Segunda, 28 de Outubro de 2019 - 11:10

Éden Valadares

por João Brandão

Éden Valadares
Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

O novo presidente eleito do PT na Bahia, Éden Valadares, disse que o congresso do partido apontou que a legenda vai colocar à disposição da base aliada e da esquerda o nome da senador Jaques Wagner para candidatura ao governo em 2022, apesar de dele não ter essa intenção.

“Havia um processo de naturalização de que o PT não teria candidatura própria em 2022, de que haveria fadiga de material do PT. Que depois de 16 anos o PT estava proibido de apresentar candidatura. E o processo de eleição interna e nosso congresso apontam o contrário, que o PT está vivo, está forte. PT tem programa. Tem vitalidade política para apresentar candidatura. E o nome de Wagner unifica o PT. O próprio senador não está convencido disso”, disse. 

De acordo com Valadares, um terceiro nome que seguiria a ideia de renovação que o PT defende, não tem tempo hábil para ser lançado daqui a três anos.

“Nós fizemos oito anos com Jaques Wagner, ele aponta uma renovação com escolha de Rui Costa. Aí hoje Wagner diz que temos que continuar esse processo de renovação. Terceiro nome que avance nesse projeto de renovação. Opinião coletiva do PT é que o PT hoje não daria tempo de construir esse novo nome, e nome que unifica o PT, unifica a esquerda e manteria a unificação da nossa base aliada é a do senador”, completou.

O novo presidente estadual da legenda no estado disse também que as alianças futuras não estão condicionadas ao “Lula Livre”, mas ponderou. “A força do PT e força dessa pauta está atraindo aliados que de saída não colocavam Lula Livre na sua agenda e hoje estão colocando. A importância da liberdade de Lula, temos atraído setores que de setores não estavam com a gente, não eram aliados do PT”, pontuou. Confira a entrevista completa abaixo:




O senhor foi eleito no último dia 20 presidente do PT da Bahia. Quais são os principais desafios? E quais serão as principais bandeiras do seu mandato?
Desafios são enormes. Precarização do trabalho, aumento da pauta ultra-direita, totalitarista, autoritária, ganha dimensão ainda piores com eleição de [Jair] Bolsonaro. Esses são os desafios no mundo e no Brasil são gigantes e o PT da Bahia está inserido nesse contexto. Somos de resistência ao Bolsonaro. Estamos trabalhando em várias frentes de resistência. Agente de resistência dos nossos deputados, tentando minimizar.

E as bandeiras?
Para dentro do PT fizemos um pacto interno no congresso de democratização da nossa gestão. Gestão mais compartilhada, com mais gente participando. Dando mais transparência a essa gestão do PT, e avançar no protagonismo dos jovens, mulheres e dos negros. E externamente nós apontamos rumo para 2020, o PT começa oficialmente a trabalhar 2020. Ajeitamos um pouco a agenda de 2022 e renovamos com a bandeira do Lula Livre.

O que vai diferenciar a sua gestão da administração do ainda atual presidente Everaldo Anunciação?
Nós vamos avançando. Vamos nos modernizando. Precisamos se modernizar. Natural que a gente também mude. O mundo mudou tanto e nós nos precisamos nos modernizar. Imagino que numa gestão mais compartilhada e nós precisamos inovar no jeito de fazer política, no jeito de fazer eleição, no jeito de dialogar com a cidade.

O senhor é assessor do senador Jaques Wagner. Qual será a participação dele no seu mandato? O senhor teme ficar com a imagem de ser um porta-voz de Wagner no PT?
É uma das principais lideranças do PT na Bahia e uma das principais lideranças do PT nacional. Claro que ele tem um peso político importante. Sua opinião é muito importante. Na gestão em si ele não terá participação. Ele terá como liderança política. Timoneiro do nosso projeto, que interrompeu o período nefasto do carlismo. Tirou a Bahia das trevas. Inaugurou período democrático, com a vitória em 2006. Então ele será grande referência e grande timoneiro desse projeto.

O senhor teme ficar com a imagem de ser um porta-voz de Wagner no PT?
Não temo. Não que isso seja motivo de temor, mas o PT tem uma grande qualidade que é a sua diversidade de opiniões. PT cresce na diversidade de ideais. Quando a gente tem múltiplas ideias, isso não nos divide, isso se multiplica. 

