Lobão diz que Bolsonaro não tem condições 'morais de administrar o país'
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O mais novo antibolsonarista radical, Lobão, em entrevista ao Estadão contou os motivos por ter se afastado do presidente da República, Jair Bolsonaro, para quem declarou apoio nas eleições de 2018. “Não houve desencanto. Meu tempo de tolerância é que foi muito mais curto (do que com o PT), porque os descalabros agora aconteceram numa intensidade e rapidez fora do comum”.

 

No livro que lançará em março deste ano, “60 Anos a Mil”, Lobão chama o presidente de "demente", "delirante", e diz que ele "não tem capacidade de administrar o Brasil". “É um diagnóstico. Sem nenhum tipo de destempero, posso dizer que ele não tem realmente condições de administrar o Brasil. Nem morais nem emocionais nem intelectuais. Eu o conheço pessoalmente. Quando falo que ele tem desequilíbrio moral, é só ver as milícias, as rachadinhas, o nepotismo, o estelionato eleitoral em que o governo se transformou”, afirma.

 

Outro ponto que o cantor e compositor destacou é o fato de Bolsonaro xingar todos os presidentes do mundo. “Um cara que não consegue ler três linhas de um livro já mostra que nunca teve apetite intelectual. Então, não se trata aqui de ira nenhuma. São fatos que ele nos mostra e que estou, friamente, localizando nas áreas emocional, moral e intelectual”, declarou.

 

Para Lobão, Bolsonaro traiu suas promessas de campanha. “Ele prometeu não concorrer à reeleição, mas só fala nisso desde antes da posse. Esvaziou a luta contra a corrupção, retirou o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) do Ministério da Justiça. Transformou o (Sérgio) Moro num eunuco da Justiça. Ficou amigo do (Dias) Toffoli (presidente do Supremo) e com todas as falcatruas familiares sujou mais as mãos. Outra coisa são os efeitos colaterais. A agressividade e as condutas autoritárias estão à flor da pele. A milícia gerou uma metástase no Brasil, depois da entrada do Bolsonaro”, analisou.

 

Lobão não poupou críticas ao presidente, sobretudo por não ter extinguido a Empresa Brasil de Comunicação, a quem chamou de um “antro de olavetes”, por ter gastado mais de R$ 1 milhão com o cartão corporativo, além de promover um “nepotismo escancarado e obsceno”, promover a volta da censura, e perseguir a cultura – área que ele considera as ações governamentais como um “verdadeiro desastre”. “Evangelizaram tudo. O cara da Funarte (Fundação Nacional das Artes) falou que não vai subvencionar o rock porque é coisa de satanás. É um obscurantismo total. Quando não são pastores, são terraplanistas, olavistas. Censuraram o Chico Buarque. Estão dando palco para os artistas que estavam superdesgastados por anos de beneplácito chapa-branca nos governos do PT”, sentenciou. Por fim, avaliou que a nomeação da atriz Regina Duarte para a Secretaria de Cultura é um “tremendo cinismo”. “Fica essa cortina de fumaça cor-de-rosa, porque ela é muito fofa, mas já está sob ataque dos bolsolavistas, porque demitiu uma pastora. Ela não terá a liberdade de fazer o que deseja. Mesmo que tenha, está no lugar errado, na hora errada. Está na hora de derrubar o governo, democraticamente. Não dá para remendar um governo "irremendável".

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