Segunda, 05 de Novembro de 2018 - 11:00

Cláudio Tinoco

por Fernando Duarte / Ailma Teixeira

Cláudio Tinoco
Fotos: Priscila Melo / Bahia Notícias

Secretário de Cultura e Turismo da Prefeitura de Salvador, Cláudio Tinoco não hesita ao responder que a gestão municipal é mais eficiente na execução de projetos do que o governo do Estado. De acordo com ele, foi isso que impulsionou a decisão do prefeito ACM Neto (DEM) de tomar a dianteira e dar início ao processo de construção do Centro de Convenções de Salvador, que já está em obras. "A gente vê iniciar uma série de projetos, mas a gente não vê nem ser executados. Assim é a ponte Salvador-Itaparica, assim foi o caso desse Centro de Convenções e, por duas vezes, eu li o secretário de Turismo [José Alves] dizer que está na mesa do governador. Foi assim em janeiro e foi agora em outubro. Então o próprio secretário coloca a responsabilidade no colo do governador e a gente não vê uma resposta, a gente não ouve uma resposta e foi isso que aconteceu", critica.

 

Neste contexto, o empreendimento da prefeitura tem previsão de ser concluído em setembro de 2019 e, segundo Tinoco, já há um calendário com cerca de 30 eventos agendados para o espaço.

 

Com o turismo cultural como um dos eixos para a promoção da cidade, a prefeitura pretende também dar foco ao projeto do Museu da Música. O plano é implantá-lo no Casarão dos Azulejos até 2020, com investimento de mais de R$ 10 milhões. "A gente vai ter o recurso suficiente não só para concluir esse restauro, mas mais do que isso, implantar um museu dentro do conceito que a gente deseja, que é um espaço integrado em quatro imóveis ali da região da Praça Cairu, e que tenha uma sustentabilidade, não só por ser o museu expográfico, museográfico, mas sobretudo de produção musical. Salas de ensaio, auditórios para poder gravar... que a produção musical em Salvador possa ser reativada ou ativada a partir dele", descreve.

 

Quanto à sua desistência de concorrer à eleição para deputado estadual, Tinoco acredita que não reuniu condições para viabilizar sua candidatura. Vereador licenciado da Câmara Municipal de Salvador (CMS), ele passou todo o ano de 2017 no Executivo da capital baiana.

 

"A decisão foi acertada, não pelo resultado ruim para meu grupo político. Eu acho que para minha posição, eu não tive condições de reunir no ano passado apoios no interior, apesar de ter muitos amigos e ter atuado quase 10 anos em nível estadual", pondera.

 

O secretário também não deixou a pasta na gestão ACM Neto para disputar a presidência da Câmara, como era esperado. Em entrevista ao Bahia Notícias, ele explica suas motivações para continuar na prefeitura e também detalha os demais projetos para a cultura e turismo de Salvador nos próximos dois anos.

 

Tinoco, qual o balanço que você faz após quase dois anos na Secult?

