Foto: Tiago Melo/ BN
A campanha da prefeitura que visa coibir a prática do xixi nas ruas de Salvador, inclusive com a prisão dos mijões, já começou e os infratores terão um prazo médio de 40 dias para se adequarem, caso contrário irão para o xilindró. O prefeito João Henrique, em entrevista ao Bahia Notícias, garantiu que 50 novos banheiros públicos já começaram a ser implantados nos locais mais movimentados, como o Centro da cidade. “A partir daí iniciam as campanhas de conscientização para que as pessoas fiquem avisadas”, alertou. O alcaide está convicto de que o movimento terá resultados positivos e aposta nas campanhas educativas para que a medida ganhe a apreço da sociedade, como os trabalhos nas escolas da rede municipal. “Eu acredito sim que vai dar certo. Nas mais de 400 unidades escolares, vamos começar simultaneamente as ações e as crianças terão papel fundamental. Elas vão constranger os pais que têm esse péssimo hábito”, declarou o prefeito.
O prefeito João Henrique explicou ao Bahia Notícias que a campanha contra o xixi nas vias públicas da cidade faz parte das ações de preparo à Copa do Mundo de 2014, que terá Salvador como uma das sedes dos jogos. O gestor entende que além de deixar o município com infraestrutura adequada, também é importante trabalhar o comportamento do cidadão. Para isso, peças publicitárias serão espalhadas pela cidade com mensagens de incentivo à educação urbana. “Não vamos apenas punir os infratores, mas também educar as pessoas sobre a importância de ter as ruas limpas e cheirosas. Infraestrutura e transporte são importantes sim, mas a instrução sobre o que é certo e é errado também é muito importante”, argumentou.
Foto: Max Haack/BN
Enquanto o prefeito João Henrique está otimista com os resultados da campanha anti-xixi, o antropólogo Roberto Albergaria bate pé firme que de nada adiantará a iniciativa da Prefeitura. A análise do estudioso está baseada em dois aspectos: um técnico e outro cultural. Primeiro que ainda não há sanitários públicos suficientes para que as pessoas possam fazer suas necessidades fisiológicas pelas ruas. No entanto, Albergaria aprofunda a sua avaliação na questão ética dos brasileiros, sobretudo os baianos. Ele não acredita que nenhum tipo de campanha educativa será suficiente para conscientizar os soteropolitanos sobre a medida. “Sempre foi permitido fazer xixi na rua e isso é desde a época da colonização. Além disso, quem urina na rua normalmente são pobres, pessoas que, por questões educativas, não vão absorver a mensagem”, afirma. O que também é condenado pelo especialista é a repressão policial. “Tem que se levar em consideração fatores culturais. Aqui é a terra da liberdade e da libertinagem. Esse é o jeito baiano de viver. Demonizar o mijão será uma desgraça”, concluiu.
Foto: Tiago Melo/ BN
Este cidadão foi o mais educado, já que outros disseram que continuarão a urinar nas ruas
A reportagem do Bahia Notícias foi às ruas de Salvador para saber o que pensa a sociedade comum sobre a proibição da prática do xixi nas ruas e verificou que o tema é polêmico e divide opiniões. Um policial militar que preferiu não se identificar acredita que a medida não funcionará. “Eu sou contra os mal-educados que mijam nas ruas, mas já pensou como será se a gente tiver de prender todo que mundo que faz isso? Já não sobra espaço nas cadeias agora, imagine se todos eles forem presos”, comentou o PM. Enquanto isso, o administrador de condomínio João Aécio se mostrou completamente a favor da postura do prefeito. Ele assegura que nunca fez xixi em vias públicas e entende que deve-se combater aquele que faz. “É horrível passar com a família e ver alguém fazendo xixi na sua frente”, repugnou. Já o vendedor ambulante Antonio Carlos Santos disse que continuará a atender suas necessidades fisiológicas em qualquer lugar que estiver, desde que não tenha banheiro por perto. “Eu vou fazer o quê? Se eu tomei minha cervejinha e fiquei apertado, vou fazer na calça é? Vou olhar para os dois lados e deixar descer”, prometeu. Júlio César Alves trabalha com eventos e é um urinador de rua assumido, mas admite que a campanha deve ser feita para eliminar o péssimo hábito na cidade, inclusive o seu.