Segunda, 26 de Novembro de 2018 - 11:00

Geraldo Reis

por João Brandão

Geraldo Reis
Fotos: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

O secretário estadual de Meio Ambiente, Geraldo Reis, em entrevista ao Bahia Notícias, afirmou que o governador da Bahia, Rui Costa (PT), se preocupa com os rios, no entanto disse que não pode abrir mão do desenvolvimento.

“As gestões de Jaques Wagner e agora do governador Rui Costa têm sido sim governos desenvolvimentistas. E não tinha como ser diferente. Nós estamos falando de um estado pobre. Qual desafio? É compatibilizar as preocupações ambientais com estratégia de desenvolvimento e crescimento econômico. A pauta ambiental ela tem que ser incorporada pelo conjunto do governo, pelos agentes e pela sociedade civil. Nós estamos em um processo de transição. Qual é a transição necessária do padrão de desenvolvimento do estado? É essa discussão que está sendo feita”, afirmou ele.

Reis elogiou também o ministro de Meio Ambiente do governo Michel Temer, Edson Duarte. “Embora a demarcação política com governo Temer, faço destaque ao papel que faz o ministro Edson Duarte, que é um baiano. Mostrando a capacidade de dialogar com secretários estaduais de Meio Ambiente”, contou.

Considerado quadro técnico, ele não descartou ser candidato ao Legislativo nas próximas eleições. “Em principio, meu desejo é continuar colaborando com a gestão do governador Rui Costa. Se dependesse de mim, eu continuaria na área ambiental. Me apaixonei por essa área. Área tem muitos desafios, e eu adoro desafios. Quanto a possiblidade de disputar cargo político, eu não digo ‘dessa água não bebereis’. Embora tenho perfil mais para executivo, mas não descarto essa possiblidade”, pontuou.

Confira a entrevista completa:



Você assumiu o cargo na Sema em fevereiro de 2017. Qual foi o principal desafio nesses quase dois anos?
A área ambiental é um grande desafio, com as características do estado da Bahia. Estado continental com tamanho da França. Três diferentes biomas, com áreas de transição. Nosso potencial econômico que traz incidências ambientais. Trata-se de geografia física e econômica que traz grandes desafios ambientais. 

O senhor tem um perfil mais tímido. Não aparece muito, como outros secretários. O senhor tem alguma pretensão política?
Eu sou político. Sou um dos fundadores do PT no estado da Bahia. Longa experiência de gestão. Professor de universidade do Sudoeste da Bahia, fui primeiro chefe da gestão de Guilherme Menezes em Vitória da Conquista, fui secretário de Vitória da Conquista. Passei oito anos a frente de SEI. Aprendi muito. Passei dois anos na secretaria de Justiça, exercitei o perfil de mediador, de negociador e na área ambiental, estou somando essa experiência. Cumprindo esse papel de mediador, negociador. Sempre fui político com grande ancoragem técnica. Eu sei que hoje falar que é político nem sempre soa positivamente, mas não nego minha historia.

Tem pretensão de tentar o Legislativo?
Em princípio, meu desejo é continuar colaborando com a gestão do governador Rui Costa. Se dependesse de mim, eu continuaria na área ambiental. Me apaixonei por essa área. Área tem muitos desafios, e eu adoro desafios. Quanto a possiblidade de disputar cargo político, eu não digo ‘dessa água não bebereis’. Embora tenho perfil mais para executivo, mas não descarto essa possiblidade.



O programa Água Doce tem utilizado águas subterrâneas para levar água potável à população. Porém, muitas vezes o mau uso de pesticidas e outras técnicas irregulares acabam comprometendo os lençóis freáticos. Já há avanços na compreensão dos riscos de se contaminar o solo, ou isso ainda é um desafio no estado?
O programa trabalha com água subterrânea através de poços, mas em regiões onde a água é salinizada. São equipamentos de dessalinização. Esse programa faz um total de R$ 61 milhões, convênio com Ministério do Meio Ambiente. A competência é da secretaria. Estamos na segunda etapa no valor de R$ 27 milhões, onde nós estaremos atendendo 50 municípios, com total de 145 sistemas de dessalinização. Nesse caso, essa água é toda monitorada. Vira praticamente água mineral. Por tanto, não há risco dessa natureza a respeito da água doce.

