DNPM: Indicação de Maia gera mal-estar com PT
Por (Evilásio Júnior)

Departamento de Proteção Mineral passou de R$ 300 mi de arrecadação, em 2003, para R$ 1 bi em 2010
Enquanto, aparentemente, as indicações do segundo e terceiro escalões do governo Dilma Rousseff não causariam grandes transtornos, na Bahia, a disputa pelo comando do Departamento Nacional de Política Mineral (DNPM) tem acirrado ainda mais os ânimos entre PT e PMDB. No acordo entre os dois maiores partidos da base na esfera federal, adversários no estado, e com o suposto veto às recomendações de Geddel Vieira Lima, coube ao parlamentar peemedebista Arthur Maia a incumbência de referendar o nome de Danilo Correia para o cargo de chefe do DNPM, responsável pelo licenciamento e fiscalização de todas as atividades do setor mineral. Ele substituiria Teobaldo Rodrigues, indicado pelo senador petista Walter Pinheiro. O atual gestor estava há oito anos à frente do órgão com a vice-liderança de Correia.

Deputado Arthur Maia defende Danilo Correia e alfineta PT-BA
Os correligionários da presidente Dilma Rousseff têm esperneado contra a indicação de Danilo Correia, pois o seu filho, Daniel Behrens, possui uma empresa de consultoria na área de meio ambiente e mineração, o que colocaria os seus objetivos em suspeição. A própria finalidade do deputado Arthur Maia, que o indicou, é colocada em xeque: ele tem ligações com o geólogo e multimilionário da mineração, João Carlos Cavalcanti, que teria os caminhos pavimentados para ampliar o seu império. “Você sabe o que o Danilo faz hoje? Ele é vice do Teobaldo. Quando a diretoria é do PT pode, quando é do PMDB não pode. Só na lógica do PT da Bahia, que agora fica supondo que ele faria alguma coisa errada. Danilo é um homem sério, de grande reputação e carreira exemplar”, exaltou Arthur Maia, em entrevista ao Bahia Notícias.
A conta da discórdia entre PT e PMDB é simples. A arrecadação de royalties do DNPM, que não passava de R$ 200 milhões em 2003, ultrapassou R$ 1 bilhão em 2010. Na Bahia, o volume, em 2003, era de “insignificantes” R$ 3 milhões; em 2010 saltou para R$ 27 milhões e a previsão, para 2011, é de atingir a casa dos R$ 33 milhões. Petistas consultados pela reportagem acusam os peemedebistas de “chantagear” a presidente Dilma, inclusive com a ameaça de abertura de CPI para apurar a gestão financeira do órgão. O próprio comandante estadual da sigla, o também deputado Lúcio Vieira Lima – irmão de Geddel –, ao lado dos colegas José Priante (PMDB-PA) e Leonardo Quintão (PMDB-MG), recolheu, em junho, cerca de 200 assinaturas para instalar a comissão. Nada foi adiante. Por outro lado, desde o mês passado, o PMDB tem avançado sobre o segmento: arrebatou a direção nacional do DNPM e as superintendências dos principais estados no setor. Todos os gestores do PT foram afastados. Agora, segundo Arthur Maia, a palavra final sobre a indicação de Danilo Correia para o DNPM-BA ficará a cargo do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, braço-direito do presidente do Senado, José Sarney, maior cacique do PMDB no Brasil.