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Rico Dalassam revisita início da carreira em novo EP com nomes do Queer Rap nacional
Foto: Reprodução / Instagram

O cantor e compositor Rico Dalassam relançou nesta sexta-feira (18) o seu primeiro EP, "Modo Diverso", de 2015. Desta vez com a participação de artistas do Queer Rap - movimento protagonizado por rappers assumidamente LGBTQIA+ - de diversos cantos do país, o trabalho revisita o início da carreira do paulista de 31 anos e dá o tom do que será a cena pelos próximos anos.

 

Desde o primeiro EP, há cinco anos, até o seu trabalho mais recente, "Dolores Dala Guardião do Alívio", são variados os hits, ritmos e posturas assumidas por Rico. Questionado sobre o acúmulo de experiências que vão estar inevitavelmente nesse trabalho, ele comenta que nesse tempo muita coisa se desenhou e um movimento cultural surgiu. "No mundo artístico, que a gente perpassa e existe, está muito evidente que no caminho as coisas foram se desenhando: o que é para o entretenimento, o que é para a posterioridade e a sobrevivência das culturas, principalmente as proeminentes de periferia".

 

"O Queer Rap mostrou isso. Muita gente fazendo seu som em sua cidade, achando seu amigo beatmaker, seu amigo do violão e fazendo sua música, colocando na internet, achando um jeito de achar os ouvintes que estão interessados nesse tipo de música", explica, afirmando que há um "caminho longo pela frente, na fundação desse lugar nas manifestações culturais brasileiras", explica.

 


Capa do relançamento do "Modo Diverso" | Foto: Divulgação

 

Na nova versão do "Modo Diverso", dois baianos participam do repertório: Di Cerqueira e Hiran. Além deles, também estão no novo trabalho Murillo Zyess, Gloria Groove, Lucas Boombeat, Bruna BG, Jup do Bairro, Guigo, Luana Hansem e Enme. Segundo Rico, os talentos que compõem os feats desse EP trazem signos e códigos do projeto de 2015. "Me dá um brilho no olho. São pessoas em quem eu acredito", revela Dalassam.

 

O "Modo Diverso" foi o primeiro EP do Queer Rap a ser lançado e totalmente concebido em casa. A estética e toda a sonoridade original foram mantidas na nova roupagem. O intuito, justifica Rico, foi trazer "uma amplitude toda da sinceridade". "Hoje tem muito mais essa intenção, de pautar isso culturalmente, do que um produto do entretenimento ou do pop. Olhar para o Brasil e ver isso acontecendo em várias regiões do país seria fundamental, porque o grande déficit do entedimento cultural brasileiro está em olhar para o Sudeste e achar que é onde as coisas começam e terminam em termos de mercado", pontua.

 

Todo o processo criativo e a execução teve início este ano, quando planejou algo que comemorasse o marco, mas que não remetesse ao pop. "[A nova versão] é o original, agora com quem chegou, com quem está chegando. É a mesma estética com que os originais foram feitos. Cada um gravou do seu local, em um estúdio para que a gente pudesse ter um mero padrão de proximidade e poder encaixar a voz ali".

 

O sucesso de "Dolores Dala Guardião do Alívio" redeu a Rico o Prêmio Multishow de canção do ano para "Braile". Após "Orgunga" (2016) e "Balanga Raba" (2017), o projeto estreia uma nova fase na carreira do rapper, que admite ter tornado o seu "trampo" mais confessional. "Os códigos mudaram, eu mudei e na minha breve percepção do tempo, acho que é isso que eu preciso trazer hoje. Eu acabei achando outra linguagem a partir de 'Braile', outro caminho para continuar contando as histórias. Eu retorno para o confessional de um jeito que só no 'Modo Diverso' existia", afirma. 

 

"Agora é o poema, é o literário se transformando em trilha sonora, não o caminho contrário", completa, elencando que toda a escolha da identidade visual mais crua do "Dolores Dala", que se deteve a uma capa em que aparece sério e um clipe em que performa em meio a jornais, serviu para que o público se atentasse ao poema.

 

"Se eu fosse trazer um clipe já estaria entregando significados que a pessoa precisa traduzir sua própria existência, no caso das músicas 'Vividir', 'Mudou como?' e 'Braile'. A sonoridade tem acabamentos populares, mas não é o pop, ela está livre e se retira de tempo para ser só o sincero, atemporal. Não é um 'trampo' de 2019 para ficar em 2019", discorre.

 


Rico no clipe de "Braille" | Foto: Reprodução / Instagram

 

E uma segunda parte do EP já está sendo pensada para o próximo ano, com novas faixas inétidas. O trabalho deve dar as caras no streaming logo nos primeiros meses de 2021, para que no fim do segundo semestre duas novidades sejam lançadas: um álbum e um livro. 

 

O lançamento da primeira parte foi marcado por uma surpresa. A disputa judicial em torno da sua co-intérpretação no hit "Todo Dia", em parceria com Pabllo Vittar, chegou ao fim com o reconhecimento da sua participação (clique aqui). A decisão aconteceu em uma audiência realizada em março deste ano, através de um acordo firmado entre as partes. Rico já era reconhecido como um dos autores da faixa, sucesso no carnaval de 2017.

 

"A gente tava pronto para lançar 'Dolores Dala Guardião do Alívio' quando a gente teve a última audiência. A gente levou a legal de ser, não só incluído, como também ser ressarcido com o retroativo por todos esses anos. Foi bem legal e importante para essa lógica de que 'tem que deixar pra lá essas coisas' ou de que 'Justiça não funciona'. Foi muito massa ter essa experiência de conseguir acertar o desacerto, isso é importante para seguir adiante", comenta.

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