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Tecnovia:PT Telecom avalia deixar BA após atraso

Por (Felipe Campos)


Maior empresa de telecomunicações de Portugal, PT Telecom já aplicou mais de 7 bilhões de euros no Brasil

O atraso de mais de um ano e meio na entrega do Parque Tecnológico da Bahia poderá fazer a Portugal Telecom abandonar o projeto de se instalar no estado e seguir para Pernambuco. A hipótese foi admitida pelo diretor da empresa no Brasil, o lusitano Fernando Alves. “A empresa não está contente com a questão do Parque Tecnológico. Foi-nos prometido que tudo estaria concluído há bastante tempo e não há expectativa para a conclusão”, declarou. De acordo com Alves, o protocolo de intenções assinado pelo governador do Estado e o diretor mundial da empresa, no dia 28 de outubro de 2008, previa que, a partir daquela data, se iniciaria o prazo de 18 meses para que o espaço estivesse concluído. “Esse prazo foi expirado, portanto o protocolo, neste momento, não está a ser cumprido. Nessa situação, a Portugal Telecom tem que ter alternativas disponíveis e não descarta nenhuma outra possibilidade”, avaliou. O diretor também confirmou a aproximação com os pernambucanos. “Temos bons contatos com o governo de lá e o pessoal do Porto Digital do Recife [pólo de indústrias de tecnologia similar ao parque baiano, só que concluído]. É uma alternativa que está acima da mesa”, admitiu.


Parque Tecnológico da Bahia tinha prazo para terminar até, no máximo, o primeiro semestre de 2010

Ibama e crise mundial - A intenção da maior empresa portuguesa no setor de telecomunicações, responsável por investimentos da ordem de 7 bilhões de euros no Brasil, seria a de criar um centro de pesquisa e desenvolvimento de software em Salvador. O diretor não esconde a insatisfação do grupo. “Eu não consigo obter resposta nesse momento por parte do governo do Estado. Sei que é uma questão que envolve também a prefeitura, mas a empresa não está contente com o descumprimento do prazo”, revelou Fernando Alves. O imbróglio ao qual o diretor da Portugal Telecom se refere envolve questões da ordem ambiental, tributária e financeira. O Ibama já embargou o projeto em dezembro de 2009 por desmatamento indevido. O superintendente de Tecnologia para Competitividade da Secretaria de Ciência e Tecnologia, Vinícius Santos, aponta mais problemas. “Como todas as obras da Paralela, as questões ambientais demandaram um tempo maior para a execução das obras. Houve sim um atraso, mas não chegou a ser interrompida. Estamos com 80% e a previsão é de entrega ainda para o primeiro semestre de 2011”, explicou. O superintendente citou também a crise mundial como fator que, de acordo com ele, afetou a arrecadação do Estado e o “fluxo de pagamentos”.

Foto: Maiana Marques/BN

Vereadores precisam votar na isenção dos impostos para que o parque não perca investimentos

Entrave na Câmara - Para o superintendente responsável diretamente pelo Parque Tecnológico, o problema preocupa o Estado, embora o maior entrave se encontre na Prefeitura e na Câmara de Salvador. “É claro que preocupa. Preocupa sim. Mas como precisamos também de articulação com a prefeitura, e dado o momento que esta se encontra visto a dificuldade financeira, houve uma demora para os encaminhamentos”, afirmou. “Encaminhamento” seria o projeto de recomposição específica do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) para a área. Na primeira reforma tributária, em 2009, o Município acabou por anular o acordo que tinha com o governo e as empresas sobre a isenção de parte dos impostos, que ficariam em torno de 2%. “Esse é o diferencial competitivo para que as empresas de TI, como a Portugal Telecom, se instalem no Parque”, explicou Vinícius. Com o descuido, um projeto específico para o parque teve que ser reenviado à Câmara de Vereadores, onde aguarda para ser votado. De acordo com o presidente da Casa, Pedro Godinho (PMDB), o tema ainda será discutido pelos edis. “A partir da reabertura dos trabalhos vamos nos reunir com as lideranças para estabelecer os detalhes”, afirmou. Já o líder da oposição, Henrique Carballal (PT), um dos primeiros a perceberem a "patinada" da administração municipal, pede pressa e critica a situação criada pela própria prefeitura, que agora corre contra o tempo para não perder mais investimentos. “É mais uma prova da incompetência dos gestores da prefeitura. Como é que vamos conseguir atrair empreendimentos dessa forma? Ou a sociedade reage, ou nós vamos passar por muitas dificuldades”, criticou.