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SEM MERENDA HÁ 6 MESES, ESCOLA VENDE MARMITA

Por (Tiago Melo/Evilásio Júnior)

Fotos: Tiago Melo/BN

Cozinha da unidade não opera para fazer a refeição dos alunos

De acordo com uma denúncia de alunos do Colégio Estadual Odorico Tavares, situado no Corredor da Vitória, em Salvador, a merenda escolar obrigatória não é fornecida desde outubro de 2009. O Bahia Notícias compareceu ao espaço, constatou a falta da alimentação (a geladeira estava vazia com apenas algumas polpas de frutas no congelador) e ouviu reclamações de estudantes. “Quem tem dinheiro come lá fora, quem não tem fica com fome”, relatou a discente A.S., de 14 anos. À equipe de reportagem foi relatado também que a copa é utilizada para a produção e distribuição de quentinhas para professores e funcionários, enquanto os estudantes carecem do benefício. A diretora Maria Angélica Santos Freitas não estava presente às 10h desta quinta-feira (6) na instituição. O vice-diretor, Ademilson de Oliveira Silva, não permitiu ser gravado, mas declarou desconhecer tal fato. “Só cabe a mim a administração pedagógica. Merenda escolar não faz parte das minhas atribuições. Quanto às merendas, o ensino médio não tem direito”, contestou. Logo após enfatizar que a refeição não faz parte da sua pasta, o pedagogo disse ter ordenado a “retirada de todo material que não seja da cozinha”, o que seria, conforme depoimentos dos educandos, uma manobra para diminuir o impacto das irregularidades que ocorrem na unidade. 


Valdenice aparece de braços abertos na cozinha da escola

Valdenice, funcionária terceirizada da empresa Delta – que presta serviços de limpeza – que seria responsável pela comercialização de marmitas no Colégio Odorico Tavares, se defendeu das acusações. Ela não faz parte do efetivo de merendeiras da escola, mas confirmou que às vezes exerce a função. “Eu só cozinho aqui quando não tem merenda. Desde outubro de 2009 que não tem. Como não tem merenda, eu não cozinho”, justificou. Entretanto, na conversa com o BN, a servidora se contradisse quando admitiu cometer a irregularidade em ocasiões específicas. “Eu não vou mentir para você, eu já cozinhei sim, mas hoje só faço café. Quando faço as marmitas, trago tudo de casa”, se defende. Apesar disso e do suposto desconhecimento da direção, segundo a denúncia, os itens trazidos da residência de Valdenice são armazenados no refrigerador, preparados com a água e o fogão da unidade, bem como servidos e limpos com utensílios e materiais que deveriam ter fim escolar.

SEC repassou R$ 116 mil – Em resposta à denúncia de falta merenda escolar no Colégio Odorico Tavares, a Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC) esclarece que o fato não procede em relação ao que consta oficialmente nos autos da pasta. Segundo a nota oficial enviada ao Bahia Notícias, o último repasse de 2009 foi feito no dia 2 de dezembro e, durante todo o ano, a unidade escolar recebeu um total de R$ 105 mil para aquisição de gêneros alimentícios para fornecimento da refeição dos estudantes. Já em 2010, mesmo com o dinheiro que sobrou do ano anterior, a instituição obteve ainda uma quantia superior a R$ 11 mil no mês de março. O saldo atual, conforme a SEC, já soma mais de R$ 14 mil.