Segunda, 13 de Abril de 2020 - 11:10

Félix Mendonça Jr.

por Mari Leal

Félix Mendonça Jr.
Foto: Priscila Melo / Bahia Notícias

Presidente do PDT na Bahia, o deputado federal Félix Mendonça Jr. garantiu, em entrevista ao Bahia Notícias que não há possibilidade de o pré-candidato da sigla, Leo Prates, recuar da disputa em Salvador, mesmo com a continuidade dos prazos eleitorais e o papel essencial que tem realizado em virtude da pandemia do coronavírus. Destacou, no entanto, que este não é o momento de priorizar a política, já que todos os esforços estão voltado ao combate à Covid-19.

 

Sobre Prates, ainda acrescenta: “Nesse momento atual, eu prefiro que ele tenha um excelente desempenho como secretário de Saúde, assim como Fábio Vilas-Boas está tendo um bom desempenho como secretário estadual, eu quero que ele tenha também. Nesse momento a política fica em segundo plano.”

 

Sobre o fato de a sigla ser parte da base do governador Rui Costa (PT) e o nome do partido para Salvador estar historicamente no campo das forças do prefeito ACM Neto (DEM), Mendonça sugere: “No melhor dos mundos nós teríamos o apoio dos dois”.

 

O parlamentar, que defende o adiamento das eleições e a convergência dos valores empenhados em todo o processo eleitoral nas ações de combate à Covid-19, destacou ainda que o presidente da República, Jair Bolsonaro, impõe ao Brasil um governo de “achômetro” e perde a oportunidade de se mostrar como um líder, diante do posto que ocupa.

 

Ainda no cenário nacional, Félix Mendonça Junior endossa a postura do ex-presidenciável do partido, Ciro Gomes, dedicando a ele a característica de “pavio curto”, mas preparado para assumir a presidência, pois tem propostas de mexer na “sangria” e “rendição do Brasil ao sistema financeiro”.  

 

Em tempos de coronavírus, como avalia a ação do governo federal e as divergências entre a gestão federal e as propostas da Câmara dos Deputados? 

O presidente Bolsonaro está  pecando e perdendo uma grande oportunidade de conduzir a nação. Está fazendo a nação ficar sem saber os caminho que deve tomar. O Mandetta está se saindo bem. Mas se ele reúne lá um grupo de notáveis e diz que nós vamos ter aqui um período de total isolamento por 15 dias e nesses dias nós vamos tratar um plano de ação para a saúde, para a economia do Brasil. Um grupo de notáveis formado por pessoas da área de medicina, economia... mas não. O governo tem três linguagens. O que propicia dentro do governo federal o ministro falar uma coisa, o presidente falar outra coisa, que normalmente é uma bobagem nessa área de saúde, e cada um dá sua opinião. Está um governo de ‘achômetro’. Não tem uma opinião formal do governo nem uma posição formal a ser seguida. Um governo sem rumo. Uma pandemia dessa não é brincadeira. Milhares de pessoas podem morrer. A economia já está sofrendo os efeitos. E fica um "achômetro". Um fala um coisa. Outro fala outra, contrariando a posição do seu ministro da Saúde. O ministro da Economia não fala nada, só quer beneficiar aos bancos. As primeiras medidas sempre beneficiam aos bancos e a população fica perdida. A relação com a Câmara também não é boa. Deveríamos estar unidos agora. O governo mandar as medidas necessárias, a Câmara aprovar, porque tem toda boa vontade para aprovar todas as medidas para a boa saúde da sociedade brasileira. Eles sempre querem colocar a culpa em alguém, querem colocar a culpa na Câmara de tudo que está errado. Sempre cria confusões premeditadas ou confusões de um bobo na corte para chamar a atenção. O governo deveria estar conduzindo. E nós deveríamos estar discutindo outras coisas, como o adiamento das eleições.

 

Acha realmente que o adiamento das eleições é uma decisão para ser tomada agora?  