Os próximos meses, mas principalmente entre fevereiro e março, nós geralmente temos muitos casos de incêndios, principalmente na Bahia. Para atuar sobre a questão, o governo lançou o Bahia sem Fogo. Já é possível apontar o impacto positivo desse programa? Quais são as ações de prevenção previstas para o próximo período de estiagem?
Sem sobra de dúvidas. Esse programa é resultante de um TAC, do governo da Bahia e o Ministério Público. O ano que ocorreu maior incidência de incêndio foi em 2015. Chegou a utilizar mais de seis aeronaves para combater incêndio. Sobretudo na região da Chapada Diamantina. Esse programa vem se estruturando, ganhando apoio tecnológico. Nós licitamos já R$ 1,6 milhão de equipamento, de fardamento que estão sendo distribuídos para as brigadas civis. Só este ano nós já qualificamos, fazendo treinamento de prevenção e combate a incêndio em aproximadamente 40 municípios, e este ano tivemos uma ocorrência menor de incêndios em comparação com 2015. Esse ano os incêndios foram mais pulverizados geograficamente. Ocorreram incêndios em 11 municípios. Na Chapada Diamantina tem uma preocupação maior por causa das características climáticas e da vegetação da Chapada e grande apelo ambiental e ecológico. Lá tem alguns parques. É bom lembrar que a obrigação do estado é de combater incêndios em área de preservação. Essa obrigação formal, em área de preservação do governo da Bahia, mas a gente termina colaborando, por exemplo, quando ocorre incêndios em parque nacionais, como, por exemplo, na Chapada ou de fazendas particulares, pois se você não debela o incêndio pode tomar proporção maior. Hoje temos dois aviões contratados. Aviões que ficam de plantão. Já acionamos o uso desses aviões algumas vezes. Estamos fazendo esforço para licitar um helicóptero. Já investimentos aproximadamente esse ano R$ 1,6 milhão em ações de combate a incêndios. Hoje nós temos um excelente relacionamento com as brigadas, que antes havia uma certa rivalidade com o Corpo de Bombeiros. Essa relação está pacificada.

 


A Sema tem atuado junto a prefeitos e produtores para tentar minimizar os efeitos da crise hídrica que atinge o estado desde 2010. Quais são as ações que ocorrem neste momento?
Desde que assumi, nós tivemos alguns conflitos em razão da crise hídrica. O mais conhecido o de Correntina, do rio. Participamos do processo de mediação. No caso especifico, não só mediamos a relação entre movimentos sindicalistas, entidades da sociedade civil e agronegócio, mas fizemos ações concretas lá. Nós licitamos através do Inema o Cadastro de Usuário do rio arrojado, que é uma espécie de fotografia de todas as propriedades do rio arrojado, para a gente dimensionar o uso. Estamos licitando de dois planos de Bacia: do rio Grande e rio Corrente. Nós adquirimos 12 PCD, que são equipamentos de monitoramento. Essas intervenções darão transparência absoluta a situação hídrica do nosso estado. Estamos fazendo ações semelhantes lá no rio Tinga. A gente não pergunta se o prefeito é de partido ‘A’ ou ‘B’. A gente trata com todos os movimentos sociais, entidades empresariais. Um grande ganho da nossa gestão é nossa capacidade de diálogo, essa abertura para dialogar com todos os setores.