Olha, muito positivo. Para isso é bom a gente fazer sempre uma comparação. Salvador – e aí não é uma associação ou administração, mas Salvador como destino turístico – vinha sofrendo consequências da perda do Centro de Convenções, da falta de um aeroporto em condições adequadas de operar voos e oferecer bons serviços, considerado, inclusive repetidamente, o pior do país por pesquisas de opinião. E tudo isso vinha afetando o fluxo e consequentemente todas aquelas outras atividades, como por exemplo a taxa de ocupação dos hotéis, e isso que significava a perda realmente de turistas na cidade. Isso se confirmou em 2014, 2015 e 2016 num desafio de poder colocar Salvador de volta na prateleira de venda como destino turístico, tanto nacional como internacionalmente. E nós conseguimos fazer isso. Primeiro porque Salvador estava pronta para isso. Uma cidade hoje com talvez um dos maiores índices de investimento em requalificação urbanística, em obras de infraestrutura, Salvador renovou com novos atrativos, que são os equipamentos culturais implantados pela prefeitura. A Casa do Rio Vermelho, que é o memorial de Jorge Amado e Zélia Gattai, os fortes e, é claro, que se constituiu também como uma plataforma de eventos muito atrativos, sobretudo para o mercado nacional, com o Festival da Virada no Réveillon, Festival da Primavera, Festival da Cidade... e aí a gente sabia que essa plataforma de eventos diversificada fora da alta estação, ou seja, fora do verão, seria aos poucos consolidada como realmente uma perspectiva de atrair tudo que nós fizemos. Foi montar uma estratégia de promoção da cidade e trabalhar de uma forma até mesmo tradicional e conservadora, por um lado, e, por outro lado, também inovar. Foi assim que nós gastamos um bom tempo, mas necessário, para poder contratar uma empresa de marketing digital. Somos o primeiro destino com esse tipo de mídia e de promoção e, é claro, tivemos a grande vantagem a partir da assinatura do contrato do Prodetur [Programa de Desenvolvimento do Turismo], com financiamento com o BID [Bando Interamericano de Desenvolvimento], de iniciar no ano passado todos os investimentos financiados por quase R$ 400 bilhões, que é esse contrato. Então, é isso, sem dúvida alguma associado a alguns fatores externos, como a concessão do aeroporto em 2017. Mesmo a empresa concessionária só assumindo titularidade no início deste ano, fez com que a gente aumentasse o fluxo de 2017 em 10% em relação a 2016. Nós conseguimos trazer 800 mil turistas a mais do que em 2016. Isso começou a impactar em toda a cadeia produtiva do Turismo. E essa curva ela está se mantendo, nós devemos ter um aumento em torno de 10% a 11% agora em 2018 em relação a 2017, então já é um crescimento acumulado e consequentemente tudo isso vai dando para a gente a satisfação e a motivação para continuar investindo.

 

 

Depois do Museu do Carnaval, o Museu da Música agora começa a tomar forma. A ideia é integrar cultura ao turismo para atrair mais visitantes? E como está a questão dos prazos e as expectativas para novos projetos?

Em cima das pesquisas que a gente faz de perfil do turista, a gente identificou, entre vários fatores que motivam as pessoas a conhecerem Salvador ou que satisfazem aqueles turistas que estão visitando a cidade, que a cidade tem o sol e praia, muito mais concentrado na alta estação, no verão; história e cultura, muito importante porque isso está disponível em todos os momentos do ano; turismo náutico, sobretudo com esportes náuticos; e a gastronomia. Então, nós elegemos esses quatro motivos, esses quatro fatores para promover Salvador de forma prioritária. É claro que Salvador tem uma chancela, hoje a certificação da Unesco como cidade criativa mundial, como Cidade da Música, tudo isso vai efetivamente nos dando, vamos dizer assim, encaminhamentos ou pelo menos incentivos para poder envolver outras áreas. E o Museu da Música é exatamente esse o sentido e ele tem um conceito até mais amplo, que é o museu da música brasileira. A gente quer assumir em Salvador esse protagonismo realmente da produção musical nacional. Nós, no ano passado, desapropriamos os imóveis, investimos R$ 1,8 milhão, fizemos a estabilização do principal imóvel desse conjunto, que é o Casarão dos Azulejos, mantendo a integridade e a preservação que é por ser um bem tombado individualmente, e agora nós aprovamos. Primeiro, investimos na elaboração do projeto de restauro dele e agora em setembro o prefeito autorizou que a gente dê início ao processo de licitação e contratação para o restauro pleno do Casarão dos Azulejos. É um investimento em torno de R$ 10,5 milhões. A gente está preparando todo o termo de referência, o edital para lançar. A nossa expectativa é que com isso, paralelo à aprovação do Proquali, que é o programa que a prefeitura está buscando contrair através de um financiamento junto ao Banco de Desenvolvimento da América Latina, o CAF, nós vamos ter o recurso suficiente não só para concluir esse restauro, mas mais do que isso, implantar um museu dentro do conceito que a gente deseja, que é um espaço integrado em quatro imóveis ali da região da Praça Cairu, e que tenha uma sustentabilidade, não só por ser o museu expográfico, museográfico, tenha realmente essa referência museográfica, mas sobretudo de produção musical. Salas de ensaio, auditórios para poder gravar... que a produção musical em Salvador possa ser reativada ou ativada a partir dele.