 


Dentro do PT, a leitura é de que foi um erro o partido não ter tido candidato a prefeito de Salvador em 2016. Sem candidato, o PT acabou reduzindo a bancada de vereadores na Câmara. O senhor concorda?
Olha, eu aprendi que quem quer apoio, tem que estar disposto a apoiar. Então não posso considerar um erro ter apoiado aliado. E fazer análise depois do jogo jogado é muito fácil. Comentarista de futebol que só comentar depois que o jogo acabou é fácil. Foi construído com o que dava no momento. O PT teve dificuldade de apresentar uma candidatura. A candidatura da companheira Alice Portugal se apresentou, foi para o debate na cidade e perdemos. É do jogo democrático. Penso que nasce hoje um sentimento menos de olhar para trás. Por conta de 2018, companheiro Haddad, companheiro Rui e o companheiro Wagner, o PT ganhou em todas as urnas de Salvador. Então é natural que o partido reivindique sua candidatura própria.

Mas é um fato: teve diminuição da bancada.
No Brasil inteiro. Foi muito ruim para o PT no Brasil inteiro. A gente viveu processo de golpe, de afastamento ilegal. A política mostra isso. Tiraram do poder uma presidente eleita sem crimes, para aprofundar essa agenda que foi derrotada nas urnas. Que foi essa agenda neoliberal, que começa com Temer e é aprofundada por Paulo Guedes. Teve diminuição da bancada em Salvador e no Brasil inteiro. Só não quero criminalizar a possibilidade da gente apoiar alguém. Isso não está errado.


Nos bastidores, especula-se que o PT pode abrir mão da cabeça de chapa à prefeitura de Salvador e indicar um nome para vice em uma composição liderada pelo presidente do Bahia, Guilherme Bellintani, em 2020. Isso é possível? O senhor concorda com essa estratégia?
São várias perguntas em uma só. Quem quer apoio tem que estar disposto a apoiar. O PT de Salvador tem uma resolução deste assunto, aprovada semana passada. PT quer construir candidatura própria. Aprovou a construção da candidatura própria e está em processo. Está dialogando com seu diretório, com a cidade. Está fazendo esforço para afunilar os nomes apresentados. Hoje a posição do PT é candidatura própria, mas somos o partido que quer voltar a governar esse país. Estamos a 12, 13 anos a frente do governo do Estado da Bahia. O partido que quer voltar a governar o país, governa a Bahia e que vai para as eleições da terceira maior cidade, tem responsabilidade de dialogar com a esquerda como um todo, com partidos aliados. Sobre Guilherme, eu tenho uma relação próxima por causa do Bahia. Estou conselheiro do Bahia. Apoiei Bellintani para presidente e estávamos na mesma chapa do Bahia. Estou muito satisfeito com o trabalho que ele vem fazendo e votaria nele de novo para presidente do Bahia. O trabalho dele é importante lá no clube. Todo mundo nos perguntando, como o PT enxerga a possibilidade de Bellintani se filiar. Sugiro que a gente pergunte a Bellintani. Pois as conversas que tenho tido com ele, ele tem dito e demonstrado que está focado na administração do Bahia. O PT tem nomes apresentados. Bons nomes. Está acumulando projeto político. A iniciativa deve ser dele, não nossa.  PT apresentou que vai construir candidatura própria, mas não o fará sozinho. Sem dialogar com aliados, com governador, com a sociedade. Temos a força e a vitalidade política de apresentar um nome do PT, mas queremos a candidatura do PT que possa reunir a esquerda, os movimentos sociais, os partidos aliados da base do governador, o governador e o senador para a gente ganhar a cidade. Queremos que Salvador experimente o que a Bahia vem experimentando, que ´um governo do tamanho ‘G’.

