Wagner sobre privatização: ‘Não tenho nenhum preconceito’
Por Felipe Campos
O governador da Bahia, Jaques Wagner, em entrevista ao programa Show Business, transmitido pela Rede Bandeirantes neste domingo (2), traçou um panorama do atual momento da economia no estado e – para terror dos companheiros mais à esquerda – revelou o seu “lado liberal”, ao dizer que a privatização também possui seu espaço na administração pública. Em entrevista ao jornalista João Dória Jr., o mandatário abordou os recentes investimentos privados em solo baiano e citou exemplos locais, como a Arena Fonte Nova, o Hospital do Subúrbio e a concessão de rodovias como sucessos da participação privada na sua gestão. Para ele, ideologizar o debate em torno do tamanho do Estado é um erro. “Se ideologizou aquele debate [privatizações no governo FHC]. Ficaram dinossauros versus modernistas, e eu alertei os partidos de oposição [...], quando a tese da privatização havia sido vitoriosa, que nos cabia interferir para melhorar e não para negar”, declarou. Em seguida, questionado pelo apresentador sobre sua opinião em torno da questão, Wagner revelou não ter “nenhum preconceito” sobre o tema. “A democracia não funciona no 'sim' ou 'não'. A democracia é muito mais uma busca de consenso, de negociação. [...] Acho que a gente poderia ter privatizado com maiores ganhos para a sociedade brasileira. De qualquer forma, esta aí. A economia está dinâmica e eu não tenho nenhum preconceito. Na Bahia, eu tenho um hospital que é gerido pela iniciativa privada, tem o emissário submarino, tem a Arena Fonte Nova que vai ser uma PPP [Parceira Público-Privada], e eu tenho dito que prefiro muito mais comprar serviço da iniciativa privada, do que mobilizar a capital do Estado. [...] Se a gente ficar com dogma de Estado mínimo, de Estado máximo, eu acho que esse não é o melhor caminho. É o Estado do tamanho necessário para enfrentar o problema social que nós temos, e é isso que nós estamos fazendo lá na Bahia”, declarou.