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Notícia

Retrofoguetes, reativar! Com nova formação e 3° disco engatilhado, banda retoma atividades

Por Virgínia Andrade

Retrofoguetes, reativar! Com nova formação e 3° disco engatilhado, banda retoma atividades
‘Estamos de volta, não é conversa fiada’, avisa Rex | Foto: Ricardo Prado
Após algumas tentativas frustradas de se reorganizar, a banda baiana Retrofoguetes finalmente chegou a um denominador comum e fechou sua formação com quatro integrantes na conta. Os veteranos Morotó Slim e Rex se preparam para estrear uma nova etapa da carreira ao lado dos novos parceiros de estrada: o argentino Julio Moreno, na segunda guitarra, e Fábio Rocha, que assume o baixo da banda, depois da saída de CH Straatmann e Joe (ex-Pitty). “A gente passou e tem passado por um momento de transição por conta da saída CH. Tentamos resolver isso da forma mais lógica que era com entrada de Joe, só que não deu muito certo, porque ele continua morando em São Paulo e com a distância ficou muito difícil viabilizar o trabalho”, explica o baterista Rex. Para quem não lembra, a Retrofoguetes foi criada por Joe, Rex e Morotó, integrantes remanescentes da Dead Billies, clássica e já extinta banda de rock dos anos 1990, que ainda tinha o vocalista Moskabilly. Com o impasse da distância, a solução natural foi Fábio Rocha, que já tocava no Retrofolia, projeto de Carnaval capitaneado pela Retrofoguetes, há dois anos. “É bacana porque conseguimos manter a essência da coisa, já que Fábio é um cara que conhecemos desde a adolescência e faz parte de uma geração de músicos que começou a tocar na mesma época na Cidade Baixa. Eu, ele e Morotó somos de 1972. A primeira vez que toquei com ele eu tinha 15 anos, então tá tudo em casa”, comemora Rex.


Os Retrofoguetes agora são (da esq. para dir.): Rex, Julio Moreno, Fábio Rocha e Morotó Slim | Foto: Ricardo Prado

Embora já tenham se apresentado com a nova formação na cerimônia de entrega do Prêmio Braskem de Teatro, em abril, o show de retorno, “Qual o futuro dos Retrofoguetes?”, que acontece na próxima sexta-feira (14), no Commons Studio Bar, vai marcar a estreia do quarteto para os fãs. “Para o público esse será o primeiro show. Muito mais do que o repertório, porque a gente não tem um disco novo, mas entramos em estúdio em dois meses para gravar, a grande novidade é a sonoridade da banda que mudou bastante”, destaca o músico. No palco, a Retrofoguetes vai tocar o repertório dos seus dois álbuns, “Ativar Retrofoguetes!” (2003) e “Chachachá” (2009), e releituras de clássicos que são referência para o grupo como “Apache” (Ventures) e “Remington Ride” (Herb Remington), além do tema original de “Missão Impossível”, de Lalo Schifrin, e o tema de “Batman”, seriado de TV dos anos 1960. Fora de Salvador, a primeira apresentação dos Retrofoguetes será no Rio de Janeiro, dia 23 de agosto, dentro da programação do projeto “Invasão Baiana”, ao lado de nomes como Tom Zé, Pepeu Gomes, Marcia Castro, Vivendo do Ócio e BaianaSystem. “A ‘Invasão Baiana’ é uma amostragem do que está rolando na Bahia, uma espécie de representação da cena. É legal para reforçar a ideia de que a gente está de volta mesmo. Não é conversa fiada”, brinca Rex.

Ouça “Ativar Retrofoguetes!” e entre no clima da volta da banda:

Vida de músico não é fácil e se for de banda independente talvez a coisa complique um pouco mais. A grana curta, a “ralação” da estrada e a dificuldade de gravar um disco foram algumas das barreiras apontadas por Rex e, no caso dos Retrofoguetes, que está na ativa desde 2002, é preciso muito tesão para seguir em frente. Para ele, o prazer de fazer o que gosta é o estímulo mais importante para fazer um projeto “acontecer”. “É preciso ter muita motivação, porque é um lance que impõe muitas dificuldades. Para mim, minha banda é uma banda de sucesso, porque ter um grupo instrumental em Salvador, conseguir fazer as pessoas ouvirem, viajar o Brasil inteiro e criar um público em todos os lugares que tocamos, ter reconhecimento e uma visibilidade boa na mídia, é incrível”, ressalta o baterista, que ainda brinca: “Eu não fiquei rico, eu não fiquei famoso, não estou tocando na Malhação, mas para mim isso é sucesso”. E para brindar esse sucesso, o grupo entra em estúdio dentro dos próximos dois meses para gravar o terceiro álbum de inéditas da carreira, com previsão de lançamento para o primeiro semestre de 2016, após o Carnaval.