 

O museu da música, especificamente, foi prometido já há algum tempo. Não é de agora, desde a primeira administração de ACM Neto se falava sobre o museu. Tem uma questão de letargia eleitoral ou foi a burocracia que fez com que ele só começasse a tomar um pouco mais de forma nos últimos dois anos e agora efetivamente com o projeto?

Não. Única e exclusivamente, viabilidade econômica. No primeiro momento, surge o Museu da Música. Primeiro como intenção da prefeitura ainda na primeira gestão de ACM Neto. Foi aberto, então, um processo chamado PMI, que é uma proposta de manifestação de interesse pela iniciativa privada. Esse processo foi aberto, mas ele não foi concluído em virtude da empresa que apresentou o projeto conceitual não constituir todos os elementos necessários para estar certificada para elaborar o projeto. Quando nós identificamos isso, e aí eu já assumi em janeiro de 2017 com essa decisão, nós então fomos construir outra alternativa. Se a gente tinha ali uma perspectiva de conseguir recursos privados para poder através de uma PPP [Parceria Público-privada] ter a implantação, nós então passamos a conquistar as condições financeiras para poder fazer a sua implantação e isso aconteceu com o Proquali, um processo que foi em 2017, de negociação. Esse processo de financiamento, depois de aprovação na Câmara, segue toda a tramitação em nível federal. Passa pelo Ministério da Fazenda, passa pelo Ministério do Planejamento, já chegou no estágio de aprovação no bojo do banco. Qual é a fase que ele está hoje? A Casa Civil da Presidência da República precisa encaminhar o pedido de autorização ao Senado Federal, porque ele tem a União como avalista desse financiamento, para que a gente possa então estar autorizado a, junto com o banco, assinar o contrato. A nossa expectativa… Neto está em Brasília nesse momento, inclusive trabalhando com o atual governo, mesmo nessa fase de transição, para que esse projeto seja encaminhado ao Senado ainda este mês e que o Senado Federal possa, ainda nesta legislatura, aprovar esse financiamento. Com isso, a gente tem aí o ano de 2019 e 2020 para fazer a sua implantação.

 

A urgência para aprovar agora é por medo do próximo governo?

De jeito nenhum. Pelo contrário, a gente não tem medo de ninguém nem de nenhum governo. É um projeto que eu tenho certeza que encanta a todos e o governo federal, pelo menos no governo atual de Michel Temer, acabou dando bons exemplos de atenção com Salvador. Foi assim que nós concluímos o museu Casa do Carnaval, com recursos em cerca de R$ 10 milhões do Iphan nacional para restaurar aquele imóvel. A prefeitura investiu mais R$ 6 milhões para implantar o museu e nós estamos nesse momento concluindo ou em fase bem avançada de implantação e restauro para implantação da nova sede da Fundação Gregório de Mattos. Ali a gente vai ter algumas salas, inclusive técnicas, para o Teatro Gregório de Mattos, também um café-teatro e com recursos do PAC Cidades Históricas aprovado pelo atual governo. Nós tivemos em outras áreas, como o próprio financiamento para o BRT, também aprovado por este governo. Então, se tem uma coisa que a gente precisa reconhecer é que o governo Temer teve uma atenção bastante especial e ela veio reconhecer a importância de Salvador no cenário nacional.