O governador Rui Costa teve um atrito com o PT nacional após sugerir que o partido deveria esquecer o Lula Livre na hora firmar alianças.  O que você acha dessa declaração de Rui? E as críticas de parte do PT em relação ao governador?
Não quero reascender polêmica. A pauta do Lula Livre é cotidiana para o PT. O Brasil já percebeu que foi revelada a farsa contra Lula. Então a luta pelo Lula Livre é recompor a injustiça que ele foi vitima, mas também simboliza pela falta da dignidade desse país. autoestima desse país. Não há democracia. Não há como falar de funcionamento das intuições quando Lula for preso político, mas eleição é outro assunto. Eleição é outro tema. Nós vamos para as eleições municipais dialogar com a sociedade, com os partidos em torno de um programa local – temos que considerar dinâmica local de cada cidade -, dentro de um contexto nacional/ estadual. Qual contexto? Queremos alianças e vamos procurar alianças, apoiando ou sendo apoiado com aqueles se inspiram no que foi governo Lula e Dilma, daqueles que defendem aquele projeto de país, aqueles que se inspiram nosso projeto na Bahia que começou com Wagner e hoje está sendo tocado por Rui. É isso que a gente quer dialogar, mas qual é o fim nosso da eleição municipal 2020? Esperamos derrotar fragorosamente o bolsonarismo na Bahia. 

Então a aliança não está condicionada Lula Live, né?
Não, não está condicionada ao Lula Livre, mas a força do PT e força dessa pauta está atraindo aliados que de saída não colocavam Lula Livre na sua agenda e hoje estão colocando. A importância da liberdade de Lula, temos atraído setores que de setores não estavam com a gente, não eram aliados do PT.

O senhor defende que Jaques Wagner seja o candidato do PT para a sucessão de Rui Costa?
Não é opinião pessoal minha, mas o congresso do PT apontou que o PT vai colocar à disposição da base aliada, da esquerda, o nome da qualidade do senado Jaques Wagner. Havia um processo de naturalização de que o PT não teria candidatura própria em 2022, de que haveria fadiga de material do PT. Que depois de 16 anos o PT estava proibido de apresentar candidatura. E o processo de eleição interna e nosso congresso apontam o contrário, que o PT está vivo, está forte. PT tem programa. Tem vitalidade política para apresentar candidatura. E o nome de Wagner unifica o PT. O próprio senador não está convencido disso. Nós fizemos oito anos com Jaques Wagner, ele aponta uma renovação com escolha de Rui Costa. Aí hoje Wagner diz que temos que continuar esse processo de renovação. Terceiro nome que avance nesse projeto de renovação. Opinião coletiva do PT é que o PT hoje não daria tempo de construir esse novo nome, e nome que unifica o PT, unifica a esquerda e manteria a unificação da nossa base aliada é a do senador. 





Há muitos críticas sobre a maneira Gleisi Hoffman conduz o PT nacional. O senhor acha que o partido precisa renovar também o comando nacional como ocorreu na Bahia e em Salvador? 
Vem renovando. É que a gente fica muito na figura do presidente. Por ser presidencialista o PT, a gente acaba não enxergando o processo como um todo. PT sairá na direção eu a média de idade será mais baixa do que foi anterior. O PT vem se renovando. As figuras públicas do PT: Governador Rui Costa, Camilo [governador do Ceará], o próprio Fernando Haddad, são sinais de renovação do PT. Não é só fulanizar. Não é Éden chegar à presidência. Eu já nasço depois da fundação do PT. Filhas e filhos do PT. Símbolo importante, não quero negar. PT nacional tem feito essa renovação.

O que pensa de Wagner assumir o posto?
Já foi descartado por ele. Senador cumpre outra tarefa no Brasil e na Bahia. Minha opinião: acho que não. Acho que não seria uma boa para o momento. Ele reúne qualidades para ser candidato a presidente da República, presidente do PT, representar nosso projeto do PT em qualquer espaço, qualquer frente. Mas hoje ele cumpre um papel importante no Senado, de resistência. Ele dialoga bem com setores do centro, outros setores da esquerda. Tarefa partidária consome muito.

O senhor concorda com Wagner de que Fernando Haddad é o candidato natural do PT à Presidência em 2022?
Sim. Haddad simbolizou essa renovação. Teve 47 milhões de votos. Não é pouca coisa. Será para mim o candidato natural do PT desde que o ex-presidente Lula não seja retirado da injustiça que está. Candidatura natural do PT é o presidente Lula. Queremos Lula livre. Na impossibilidade de isso acontecer, na possibilidade seguir como preso político nas eleições, a candidatura natural é de Haddad.

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