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VATICANO COMPARA ACUSAÇÕES À VIOLÊNCIA JUDAICA


O papa Bento XVI disse desconhecer o conteúdo do sermão do seu pregador

O pregador oficial do papa Bento XVI aproveitou o dia em que a Igreja lembrou a crucificação de Cristo para comparar as acusações aos escândalos de abusos sexuais contra menores praticados por religiosos católicos em vários países nas últimas décadas à "violência coletiva" sofrida pelos judeus. A declaração do reverendo Raniero Cantalamessa, feita diante do papa Bento XVI durante a celebração de Sexta-Feira Santa na Basílica de São Pedro, foi mal recebida por representantes da religião judaica e não foi corroborada pelo porta-voz do Vaticano. Cantalamessa, disse que um amigo judeu lhe escreveu dizendo que as acusações se assemelhavam "aos aspectos mais vergonhosos do antissemitismo". Stephan Kramer, secretário geral do Conselho Central de Judeus da Alemanha, disse que as afirmações de Cantalamessa são de "uma insolência jamais vista". "É repulsivo, obsceno e sobretudo ofensivo a todas as vítimas de abuso, bem como a todas as vítimas do Holocausto", declarou Kramer. "Até o momento eu nunca vi São Pedro pegar fogo, e também não houve explosões de violência contra padres católicos. Estou sem palavras. O Vaticano agora tenta transformar algozes em vítimas." Diante da repercussão negativa do público, o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, ressaltou que o sermão de frei Cantalamessa representa suas opiniões pessoais e não é uma "declaração oficial" do Vaticano. Lombardi também disse que o papa não sabia do conteúdo do sermão.