No meu entender, elas têm que ser adiadas. Não há como fazer a eleição na data prevista na situação atual. Agora se vai ser adiada por dois meses, por seis meses, por dois anos, isso é um outro problema. Mas acredito que tem que ser adiada. Além disso sou a favor do uso do fundo eleitoral nas ações de combate ao coronavírus. Não só o fundo eleitoral como toda aquela composição das eleições. A própria logística das urnas, pagamento dos mesários e todas as pessoas que vão fazer parte das eleições. A própria propaganda eleitoral gratuita, que só é gratuita para o candidato. Para nação ela custa. Todas as televisões e rádios recebem pela propaganda eleitoral. Tudo isso aí poderia ser usado para o coronavírus e a eleição poderia ser retardada.

 

Em relação a Salvador, o PDT oficializou a filiação de Leo Prates e ele neste momento tem um papel de destaque e é essencial ao combate ao coronavírus na capital. Politicamente, esse cenário é ideal para fortalecê-lo como pré-candidato ou coloca em xeque o desejo de disputar cabeça de chapa? 

Nesse momento atual, eu prefiro que ele tenha um excelente desempenho como secretário de Saúde, assim como Fábio Vilas-Boas está tendo um bom desempenho como secretário estadual, eu quero que ele tenha também. Nesse momento a política fica em segundo plano. Agora, é claro que se ele tiver um bom desempenho a população vai ver que ele está apto a concorrer a prefeito, mas, sinceramente, tudo isso fica em segundo plano. A gente não pode pensar em política, não pode pensar em eleição com uma pandemia desse nível, com as pessoas morrendo. Não posso dizer que as negociações estão paradas, mas a gente se reúne virtualmente, conversa por telefone, e realmente a prioridade que a gente está dando não é a eleição. Isso não é somente aqui na capital. Em todos os municípios do interior também. A prioridade é com a população, é com o Brasil, com essa pandemia que estamos vivendo. Claro que queremos que as pessoas de boa índole se filiem para que tenhamos uma política cada vez melhor, um ciclo vicioso positivo.

 

Como está a relação entre o PDT estadual e PDT municipal diante do cenário das eleições municipais e a relação de proximidade entre o pré-candidato, Leo Prates, e, por outro lado, a presença da legenda na base de Rui Costa? 

A relação é única. Nós temos um partido que está na base do governador Rui Costa e temos um pré-candidato a prefeito que é Leo Prates. Esse candidato é do PDT. É um candidato de Rui? Não. É um candidato de Neto? Não. Ele é amigo de Neto. É secretário de Neto, mas é um candidato do PDT. Ele não vai estar dos dois lados. Ele vai estar do lado dele. Se ele é candidato a prefeito, é o nosso lado.

 

As novas regras eleitorais vão dar ao PDT um papel importante nas eleições deste ano em função do tempo de TV, quando o partido pode ser diferencial para qualquer um dos lados. Esta questão já foi discutida internamente? 

Não, com nenhum dos lados. Nesse momento nós temos um pré-candidato a prefeito. Fechar o prazo de filiação e ele vai continuar candidato. Eu fico brincando que queria ter o apoio de Rui e de Neto a Leo Prates. O melhor dos mundos dos termos esse apoio em um momento desse.

 

Em relação a chapa de vereadores? 

Nós já estamos montando uma chapa, está completa. Alguns candidatos que já tem mandato de vereador quiseram entrar. A gente não colocou. Candidato com mandato tem Odiosvaldo [Vigas]. A pretensão do PDT é eleger no mínimo quatro vereadores.

 

Em relação às cidades do interior, o partido já tem fechado um plano de ação e os locais em que irá disputar? 

Hoje nós temos uma faixa de 18 prefeitos. Vamos ter muitos candidatos a prefeito, mas a expectativa de crescimento está pequena. Esta eleição está muito polarizada, quem é do lado do Bolsonaro e quem é contra o Bolsonaro. Quem é do lado do governador e quem é contra o governador. Com essa polarização, se a gente mantiver o mesmo número de prefeitos ou crescendo pouco já é bom.  

