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DERRUBADA DE BARRACAS GERA POLÊMICA

Por (Evilásio Júnior)

Foto: Divulgação

Marta Rodrigues diz que "não sabe o que está por trás" da demolição

A vereadora Marta Rodrigues, líder do PT na Câmara Municipal, classificou a derrubada das barracas na orla de Salvador como uma medida “absurda” e “impensada”. Nesta segunda-feira (23), em cumprimento a uma ação da Justiça Federal, 102 estruturas das praias do Flamengo ao Farol de Itapuã foram ao chão, em uma medida que se estenderá a todo o litoral soteropolitano, inclusive o Subúrbio Ferroviário. “Assim como Imbassahy ficou com o carimbo da demissão de mais de 4,7 mil servidores, João Henrique ficará com o carimbo da derrubada das barracas. Como o prefeito pode abrir mão de restaurar o agravo? Ele começou pelo Flamengo, que é uma área mais ‘potente’, mas vai chegar a Tubarão na sexta (27). É uma situação muito delicada, pois mexe com a vida de muitas pessoas que só têm aquilo para sobreviver.”, lamentou. A petista afirma que o agravo, que teria a possibilidade de postergar a demolição, só poderia ser solicitado pela Procuradoria Geral do Município ante a Advocacia Geral da União e Ministério Público Federal. “A gente (Câmara) tentou negociar, propor um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), mas tudo já estava definido. A gente não sabe o que está por trás disso”, afirmou, ao levantar suspeita em relação a uma suposta ligação da ação com a polêmica da Transferência do Direito de Construir (Transcon) – que teria sido utilizada de forma irregular por membros da Prefeitura e foi suspensa pelo próprio alcaide após a denúncia de uma possível máfia na comercialização dos papéis.  

Foto: Max Haack/BN

Líder do governo, Pedro Godinho, diz que ofícios foram enviados a órgãos

Tentativa de sensibilização - O vereador Pedro Godinho (PMDB), líder do governo na Câmara Municipal, revelou ao Bahia Notícias que o prefeito João Henrique encaminhou três ofícios aos órgãos competentes em uma tentativa de “amenizar a situação” dos barraqueiros. De acordo com o edil, a administração da cidade não teria como solicitar a restauração do agravo, uma vez que o havia dispensado anteriormente, contudo enviou um apelo à superintendente do Patrimônio da União na Bahia, Ana Villas Boas, ao chefe local da Procuradoria da República, Danilo Pinheiro Dias, e ao comandante da Advocacia Geral da União (AGU) na Bahia, Bruno Guimarães Godinho, que inclusive é seu sobrinho. “O prefeito tentou sensibilizá-los quanto à situação dos permissionários, enquanto não fosse implantado o novo projeto das barracas, e pediu uma solução amigável. Mas o Município é réu da ação e não tinha mais medidas a tomar. Foi um esforço, no sentido de que, dentro do possível, examinassem a questão. Era o que podia ser feito”, argumentou. Os documentos, entretanto, segundo o próprio peemedebista, só foram entregues na última sexta-feira (20), véspera útil da data prevista para a derrubada das cabanas.

População desaprova - O Bahia Notícias foi às ruas de Salvador para perguntar sobre a demolição das barracas de praia e se deparou com a total desaprovação dos moradores em relação à forma como a medida foi adotada. Todos os entrevistados ponderaram a situação dos comerciantes. “Acho que está errado, porque muita gente vai ficar desempregada”, assinalou o analista de folha de pagamento, Luís Carlos, 36 anos. A doméstica Sandra Regina, 32, reiterou o argumento. “Acho uma sacanagem. O pessoal vai trabalhar de quê? Muita gente vai passar fome”, opinou. Outros consideraram o projeto de reestruturação do litoral positivo, mas também avaliaram negativamente a questão dos permissionários.  “Acho que o motivo é válido, mas o prefeito deveria dar condições para os barraqueiros utilizarem pelo menos isopor nas praias até as novas barracas ficarem prontas”, salientou a analista de recursos humanos, Lilith Ferreira, 21. “Em parte é correto e em parte incorreto. As barracas não têm estrutura adequada e poluem o meio ambiente. Por outro lado, são o sustento de um monte de famílias que não terão como ganhar dinheiro até que sejam construídas as próximas. Do jeito que o prefeito é lento, só espero que as novas barracas saiam antes do metrô”, ironizou o estudante de engenharia civil Daniel Dória, 22. A ação judicial, entretanto, atinge também o município de Lauro de Freitas, em que a prefeita Moema Gramacho (PT) tentou evitar a destruição das cabanas, mas só conseguiu adiar a medida, que será iniciada a partir desta terça (24) nas praias da cidade.