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Odebrecht tira Victor Gradin de conselho

Foto: Osvaldo Campos

Saída do patriarca dos Gradin joga uma pá de cal no relacionamento de quase 40 anos com a família Odebrecht

A disputa entre as famílias Odebrecht e Gradin em torno de uma participação de 20,6% no Grupo Odebrecht chegou à “velha guarda” dos clãs e, ao que parece, tornou insustentável a relação entre eles. O patriarca Victor Gradin, que entrou no grupo em 1974 pelas mãos do próprio fundador, Norberto Odebrecht, foi destituído no final de abril do cargo de conselheiro da holding Odebrecht S/A. Em nota, a companhia justificou a saída de Victor, que junto com Norberto, até então, se mantinha alheio à disputa entre os clãs, protagonizada por Bernardo Gradin (filho de Victor) e Marcelo Odebrecht (neto de Norberto). “Com a iniciativa da família Gradin de tentar impedir, através de medidas judiciais, o exercício de opção de compra de suas ações da Odebrecht Investimentos, nas condições estabelecidas pelo Acordo de Acionistas assinado por ele, Victor, em 2001, a presença dele no conselho da holding do grupo tornou-se insustentável", diz o comunicado. Em entrevista recente ao Estadão, Bernardo e Miguel Gradin, ex-executivos do Grupo Odebrecht, informaram que analisam novas oportunidades de negócios e que têm conversado com fundos e empresas que querem se instalar no Brasil, o que, para a Odebrecht, caracterizou situação de concorrência direta. Apesar de ter sido destituído do conselho, Victor Gradin continua como conselheiro da Odebrecht Investimentos (Odbinv, a controladora da Odebrecht S/A), por conta de sua participação de 20,6%. É no conselho da Odebrecht S/A, presidido por Emílio Odebrecht, que são tomadas as principais decisões em relação aos rumos do grupo. Ao contrário do que se previa, os Gradin não questionaram a destituição de Victor do conselho. Assim, começa a se desenhar um desfecho para a disputa societária no grupo, que tem receitas de R$ 54 bilhões. Informações da Revista Exame.