CHUVA CAUSA PREJUÍZOS EM BAIRROS POBRES

A cada chuva forte que atinge Salvador é grande o sofrimento vivido por famílias que moram na regiões de Nova Brasília de Itapuã e Baixa do Soronha, em Itapuã, que nada podem fazer ao ver os móveis perdidos, paredes rachadas, lama e água a invadir casas. Dois imóveis desabaram com as chuvas da madrugada desta terça-feira (23), em que uma família de quatro pessoas ficou desabrigada. Ninguém saiu ferido. Insatisfeitos, moradores fizeram protesto na Avenida Dorival Caymmi e pediram por atenção do poder público. Em algumas residências a água chegou a atingir um metro de altura. Roger Mendes, 39, precisou usar uma bomba para conseguir tirar a água que invadiu sua casa. O córrego que passa na Rua Mandacaru está com pontos descobertos, o esgoto corre a céu aberto e a lama também invadiu as residências. Os residentes culpam a Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado (Conder) por não ter concluído a obra no local, prevista pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “Eles começaram e não terminaram. Fizeram uma cobertura sem estrutura para o rio, que está poluído e não tem para onde a água da chuva correr”, pontuou Elízio Bittencourt, presidente do Parque Abaeté. Conforme a assessoria da Conder, a obra na Baixa do Soronha ainda não começou – o órgão fez apenas uma intervenção emergencial para amenizar a situação. Há recursos de R$ 22 milhões, garantidos pelo PAC, para obras de infraestrutura, rede de drenagem, esgoto e melhorias habitacionais na região. Os projetos estão na Caixa Econômica Federal para análise e posterior abertura de licitação, mas não há prazos para o início das obras. A Defesa Civil Municipal (Codesal), até as 14h20, registrou 110 solicitações. Entre elas, 22 de deslizamentos de terra, sete de desabamento de muros, além de 40 ameaças de deslizamento e 10 de desabamento.