Segunda, 28 de Janeiro de 2019 - 12:00

A culpa é do canudo plástico!

por Davidson Botelho

A culpa é do canudo plástico!
Foto: Acervo pessoal

Uma certa vez na pacata e isolada cidade de Miracema do Norte, um fazendeiro humilde tinha seu pequeno rebanho como sustento familiar, viu seu gado definhar, definhar, até que resolveu chamar um veterinário da Secretaria de Agricultura do Estado.

 

Quinze dias depois de aberto o chamado, chega na fazendinha Dr. Severino Ribamar do Alusterio, veterinário formado na Universidade do Estado, oriundo das maravilhosas escolas públicas e beneficiário das cotas universitárias. Logo que chegou, olhou o gado de longe, cheirou a bosta no pasto, cutucou a anca da vaca e em seguida pegou a caneta e o papel e deu o diagnóstico: “É carrapato africano, não tem cura, tem que exterminar o rebanho”.

 

Seu Severino, muito triste e mais humilde ainda, não iria se opor ao diagnóstico de um Dr. catedrático, formado na Universidade do Estado. Acatou a ordem e ordenou a matança do pequeno rebanho.

 

Na capital desse mesmo estado, um deputado, muito preocupado com o meio ambiente e com as causas dos animais, cria uma lei que proíbe os estabelecimentos públicos ofertarem canudos plásticos para seus clientes, alegando ser nocivo à natureza e a fauna marinha.

 

- Deputado, copo plástico pode? Garrafa pet pode? Saco de supermercado pode? Embalagens de remédios pode?

 

O terrível acidente da barragem de Brumadinho tem algumas semelhanças aos episódios citados acima. Para começar, mostra a total irresponsabilidade e comprometimento dos nossos governos com nossa sociedade. As atividades industriais e empresariais devem sim ser livres e incentivadas, mas jamais podemos autorizar atividades que não temos capacidade de ao menos acompanhar, mesmo que deva existir a responsabilidade de quem explora, mas o poder concedente não pode se eximir do seu papel.

 

Estamos falando de uma atividade de risco e mesmo assim aprovam a construção da área administrativa e do refeitório bem abaixo da barragem. É isso mesmo? Mesmo depois do acidente em Mariana permitiram a continuidade desse layout?

 

O mesmo acontece com os aeroportos: 90% dos acidentes aéreos acontecem nos pousos e decolagens. E mesmo assim nossos aeroportos estão com residências e comércio a menos de 200m das cabeceiras. Lembram o que aconteceu em Congonhas duas vezes? Será que Recife não é uma tragédia anunciada? Guarulhos foi construído numa área isolada na sua época, mas hoje está cercada de casas e através de invasões. E os governos não fazem nada.

 

Isso também parece muito com a política e o entendimento de combate ao contrabando e entrada de drogas no país. Investem fortunas em sistemas e equipamentos para controlar a conta de USD 500,00 dos viajantes que chegam nos aeroportos, montam um exército na Ponte da Amizade que liga o Brasil ao Paraguai, mas todo ilícito atravessa o rio 500m acima dos postos da PF e a desculpa é que não tem efetivo e estrutura para combater essa irregularidade.

 

A lição que fica é que nossos políticos entendem que matar o rebanho é a solução mais prática para eliminar os carrapatos, precaver e educar é para “os fracos”, mais importante que investir em educação e consciência ambiental é proibir, multar, na cabeça desses caras. NÃO, o CHICOTE e o TALÃO DE MULTAS são suficientes.

 

Parabéns senhores, continuem focando nos canudinhos de plástico, na Ponte da Amizade e na fiscalização da revista dos passageiros nos aeroportos, esses são nossos grandes problemas!!!!

 

*Os nomes citados são ilustrativos e semelhanças será mera coincidência

 

*Davidson Botelho é empresário

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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