Às vésperas da Copa, Salvador debate BRT x VLT
Por (Evilásio Júnior)

Companheiros de PT, o deputado Pelegrino e o senador Pinheiro divergem sobre tema
A pouco mais de três anos para a Copa do Mundo do Brasil, Salvador ainda não definiu um dos seus principais entraves: a mobilidade urbana. Enquanto o metrô segue sem previsão de inauguração, após 11 anos do início da sua construção, técnicos e políticos debatem e divergem sobre qual seria a proposta mais viável para integrar o transporte de massa da capital baiana, o BRT (Bus Rapid Transit) ou o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos). O governo do Estado abriu uma Proposta de Manifestação de Interesse (PMI) para as empresas do setor apresentarem as suas propostas, até a próxima quarta-feira (30), para que, a partir daí, o projeto escolhido seja implementado. Os entusiastas do BRT, como o deputado federal Nelson Pelegrino (PT), ressaltam o menor custo e a agilidade para o funcionamento do sistema. “O BRT é três vezes e meio mais barato, tem a implantação mais rápida e não envolve subsídios. Sem contar que o material rodante é todo fabricado no Brasil e, no futuro, as vias de circulação poderão ser adaptadas para qualquer outro modal”, defendeu. Ao considerar as duas propostas, o prefeito João Henrique Carneiro (PP) sugeriu que o bonde moderno fosse instalado no Subúrbio Ferroviário e os corredores para os ônibus bi-articulados construídos na Avenida Paralela (ver nota).

O BRT de Bogotá e o VLT de Barcelona são os principais modais em debate
Os afeiçoados ao VLT usam como argumento o fato de ele já ter sido bem sucedido em vários locais do mundo, comportar mais passageiros, ser menos poluente e mais duradouro, além de ter uma velocidade média de 70km/h contra 30km/h do BRT. O chamado “bonde moderno”, na opinião do senador Walter Pinheiro (PT), seria uma herança positiva para a Salvador do pós-copa. “Não é um projeto para quatro anos e sim para 40. Salvador tem que ter um sistema de transporte de qualidade que estimule a quem tem carro deixá-lo em casa quando necessário. Diferentemente até do que têm dito, o VLT é gerador de empregos e não substituirá os ônibus, que continuarão a alimentar o sistema central e farão a integração entre os modais. O importante é que o governo do Estado abriu o debate de forma conclusiva. Isso é que é não filosofar. A copa tem que ser uma janela de oportunidades, para que a mobilidade urbana da cidade seja um legado, até porque, as seleções não vão pegar nem BRT, nem VLT, nem metrô. O povo é que precisa de um sistema de transporte eficiente que atenda a 600 mil soteropolitanos. Se a PMI chegar à conclusão de que o modal deve ser o BRT, paciência. O importante é que, a partir disso, a gente terá a solução mais adequada, para não parecer que tem que ser a birra de um ou o desejo do outro”, avaliou Pinheiro. A principal referência do BRT é a sua utilização em Bogotá, na Colômbia, enquanto o VLT tem experiências exitosas em Paris e Barcelona e até no Nordeste do Brasil, em cidades como Fortaleza e Recife.