Após suposto avanço de negociações sobre monumento, filho de Mário Cravo nega acordo
Foto: Divulgação

Após as recentes declarações do presidente da Fundação Gregório de Mattos (FGM), Fernando Guerreiro, de que a família de Mário Cravo Júnior havia resolvido desentendimentos e liberado a reconstrução do monumento do artista no Comércio (saiba mais), um dos herdeiros nega que tenha autorizado as obras.

 

Segundo Guerreiro, o neto do escultor, Christian Cravo, teria costurado um consenso entre os familiares e, após concluir o termo de referência e a licitação, o “Monumento à Cidade de Salvador” deveria começar a ser reconstruído já em março de 2021.

 

Em nota, a advogada Cristina Ruas, que representa os interesses de Ivan Cravo afirma que “a referida nota está totalmente dissociada da verdade”, destacando que “os únicos representantes legais de Ivan Ferraz Cravo são os advogados Cristina Ruas Almeida e Sérgio Nunes”. 

 

Segundo Cristina, “apesar de proposta de direitos autorais - devidamente protocolada na Fundação Gregório de Mattos, em 31 q01/2020 e e-mail enviado ao secretário de Cultura do Município em 21/07/2020, [os advogados] nunca foram procurados para nenhuma reunião e muito menos alguma contraproposta”.

 

Ela salienta ainda que “Christian Cravo não representa Ivan Ferraz Cravo e não tem nenhum poder legal para falar pelo mesmo, seja a que título for” e afirma que “não poderá a Prefeitura Municipal de Salvador fazer a obra Fonte da Rampa [outro nome dado à escultura] sem primeiro pagar os direitos autorais do filho, herdeiro e curador das obras de Mário Cravo”.

 

Outro herdeiro do artista plástico baiano, Otávio Cravo, por outro lado, confirma que as tratativas com a prefeitura estão de fato avançadas. “O que eu posso lhe dizer é que o professor Mário Mendonça está fazendo o termo de referência (TR) e eu estou assessorando, inclusive. E o TR feito, me foi informado que a obra será licitada. Isso é o que eu sei”, diz o engenheiro. “Sobre isso de Ivan, de receber R$ 1 milhão, eu não tenho maiores esclarecimentos, não sei lhe dizer, porque a família toda concorda em não cobrar nada”, acrescenta, mencionando o pedido inicial feito pelo irmão, antes da pandemia. A defesa de Ivan, no entanto, já expressou anteriormente o interesse em negociar valores menores para liberar a obra.

 

Apesar do interpretação jurídica do irmão, Otávio Cravo afirma que advogados que acompanharam Mário na época da fabricação do monumento “atestam de que não é devido qualquer tipo de indenização”. Diante disso, ele diz acreditar “que a prefeitura se posicionou em ir adiante com o aval, digamos, de 90% da família”. “Eu estou entendendo assim, não estou afirmando nada”, pondera.

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