‘Não se nega atendimento a criança com câncer’
Por (João Gabriel Galdea)
Foto: Acontece Bahia

Hospital Martagão Gesteira, no Tororó, está ameaçado de paralisar atividades
Em contato com o BN, o diretor técnico do Hospital Martagão Gesteira – único centro médico exclusivamente pediátrico de Salvador, e que ameaça paralisar as atividades por falta de repasse milionário da prefeitura –, Carlos Emanuel Melo, afirmou que o secretário municipal da Saúde, Gilberto José, ignorou alguns pontos que continuam pendentes no contrato firmado entre a instituição e a administração municipal, não considerados na resposta à denúncia, divulgada também pelo BN. “O secretário só disse metade da verdade. Realmente a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) já quitou parte da dívida. Entretanto, a outra metade da verdade é que continuam pendentes cerca de R$ 2 milhões, que ainda não foram repassados ao hospital”, afirmou. O diretor explica que o valor reclamado é referente ao excedente gasto pela unidade, que ultrapassou o teto previsto no Plano Operativo Anual, no qual é feito uma previsão de orçamento para todo o ano. “Os gastos em 2010 foram maiores que o teto previsto no contrato. Em agosto, entrei em contato com a prefeitura, e informei a situação. Os técnicos então me orientaram a não paralisar a atividade e garantiram o pagamento do excedente através de processo administrativo. Entretanto, esse repasse ainda não foi feito”, disse. Segundo Melo, havia uma previsão de pagamento mensal de R$ 108 mil (referentes a incentivo à cardiologia), que terminou interrompido em agosto, quando os cirurgiões cardíacos entraram em greve. “Os cirurgiões paralisaram o atendimento, mas nós continuamos atendendo os casos clínicos e implantando o serviço. Há toda uma estrutura por trás do setor de cardiologia que deve ser mantida, e por isso o pagamento não poderia ser interrompido. Quanto à oncologia, não posso negar atendimento a uma criança com câncer e, por isso não fechamos as portas, mesmo porque a própria SMS me solicita novos atendimentos. Espero que estes valores não fiquem como os R$ 190 mil excedentes de 2008/2009 que até hoje não foram pagos(...)”, relatou.