 

No início deste mandato, o PDT não ficou muito satisfeito com a forma de disposição dos cargos implementada pelo governo estadual. Ficou alguma rusga? Qual a relação hoje do partido que ainda figura na base do governador Rui Costa?

A relação com o governo do Estado é uma relação boa. Apoiamos o governador Rui Costa. Temos participação no governo, que é Secretaria de Agricultura e a Junta Comercial. Acho que o governo está satisfeitos com essas duas atuações, estamos fazendo um bom trabalho. A Agricultura agora mesmo, recebi um comunicado que a emenda de bancada, de quando eu ainda era coordenador, acabou de entrar e vai beneficiar muitos agricultores. Nós já colocamos duas mil máquinas para a comunidade da agricultura na Bahia e isso reforça o setor e a pecuária baiana. Então, a Seagri tem tido um papel de destaque. A Junta Comercial tem feito melhorias para facilitar ao público o atendimento. Então eu só espero que a gente esteja atendendo bem ao governo com as indicações que a gente faz, indicações em que está em primeiro lugar a capacidade. Nós estamos no governo de Rui Costa.

 

Em relação ao cenário nacional do PDT, qual a sua avaliação da postura do Ciro Gomes, tanto em relação à oposição ao Bolsonaro quanto a relação com a própria esquerda e o Lula? 

O Ciro é um candidato que, como todo mundo sabe, é pavio curto, mas que tem embasamento muito forte. Ele conhece o Brasil, é muito capaz. Dos últimos candidatos que concorreram à Presidência, eu não tenho dúvida que ele é o mais capacitado. Ele tem ideias para o Brasil de que a economia pode ser muito melhor do hoje. Hoje a economia do Brasil tem cinco bancos que dominam todo o mercado. Tem hoje juros no Brasil ainda altíssimos, que teria que reduzir. A dívida pública consome 50% de toda arrecadação brasileira e isso pode ser mudado facilmente. O juros da taxa Selic ainda são muito altos, 3,5%, era para ser zero. Toda a Europa, hoje em dia, é zero. No Japão é negativa, nos EUA zerou e o Brasil está 3,25%, 3,75% comemorando. Cada 1% dessa taxa é um custo de R$ 45 bilhões ao ano para o Brasil. Então, o Brasil arrecada, hoje, para servir ao sistema financeiro e Ciro quer mexer nessa ferida. Nós não podemos ser servos do sistema financeiro, trabalharmos, pagarmos impostos para que seja totalmente consumido pelo sistema financeiro e falte imposto para fazer hospital, investir na infraestrutura. Não dá; 3,5% são R$ 170 bilhões ao ano de custo. Se zerasse, como toda Europa está zerada, estaria economizando essa quantia ao. Estamos falando de bilhões. E eles ficam falando de coisa menores para o Brasil mesmo com uma sangria dessa. É a sangria que a população não vê. O Brasil é uma país que está rendido ao sistema financeiros e beira agiotagem.

 

Vou insistir nessa relação do Ciro com o campo da esquerda, com o PT precisamente.

O Ciro esteve aqui na Bahia e fez elogios públicos tanto ao ex-governador Wagner quanto ao governador Rui Costa pela administração que ele tem feito. Mas faz críticas severas ao PT porque o partido deixou ele na mão quando mais precisava. O PT nacional foi egoísta quando lançou o [Fernando] Haddad sabendo que seria derrotado. Então o PT preferiu perder uma eleição e entregar ao Bolsonaro. O PT errou muito ao colocar uma candidato sabendo que seria derrotado. Primeiro insistiu na candidatura de Lula, sabendo que ele não poderia ser candidato. Depois escolheu um candidato paulista, sabendo que seria derrotado ao invés de apoiar o candidato [Ciro Gomes]. Não teve desprendimento, a nobreza de apoiar um candidato que não fosse do PT para o bem do Brasil. Essa é a queixa porque o PT pensa mais no PT do que no Brasil.

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