‘Se houve irregularidade na Saúde, JH sabia’
Por (Evilásio Júnior)
Foto: Brizza Cavalcante/Ag. Câmara
Pelegrino nega orientar vereadores a embrutecer instalação de CEI
O deputado federal Nelson Pelegrino (PT) negou ao Bahia Notícias que tem orientado a bancada de oposição ao governo municipal a embrutecer a instalação da Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar supostas irregularidades na Secretaria Municipal de Saúde (SMS). O vereador Alcindo da Anunciação (PSL), que conseguiu 23 das 21 assinaturas necessárias para iniciar a apuração, acusou o parlamentar de atuar junto à Câmara para evitar que a gestão do ex-secretário Luiz Eugênio Portela, indicado pelo PT à época, seja devassada.
Durante a gestão do PT ocorreu um dos mais misteriosos crimes do estado – o assassinato do servidor Neylton Souto da Silveira, encontrado morto em 6 de janeiro de 2007 nas dependências da SMS –, até hoje indecifrado. “Não tenho nenhum temor de investigação sobre a gestão do doutor Luiz Eugênio. Ele foi um grande secretário de Saúde, que teve a coragem que nenhum secretário teve. Quando aconteceu o episódio de Neylton, ele pediu auditoria do SUS no Tribunal de Contas, com acompanhamento do Ministério Público Estadual, Federal, inclusive, para que auditasse todas as contas da prefeitura, coisa que poucos governantes têm coragem de fazer. Não se encontrou absolutamente nada”, declarou.
Segundo ele, o único fato contestado na administração de Luiz Eugênio Portela é um contrato firmado entre a pasta e a Real Sociedade Espanhola. O convênio teria sido herdado da era Antonio Imbassahy, hoje seu colega de Congresso pelo PSDB. “O que tem, que é atribuído a Eugênio, é uma coisa que vem da gestão de Aldely Rocha e de Imbassahy, que é o contrato da dengue que Eugênio tentou renegociar o contrato da dengue e não conseguiu”, amparou.
O parlamentar defende que, caso haja Comissão Especial de Inquérito, ela não seja focada no período em que a SMS era gerida pelo PT. “Eu tenho dito aos nossos vereadores: ‘não temam CPI’. Agora, se querem investigar a Saúde, vamos investigar da gestão de Imbassahy, vamos inclusive investigar as gestões que sucederam Luiz Eugênio, até os dias de hoje. Vamos investigar tudo. Não tem nenhum problema. O problema de Neylton, na minha opinião, é um problema de, infelizmente, pouca competência que a polícia teve. Encontrou dois supostos executores e não conseguiu desvendar”, opinou, em relação às prisões dos vigilantes Josemar dos Santos e Jair Barbosa da Conceição. Eles teriam sido contratados pela ex-subsecretária, Aglaé Amaral Sousa, e pela consultora Tânia Maria Pimentel Pedrosa, que foram excluídas do processo.
Ao refutar que o caso Neylton tenha vinculação com questões partidárias ou que a gestão de Portela abrigasse ilicitudes, o deputado disparou: “Tudo o que Luiz Eugênio fez foi com o conhecimento do prefeito João Henrique, com a assinatura do prefeito João Henrique. A Bahia quer, exige, que esse caso seja devidamente esclarecido”. Apesar de já ter as rubricas necessárias, a CEI ainda não foi protocolada no Legislativo e a própria liderança do governo, que foi orientada por JH a acatar a instalação, já diz que a averiguação na SMS é “desnecessária”.