 

 

Ano passado, Salvador sediou a final da regata Transat Jacques Vabre. O governo da Bahia sugeriu que ela voltaria a acontecer e depois teve aquele imbróglio sobre o tema, organização, vai ser, não vai ser. Qual é a situação atual dessa prova? E qual é a perspectiva da prefeitura para investimento em turismo náutico na Baía de Todos-os-Santos?

A regata Jacques Vabre é uma regata internacional que acontece a cada dois anos. Ela já tinha sido realizada há mais de 10 anos em Salvador por algumas edições. Depois tinha migrado sobretudo para região de Santa Catarina, para Itajaí e nós recuperamos dentro de uma proposta que é exatamente desenvolver melhor a economia náutica aqui em Salvador a partir da Baía de Todos-os-Santos, que não pertence só a Salvador. Tivemos êxito, eu acho que fizemos um grande grande evento e ajudou muito na promoção da cidade e nós estamos numa fase agora de negociação com os organizadores para a edição de 2019. É claro que funcionou bem, mas precisa melhorar. A gente precisa, inclusive, envolver a população local e soteropolitana, os baianos, nessa expectativa de poder ter uma compreensão melhor da importância desses eventos náuticos e da economia náutica. A gente quer melhorar ainda mais os eventos. É claro que requer investimentos, investimentos que ocorreram no ano passado, como você bem frisou da prefeitura e do estado, e é sempre tratado por mim junto com José Alves [secretário de Turismo do estado] de forma muito responsável. Estamos muito próximos de tomar uma decisão porque a gente tem limite para investimentos, então se houver um aumento de demanda por parte dos organizadores, que não esteja ao nosso alcance, nós preferimos então anunciar que não poderemos trazer de volta em 2019. Mas eu ainda acredito que a gente tem... O estado, talvez investindo um pouquinho mais, possa também auxiliar Salvador nesse sentido.

 

O novo Centro de Convenções de Salvador, tocado pela prefeitura, não deixa de ser uma reação à dificuldade de um novo Centro de Convenções da Bahia ser viabilizado. A prefeitura é melhor que o governo na concepção e execução de projetos?

Eu não tenho dúvida disso e essa é a principal demonstração. Os principais projetos do governo, eles estão sem... Eu aprendi inclusive com Eraldo Tinoco [ex-deputado federal baiano]: obra tem que ter início, meio e fim. Então, a gente vê iniciar uma série de projetos, mas a gente não vê nem ser executados. Assim é a ponte Salvador-Itaparica, assim foi o caso desse centro de convenções e por duas vezes eu li o secretário de turismo dizer que está na mesa do governador. Foi assim em janeiro e foi agora em outubro. Então o próprio secretário coloca a responsabilidade no colo do governador e a gente não vê uma resposta, a gente não ouve uma resposta e foi isso que aconteceu. Eu quero aqui dar uma informação que eu acho que é uma informação de bastidor, mas importante até para a população ter uma compreensão melhor. Quando Neto assumiu em janeiro, seu segundo governo em janeiro de 2017, Neto reuniu seu secretariado e a gente ali definia as ações estratégicas sobretudo para a área de turismo. Naquele momento foi levantada essa possibilidade, essa hipótese de Salvador assumir essa responsabilidade de construir o centro de convenções. Eu fui um, entre alguns outros, que tirou um pouco o foco daquele momento porque a gente entendia que essa era uma responsabilidade do estado e que a gente acreditava que pudesse haver uma solução rápida. E tanto é assim, quando a gente vai definindo as ações do Salvador 360, isso já em junho, julho, seis meses passados e nenhuma resposta nós tínhamos. Por isso mesmo a decisão de Neto de fazer com que o projeto fosse desenvolvido e hoje é uma realidade porque a obra está acontecendo, nós já estamos com todo o estudo de viabilidade da concessão para iniciativa privada, apresentado tanto em São Paulo quanto aqui em Salvador. Vamos lançar em dezembro o edital, agora em novembro ainda a gente vai colocar esse edital em consulta pública para que as pessoas, as empresas nacionais, as empresas baianas possam conhecer as premissas dessa concessão que eu tenho certeza que demonstra uma viabilidade para uma concessão durante 25 anos. Com isso, a gente resolve não só a necessidade de uma complementação de investimento privado para poder se juntar aos R$ 105 milhões que a prefeitura está empregando na sua construção, bem como a própria manutenção durante esses 25 anos com o equipamento que já nasce com eventos programados. O Congresso Nacional de Hotéis, em maio de 2020, já está confirmado para ocorrer no Centro de Convenções de Salvador, em 2021, um evento de cirurgia na área médica nacional está programado e, salvo engano 2023 ou 2024, outro evento internacional também da área médica. Então, a gente tem trabalhado já entre tantos eventos, pelo menos 30 estão hoje comprometidos, alguns deles com as associações promotoras, decisoras desses eventos e já decididas a realizar em Salvador.

