Entidades defendem ida de Toffoli a casamento

Ministro viajou à Itália para participar de casamento do advogado criminalista Roberto Podval
As duas principais associações de juízes brasileiros saíram em defesa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) José Antonio Dias Toffoli, ao dizer que um magistrado só precisa se declarar suspeito para julgar uma causa quando é amigo íntimo de uma das partes e não de seus advogados. Reportagem do jornal Folha de São Paulo revelou, nesta sexta-feira (22), que o magistrado faltou a um julgamento na corte para participar do casamento do advogado criminalista Roberto Podval na ilha de Capri, no sul da Itália. Para a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) e a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), a presença de Toffoli no casamento do jurista não interfere nas causas em que um advoga e o outro julga. “Os casos de suspeição previstos em lei são referentes apenas a relação de amizade íntima ou inimizade capital entre o magistrado e a parte [autor ou réu] e jamais em relação ao advogado", disse, em nota, o presidente da Ajufe, Gabriel Wedy. Já para o dirigente da AMB, Nelson Calandra, “o caso não tem essa gravidade que se empresta. Juízes, promotores e advogados convivem a vida toda. Às vezes, são até colegas de faculdade". No STF, Toffoli é relator de dois processos nos quais Podval atua como defensor dos réus. Ele atuou em pelo menos outros dois casos de clientes do advogado. Por intermédio de sua assessoria, o ministro informou não ter recebido ajuda de custo do Tribunal. As passagens para a Europa, segundo a assessoria, foram pagas por ele mesmo.