Diferencial da Cyrela pode virar problema
Por (Ricardo Luzbel)
Foto: Revista Exame
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O polêmico condomínio Le Parc Residential Resort foi o empreendimento citado pela Exame para exemplificar falha de estratégia
Apesar do boom que tem passado o mercado imobiliário brasileiro, a Cyrela, segunda maior incorporadora do país, após uma série de resultados abaixo das expectativas, prejudicou sua relação com o mercado e teve um desempenho na bolsa pior que a média do setor imobiliário (enquanto o setor registrou alta de 14%, as ações da Cyrela caíram 9%); além de comentários darem conta do rompimento de sua parceria com a construtora baiana Andrade Mendonça. Como o modus operandi da Cyrela costuma privilegiar grandes obras em centros metropolitanos, com valor de vendas acima de R$ 60 milhões - estratégia que não é utilizada nem mesmo na PDG Realty, maior incorporadora brasileira -, em setembro, cerca de 1.200 projetos ainda estavam sem aprovação das prefeituras e a empresa havia lançado menos da metade dos R$ 7 bi prometidos para o ano. No entanto, a Cyrela afirma que ainda cumprirá suas metas de 2010. A empresa, reconhecida no mercado como campeã em vendas de lançamentos, deu azar com o empreendimento Le Parc Residential Resort, em Salvador, apesar de ter vendido mais de 90% dos apartamentos em pouco menos de um ano. O motivo foi a greve geral de trabalhadores da construção civil na Bahia, que forçou um reajuste de salários de 27%, sendo que os empreendimentos, uma vez vendidos, não podem mais ter seus preços atualizados de acordo com a valorização do mercado. Devido a este fato, a empresa reviu seus custos em 180 milhões de reais. "O que costumava ser um diferencial para a Cyrela pode se transformar num problema", afirmou o analista especializado no setor imobiliário do banco Credit Suisse, Marcello Milman, à revista Exame que circula nesta quinzena.