Em dois meses, a Retrofoguetes entra em estúdio para gravar o terceiro álbum da carreira | Foto: Ricardo Prado

Segundo Rex, o disco será uma evolução de “Chachachá”, no qual a banda já tinha flertado com música latina, novos instrumentos musicais e participação de outros músicos. “O conceito [do disco] é a nossa relação com o cinema, que na verdade é o conceito original da banda. Pensamos nas músicas como trilha sonora e existe um filme na nossa cabeça que estamos trilhando. As referências para esse trabalho são os compositores do cinema como Lalo Schifrin, John Barry, Mancini [Henry] e Morricone [Ennio], então o disco vai ser mais trilha ainda que os outros”, conta. Na gaveta desde a saída de CH, o projeto precisou ser adaptado e ficaram apenas as músicas que não tinham a participação do baixista. “Existia uma pré-produção com CH e tivemos que abandonar muita coisa, porque a saída dele aconteceu de uma forma muito hostil, esquisita, sem que ninguém tivesse feito nada. Ele administrou muito mal sua saída e deixou a gente numa situação difícil de resolver. Tínhamos ganhado um edital da Secult para fazer o disco e como CH era o proponente, ele usou esse poder para tirar isso de nós. Foi uma coisa séria, porque a banda tinha sido contemplada e não ele. Por conta dessa animosidade, preferimos abandonar tudo que tínhamos feito com ele”, desabafa Rex. O desgaste culminou com a parada da banda e em um processo de transição difícil, que se estende até hoje, mas já que está sendo superado.

(*nota do editor: após a publicação da matéria, a assessoria de CH entrou em contato com o Bahia Notícias para retificar que ele nunca foi oficialmente o proponente do projeto. "Houve uma tentativa de transferência para o meu nome, porém as relações internas da banda estavam muito ruins. Em Janeiro de 2013 tivemos uma reunião em estúdio sobre o assunto e deixei claro que não queria mais que meu nome fosse colocado para aquela finalidade", disse o baixista. Clique aqui para ler a declaração completa de CH).


Segundo Rex, o próximo disco dos Retrofoguetes será uma evolução de “Chachachá”:

Em paralelo à gravação do álbum, a intenção dos Retrofoguetes agora é tocar ao máximo até o final do ano e voltar a viajar. “Já estão surgindo convites para tocar no Espírito Santo, em São Paulo, Pernambuco e voltar para o Rio de Janeiro em novembro”, conta Rex. Além dos planos de turnê pelo país, o grupo também pretende encarar novos desafios fora do Brasil. Há alguns anos, a banda fez uma pequena turnê pela Argentina para entender como era sair daqui e a meta para 2016 é colocar “um pé” na Europa. “Isso é um plano antigo e como nós temos um trabalho instrumental não existe a barreira da língua. É a experiência de chegar a um lugar em que você é totalmente alienígena e ter uma resposta sincera do público. Um termômetro”, ressalta. Fora isso, a música da Retrofoguetes está no mundo. Citado pelo jornal espanhol El Pais em uma lista das melhores canções para strip tease, as músicas da banda chegaram a trilhar um comercial que conquistou o Leão de Bronze do Festival de Cannes e ainda tocaram na rádio BBC de Londres. “A gente não está ainda lá [no mundo], mas nossa música sim. Só precisamos descobrir o caminho. A logística é complicada, mas estamos buscando os meios de fazer isso acontecer”, diz Rex.


Rex, Mosckabilly, Joe e Morotó Slim fizeram história com o Dead Billies nos anos 1990 | Foto: Divulgação

Nos anos 1990, uma banda de rock fazia a cabeça dos jovens e adolescentes de Salvador: The Dead Billies. Passados treze anos do fim da banda, que ocorrreu em 2001, Glauber Guimarães (Moskabilly), Rex, Joe e Morotó se reuniram, entraram em estúdio e gravaram um disco que já está pronto para ser lançado. O projeto, que não traz o nome do grupo original, mas faz referência aos Dead Billies, se chama Los Mismos e não existe enquanto banda. "Foi uma condição que Glauber impôs. A primeira foi que não fosse Dead Billies. Ele não queria que usássemos esse nome, que não fizéssemos essa ligação, que para mim é inevitável, apesar de sermos nós mesmos. A outra condição foi que a banda não existisse como banda. Então, o que é o Los Mismos? É um projeto de um disco, não é uma banda que vai fazer shows e tal", explica Rex. Embora o álbum esteja masterizado e pronto para ir para a fábrica, o quarteto precisa de apoio para colocá-lo no mercado. "Estamos discutindo formas de viabilizar a prensagem dele para sair o físico. Se isso não acontecer, em algum momento talvez a gente decida disponibilizá-lo digitalmente, porque as pessoas precisam ouvir. É muito bom", enfatiza o baterista. Enquanto o disco não chega, relembre abaixo um dos clássicos da Dead Billies, "I Can't Help Myself From Gettin' It On".

Serviço
O QUÊ: Retrofoguetes apresenta “Qual o futuro da Retrofoguetes?”
QUANDO: Sexta-feira, 14 de agosto, a partir das 22h
ONDE: Commons Studio Bar (Rio Vermelho)
QUANTO: R$ 30 (porta) | R$ 20 (lista amiga) (http://www.commons.com.br/index.php/amigalista)