passar a crise vai voltar com todo gás, com toda força. Agora, o prejuízo para o momento com certeza existe para a prefeitura, para a cidade.

 

Mas no caso do Novo Centro de Convenções os eventos foram adiados ou teve cancelamento?
Não teve cancelamento de evento algum, houve adiamento. Por exemplo, a Bienal do Livro, que estava prevista para acontecer perto do meio do ano, em agosto, acho que pode acontecer em novembro. A gente tem que se preparar, não é algo pequeno. Mas eu tenho certeza que vai voltar com toda força. Quem tem administrado a agenda é a própria empresa. Quando passa aqui na Secretaria de Cultura e Turismo a gente encaminha. 

 

Diante do aumento dos gastos do município para atuar no combate à Covid-19 e também observando o ponto de vista epidemiológico, o carnaval do próximo ano pode ser afetado? 
Não. Eu tenho fé que nós possamos superar esse momento no máximo nesses próximos três meses, e que em junho, julho, a gente volte a poder fazer as ações com relação à cultura e turismo. Eu não acredito que isso se estenda tanto.

 

Existem alguns estudos que falam em abrir o isolamento de forma gradativa, mas tomando algumas medidas, como a necessidade das máscaras. Isso não afetaria a dinâmica do carnaval? Extrapolando essa perspectiva, pode ser que as pessoas tenham que usar máscaras de proteção no carnaval? Vocês estão estudando essa mudança de paradigmas a partir da pandemia?
Com relação ao carnaval não. Nós estamos otimistas de que com as medidas preventivas e com as definições que foram tomadas no momento certo pelo prefeito, que a gente consiga superar. Você viu a relação dos estados, das capitais mais afetadas, e Salvador não está entre elas. Eu tenho certeza de que muito pelas ações da prefeitura com a ajuda do governo do estado. Houve uma união entre o prefeito e o governador, e eu tenho fé e acredito que essas medidas vão funcionar. Além da fé, acredito que pelas normas técnicas, pelo que está sendo colocado pela OMS, pelo que está sendo entendido pela prefeitura, eu tenho certeza que nós vamos superar isso aí antes. Não acho que isso vá afetar futuras ações, não vá afetar o nosso verão. Agora, volto a dizer, isso vai depender muito da atitude e do comportamento da nossa população. Mas pensar no carnaval agora não é nossa prioridade. Nossa prioridade agora é pensar na prefeitura estar do lado das pessoas para passar esse momento de dificuldade e quando voltar à normalidade retomar o quanto antes a economia, dos prejuízos que esse momento vai causar. 

 

Diante desse novo momento, a prefeitura pensa em formas de controle depois que começarmos a retomar a normalidade, tanto para eventos que reúnam aglomerações, quanto na chegada de turistas na cidade? Vocês já estão pensando nas orientações para essa retomada?
Olha, com certeza. A gente não pode renegar e fazer vista grossa para as necessidades que vão surgir. Então, se houver necessidade e os órgãos técnicos de saúde designarem alguma ação preventiva ou outra eu tenho certeza que a prefeitura vai abraçar, no intuito de preservar as pessoas e de manter a vida normal funcionando, adequada à realidade do momento. 

 

A prefeitura de Salvador têm consolidado uma agenda robusta de eventos calendarizados, como vão ficar, diante das incertezas causadas pela pandemia?
Eu quero acabar com uma mensagem otimista.Porque eu creio que a população de Salvador, com as graças do Senhor do Bonfim, mas com o juízo que a gente precisa ter e a consciência do momento, terá um comportamento bom aqui e que nós iremos superar essa crise o mais rápido possível, sem afetar os eventos. Esses eventos que são importantes para a cidade, tanto do ponto de vista do lazer, da interação social, da oportunidade de você cantar, sorrir, até chorar e se emocionar com os eventos que são a cara de nossa cidade, as manifestações culturais e artísticas, o orgulho que a gente tem de ver essa cidade cheia, sendo visitada por turistas do mundo todo e a gente mostrar no nosso jeito de ser e a nossa cultura e também do ponto de vista econômico. E aí o meu otimismo de que a gente vai superar, porque Salvador é uma das cidades mais lindas do mundo e do nosso país, então Salvador precisa voltar a sorrir o quanto antes.

 

De repente, diante dessa crise, o turismo nacional pode fortalecer após a pandemia?
Possa ser que sim, e aí eu garanto que Salvador vai estar preparada para receber o turismo nacional, muito bem preparada, qualificada. Os hotéis, bares, restaurantes, agências de viagem, guias turísticos, os artistas daqui vão saber mostrar e estaremos bem mais fortes do ponto de vista emocional, porque nessas dificuldades é que a gente aumenta nossa união, enquanto soteropolitanos. Com nossa fé, a gente vai estar muito mais forte e consciente do que a gente deve fazer, de como a gente deve agir. Porque, afinal de contas, tanto a Secretaria de Cultura e Turismo, como a economia, como as pessoas, têm o mesmo intuito: trabalhar, criar sustentabilidade pra viver, pra ser feliz, para poder se alimentar e para sorrir. Essa é nossa cara, então, eu acho que nós estaremos muito preparados para essa retomada, porque nós temos todo um setor de turismo e cultura maduros, nós somos referência no Brasil e no mundo, e  com certeza, eu posso te dizer que a secretaria e prefeitura vai dar todo o amparo para esse setor tão maduro saber aproveitar isso.

 

Durante essa pandemia nós perdemos dois ícones da cultura baiana, Riachão e Moraes Moreira. A prefeitura pensa em alguma homenagem para eles quando as atividades forem retomadas?
Nós não pudemos nos despedir deles dois da forma que eles mereciam, então, eu acho mais do que justo que eles sejam lembrados. Isso no momento certo, tenho certeza que virá à tona. Agora é o momento de reverenciá-los de uma forma mais simples porque as pessoas realmente não estão podendo se aglomerar. Então, no momento certo eu tenho certeza que a gente vai fazer justiça a essas duas pessoas que são ícones da cultura e da música não só de Salvador, mas de nosso estado. Eles fazem parte das nossas estrelas. 

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