VALÉRIO REABRE CRISE ENTRE MINISTROS NO STF

Uma exceção de suspeição protocolada no Supremo Tribunal Federal (STF) pelo publicitário Marcos Valério, apontado como operador do mensalão no Congresso, abriu nova queda-de-braço entre os ministros Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes, às turras desde abril de 2009, quando protagonizaram bate-boca no plenário da Corte. A queixa de Valério sustenta que Barbosa é suspeito para ser o relator da Ação Penal 470 - processo do mensalão -, porque em outra demanda, relativa ao mensalão mineiro, fez afirmações que, em tese, revelam suas convicções sobre crimes atribuídos ao publicitário, ainda não julgados. Ou seja, o ministro teria feito pronunciamento antecipado. Naquela ocasião, Barbosa - relator do mensalão federal, que tem 40 réus - em três oportunidades afirmou que o empresário "é expert em lavagem de dinheiro", "tem expertise em crime de lavagem" e é pessoa "notória e conhecida por atividades de lavagem de dinheiro". Caiu nas mãos de Mendes o pedido que fustiga Barbosa. Na condição de presidente do STF, Mendes assumiu naturalmente a relatoria, como prevê o regimento interno da casa. Ele poderia ter indeferido o pedido liminarmente, mas não o fez. O presidente do Supremo optou por outro caminho - mandou processar a reclamação e abriu vista para a Procuradoria-Geral da República, gesto que muitos juízes e procuradores interpretam como mais um capítulo da rusga entre os dois ministros.