 

Teve um imbróglio judicial naquela fase final da licitação. Isso vai atrapalhar o cronograma? Quando o Centro de Convenções vai estar disponível para funcionar?

Até o final do ano que vem. Qual é o cronograma bem objetivo? Nós estamos em obra, a obra está seguindo o ritmo desde o dia 6 de setembro, é inteiramente regular a nossa expectativa é que nas próximas semanas a gente já deve estar ali com a construtora implantando as primeiras sapatas da fundação deste centro de convenções e com a previsão de conclusão até setembro de 2019. Se nós vamos lançar o edital de concessão em dezembro, a gente imagina que até abril a gente já está contratando a empresa operadora. Essa empresa vai ter aí um período suficiente para fazer as aquisições dos equipamentos mobiliários para instalação em julho, mesmo antes da obra entregue. Nós já temos um compromisso com a empresa Consórcio Construtor para que a operadora já entre nas instalações exatamente para, interagindo com a construtora, fazer com que a sua entrada depois da conclusão da obra já seja para apenas as instalações de mobiliário. Com isso, a gente garante e vou dizer aqui a vocês, em primeira mão, que é muito provável que a gente possa ter ainda no mês de dezembro de 2019 um evento internacional no Centro de Convenções de Salvador, um evento que é muito importante, que trata de uma área significativa, que a última edição dele ocorreu em Paris.

 

Qual é o evento?

Eu vou deixar de citar o evento, sobretudo em respeito à necessidade que a gente tem para poder garantir essa concorrência. Posso dizer que o nosso secretário de cidade sustentável, André Fraga, está envolvido, e o próprio prefeito está envolvido diretamente. Nós temos um ministro baiano atuando para garantir, quem sabe, esse evento sendo realizado aqui em dezembro.

 

 

Sente vontade de voltar a atuar na Câmara? Circulou um comentário de que o senhor era o preferido do Palácio Thomé de Souza para presidir o Legislativo, mas sequer voltou ao mandato para tentar viabilizar essa candidatura.