O diretor da ONG Rio Limpo, Fernando Borba, em entrevista ao Bahia Noticias durante o fórum SOS Joanes, disse que a responsabilidade da poluição do Rio Joanes 1, localizada em Lauro de Freitas, é do governo da Bahia. A degradação começou há 20 anos. Isso é um fato. O governo do PT não admite culpa nisso? Visto que desde 2007, ou seja, dos 20 anos, ao menos 11 o Estado é gerido pelo partido.
Veja só. Os governos do PT, as gestões de Jaques Wagner e agora do governador Rui Costa, têm sido sim governos desenvolvimentistas. E não tinha como ser diferente. Nós estamos falando de um estado pobre. A capacidade de investimento da Bahia, ela está... se você compara a arrecadação per capita ela está atrás de mais de 20 estados do Brasil. Com grande parte do seu território no semiárido. Nós temos a maior população rural do país. Cerca de 27% da nossa população é considerada população rural. Enfim, com essas características, não tem como não ter um governo que não seja desenvolvimentista. Gerar emprego, gerar renda. O governador tem dado grande exemplo, grande referência para o país. Atravessar essa crise com esse conjunto de investimentos que vêm fazendo no estado. Não é a toa que teve 76% da preferência dos eleitores [Rui foi reeleito com 75,5% dos votos]. Ele é elogiado da esquerda a direita. Eu falo isso, pois não podemos abrir mão do desenvolvimento. Qual desafio? É compatibilizar as preocupações ambientais com estratégia de desenvolvimento e crescimento econômico. A pauta ambiental ela tem que ser incorporada pelo conjunto do governo, pelos agentes e pela sociedade civil. Nós estamos em um processo de transição. Qual é a transição necessária do padrão de desenvolvimento do estado? É essa discussão que está sendo feita. O governador está preocupado com essa questão ambiental. Nós estamos preocupados com a questão da revitalização dos rios. Hoje nós temos um sistema de monitoramento que é o projeto Curupira. É um sistema de tecnologia da informação. Imagem de satélite que nós pudemos a cada três meses olhar qual município que mais desmatou. Isso auxilia na nossa fiscalização. Nós temos feito um trabalho intenso na área da mata atlântica. Enfim, esse esforço de incutir dos agentes econômicos, dos dirigentes de governo e na sociedade civil. Essa compatibilização do desenvolvimento com a dimensão ambiental tem sido os principais papeis da nossa pasta.

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, tem defendido desde sua campanha que o Ibama aplicava multas demais. Qual será o impacto caso as leis ambientais fiquem mais brandas, como defende Bolsonaro?
Eu acho que essa área, dessa esfera ambiental, tem tido evolução substancial e positiva no país. Desde antes dos governos do PT, essa área ambiental, em função das características da biodiversidade do país. Essa estrutura ambiental vem se devolvendo de forma permanente e sempre acumulando conquistas. Na minha opinião, seria um grande retrocesso se deixasse de existir o Ministério de Meio Ambiente, até mesmo para o setor empresarial não enxerga com bons olhos. Acho que, embora a demarcação política com governo Temer, faço destaque ao papel que faz o ministro Edson Duarte (Meio Ambiente), que é um baiano. Mostrando a capacidade de dialogar com secretários estaduais de Meio Ambiente.

O senhor acha que o novo ministro tem que ser com o perfil de Edson Duarte?
Olha, não me cabe como secretário de Meio Ambiente de um governo do PT interferir ou emitir opinião de qual perfil adequado para o Ministério do Meio Ambiente, vinculada ao presidente Bolsonaro. Eu quero evitar emitir opinião. Estou salientando que é admitido por todos da área ambiental que é essa capacidade do ministro tem tido de articular, dialogar, ouvir vários lados.



Em que pé está o projeto de revitalização do Parque de Pituaçu?
O projeto em si está pronto, em detalhes. Projeto muito bonito. Projeto da ordem de aproximadamente R$ 15 milhões, e o governador Rui Costa assumiu compromisso de entregar o parque de Pituaçu reformado.

Já tem data?
Data não tem, porque sabemos o esforço do governador do ponto de vista da austeridade, desse enfretamento da crise fiscal do estado, mas ele assumiu esse compromisso. Eu estou torcendo para que nós, apesar da crise, chegar ao final do governo com o parque revitalizado.

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