Segunda, 25 de Novembro de 2019 - 11:10

Henrique Carballal

por Matheus Caldas / João Brandão

Henrique Carballal
Fotos: Priscila Melo / Bahia Notícias

O vereador de Salvador Henrique Carballal (PV) teve seu projeto do fim do arrastão na Quarta-Feira de Cinzas veto pelo prefeito ACM Neto (DEM) e agora tenta, na Câmara Municipal, contornar a situação ao trabalhar para derrubar o veto do seu líder político. Para Carballal, que já foi líder do governo no Legislativo municipal e agora ocupa a função de vice-líder, há muita esperança de conseguir derrotar o democrata.

“Todo padre que lê o Bahia Notícias procure o vereador do bairro dele, bata no ombro dele e pergunte: qual vai ser a posição dele no dia da votação do projeto. E vamos ver como esses vereadores se posicionarão. Espero que a bancada evangélica não vire bancada foliana”, cutucou. 

O edil disse que não foi informado antes da decisão do gestor soteropolitano. “Prefeitura nunca me ligou. Nunca tocou no assunto comigo sobre isso [...] Se ele tivesse me convidado para conversar, talvez eu teria o convencido. Como convenci o Conselho Municipal do Carnaval. Era importante para a cidade a gente iniciar o período da Quaresma preservando nossas tradições, preservando nossa identidade do Carnaval, respeitando a lógica da tradição de uma sociedade”, completou.

O ex-petista também elogiou a postura do atual líder do governo na CMS, Paulo Magalhães Junior, que já teve entrevero esse ano. “Pessoa querida, um amigo. Político com muita experiência. Está no DNA a política. Já vem desde o pai dele, o deputado federal. O irmão, apesar de não ter cargo eletivo, tem atuação política no gabinete do prefeito. Ele está pegando momentos difíceis. Atualmente trazem percalços no exercício da sua liderança. Então, ou seja, ele encontrou momentos difíceis. Tem a tensão pré-eleitoral. Você tem na Câmara um pré-candidato a prefeito. Ele encontrou muitas dificuldades. Qualquer um encontraria, mas está tendo maturidade para dar as respostas às questões”, disse. Confira a entrevista completa:



Como o senhor avalia a atuação de Paulo Magalhães Junior na liderança da Câmara?
Pessoa querida, um amigo. Político com muita experiência. Está no DNA a política. Já vem desde o pai dele, o deputado federal. O irmão, apesar de não ter cargo eletivo, tem atuação política no gabinete do prefeito. Ele está pegando momentos difíceis. Atualmente trazem percalços no exercício da sua liderança. A minha, por exemplo, da Quarta-feira de Cinzas. Então, ou seja, ele encontrou momentos difíceis. Tem a tensão pré-eleitoral. Você tem na Câmara um pré-candidato a prefeito. Ele encontrou muitas dificuldades. Qualquer um encontraria, mas está tendo maturidade para dar as respostas às questões.

O senhor teria recebido palácio Thomé de Souza para comandar a articulação de votações politicamente importantes ao prefeito ACM Neto mesmo após deixar a liderança do governo. A que credita essa confiança do Executivo municipal?
Não acredito que... Às vezes é notório. Você tem a informação, alguém lhe deu essa informação. Primeiro eu ocupo cargo de vice-líder. Natural que ele me acione para ajudar o líder e unificar a bancada no sentido de aprovação de projeto. Eu tenho perfil mais combativo, de enfrentamento. Paulo não tem esse perfil. Isso é mais a questão de perfil pessoal. Então as vezes você é acionado está relacionado a isso. Mas nada que signifique é sinal de falibilidade do governo.

O prefeito ACM Neto o procurou para falar sobre a decisão de vetar o projeto de proibição do arrastão?
Prefeitura nunca me ligou. Nunca tocou no assunto comigo sobre isso. Para ser bastante honesto com você. A única vez que tratamos foi quando estava no carro com ele, brinquei: ‘vai sancionar meu projeto?’ Ele também levou em tom de brincadeira. Agiu como prefeito, como Poder Executivo. Também entendo ter que aceitar a decisão eu ele tomou.




 

Como o senhor se sente com esse veto?
Primeiro: triste, né? Se ele tivesse me convidado para conversar, talvez eu teria o convencido. Como convenci o Conselho Municipal do Carnaval. Era importante para a cidade a gente iniciar o período da Quaresma preservando nodas tradições, preservando nossa identidade do Carnaval, respeitando a lógica da tradição de uma sociedade. Como não tive essa oportunidade, coloquei meu cargo à disposição do prefeito. Não me senti a vontade de falar que ia trabalhar para derrubar o veto, e já estou fazendo isso, conversando, buscando apoio. Não teria liberdade para fazer isso, exercendo o cargo de vice-líder e sem que ele diga: ‘Tudo bem, você continua e lhe autorizo que você faça esse movimento’. Afinal de contas respeito muito o prefeito. De forma alguma isso é ato rebelde. É uma questão de princípios, defenderei radicalmente o que eu acredito. 

 

Tem possibilidade de o veto ser derrubado?
Tenho muita esperança nisso. Todo padre que lê o Bahia Notícias, procure o vereador do bairro dele, bata no ombro dele e pergunte: qual vai ser a posição dele no dia da votação do projeto. E vamos ver como esses vereadores se posicionarão. Espero que a bancada evangélica não vire bancada foliana.

Em discussão com Eduardo Bolsonaro, Dayane Pimentel defendeu que o marido, Alberto Pimentel, está batendo recordes na Semtel. O senhor tem visto pela cidade esse desempenho recordista?
Rapaz, nem eu nem você e nem ninguém. A única coisa que é positiva neles foram terem rompidos com Bolsonaro. Já ganhou um pouco de respeito da minha parte. Governo que demonstra que terá mais problemas para o país do que solução. Não vejo de fato. O que existe na cidade é fruto do trabalho do prefeito ACM Neto, do vice Bruno Reis. Quando ele veio havia expectativa que ser do partido do presidente, que traria investimento de emprego e renda para a cidade, muito pelo contrário. O que tem de saldo positivo foi do que já foi feito na gestão de Geraldo Junior.




 

Como professor e historiador baiano, como o senhor avaliou a sugestão do aliado Alexandre Aleluia de jogar Paulo Freire no lixo?
Respeito muito Alexandre Aleluia, apesar de discordar 100% das ideias dele. Apesar de ser jovem, ele pensa como velho. Sempre brinquei assim com ele. Pessoa decente, do bem. Fato. Mas acho que ele tem visões equivocadas. Fruto da nova direita que vem surgindo. Você precisa conhecer as coisas. Não jogo ninguém no lixo. Então acho que é uma ideia ultrapassada. Paulo Freire tem imensa contribuição, respeito no mundo todo pela contribuição que ele deu. Muitas pessoas conseguiram se relacionar com o meio que vive e entender sua realidade a partir do método de Paulo Freire. Paulo Freire deveria ter uma estátua. Você me deu boa ideia. A Câmara Municipal de Salvador deve fazer homenagem à altura de Paulo Freire. Colocar nome em um espaço público. Alexandre busca ser um bom parlamentar naquilo que ele acredita. Não concordo com nada que ele acredita. Eu respeito Aleluia, não concordo, mas tem gente que não tem conteúdo. Aleluia é de direita e que tem conteúdo. Mas tem gente que é falso.

Histórico de Conteúdo