Olha, vontade é permanente e eu continuo exercendo, não o papel legislativo, mas como político, como vereador que sou dessa cidade. Eu mantenho atenção às minhas bases, dentro do meu tempo disponível estou sempre presente, eu luto e brigo por melhorias nas comunidades que eu represento, continuo defendendo alguns setores que eu também tenho representação. É assim por exemplo com os donos de padaria, é assim com a própria indústria da hotelaria em Salvador, que eu tenho relações mesmo não sendo secretário, e em tantos outros, como mototaxistas. Enfim, a gente mantém uma agenda e uma atuação permanente. É claro que a Presidência da Câmara [Municipal de Salvador] surge em janeiro desse ano como uma abordagem muito mais de consulta. Foi o que Geraldo Júnior me fez. Eu não tenho outra condição que não seja honrar meus compromissos e naquele momento eu disse a ele que eu não tinha atenção nenhuma com uma Presidência da Câmara. Eu estava muito concentrado numa perspectiva de viabilizar minha candidatura como deputado estadual e, lógico, também sabendo que eu tenho uma missão por cumprir na administração. Essa missão encerra quando o prefeito me exonerar do cargo. Ele tem manifestado satisfação com nosso desempenho, mas a gente sabe que a qualquer momento pode surgir... Eu tenho um compromisso com ACM Neto nesse sentido também. Então, disse a ele que não era essa a minha pretensão e que se ele se viabilizasse, ele teria o meu apoio. Agora, é claro, se ele não se viabilizasse e se eu percebesse que haveria um espaço para voltar para a Câmera e representando o conjunto dos vereadores conquistar esse espaço, para mim seria muito importante. Ele se viabilizou, eu declarei meu apoio, ele hoje é eleito presidente e eu estou muito satisfeito com isso. É claro que eu tenho preocupações. Quando você volta para o Executivo, sobretudo eu, que me dedico única e exclusivamente a isso no sentido de poder dar o resultado, a gente sabe que o eleitor precisa ter atenção, precisa ter o cuidado, precisa se sentir também ali com a atenção que a gente dá. Então, eu fico aqui buscando sempre o equilíbrio entre o Executivo e também a minha função política, mas com muita responsabilidade.

 

Se arrepende de não ter sido candidato em 2018 ou foi melhor diante do resultado ruim para o seu grupo político?

Olhe, a decisão foi acertada, não pelo resultado ruim para meu grupo político. Eu acho que para minha posição, eu não tive condições de reunir no ano passado apoios no interior, apesar de ter muitos amigos e ter atuado quase 10 anos em nível estadual, conheço bastante a Bahia, fui superintendente da área de educação, fui secretário de infraestrutura desse estado, coordenei programas como o programa de logística entendendo exatamente muito bem a Bahia... Mas eu me dediquei aqui, não me viabilizei. A única coisa que não podem esperar de mim é eu fazer firula na política, eu não tenho porquê. Nunca entrei numa campanha — participei de três, perdi a primeira, ganhei duas — para fazer número por vaidade pessoal ou por apenas marcar uma posição política. Eu não me viabilizei, então não tinha... eu poderia ter sido candidato, ter 40 mil votos, por exemplo, não me eleger e estar satisfeito com o resultado. Mas eu imaginava que eu não teria essa condição. E a segunda coisa é que eu estou muito satisfeito com o Executivo. Eu gosto, eu sou administrador público por formação, minha especialização toda é na área pública, tenho uma larga experiência e eu me dedico a essa atividade com muito afinco e se o resultado está aparecendo é porque eu tenho tido algum valor. Divido isso com a minha equipe, divido isso com os colegas todos que fazem parte da administração e sobretudo com o prefeito que tem dado todas as condições para a gente trabalhar. Então, se minha contribuição está sendo boa, por que que eu vou me arrepender daquilo que eu não fiz? Eu me arrependo muitas vezes do que eu não faço. Então, não estou [arrependido]. Sou muito satisfeito, acho que o resultado da eleição não foi uma questão que trouxe um problema para o nosso grupo. Apesar do resultado, que a gente diminuiu o número na Assembleia [Legislativa da Bahia], esse é um reflexo objetivo. A gente não está aqui pra jogar uma nuvem sobre isso. Agora, por outro lado, o resultado da eleição mostra uma mudança no comportamento do eleitor, uma exigência maior do eleitor sobre outros fatores que muitas vezes alguns políticos não estão atentos. Talvez eu posso dizer assim que eu me arrependi, porque eu talvez tenha essa compreensão e a minha posição, a minha relação com o eleitor poderia oferecer aos eleitores baianos uma alternativa. Porque apesar de já ter alguma experiência, eu também ainda represento alguma inovação na política. Então, poderia ser o nome que se eu imaginava ser inviável, poderia ter me viabilizado com uma votação que me fizesse deputado hoje.

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