ARMANDINHO ACHA QUE REBOLATION TIRA ESPAÇO DA TRADIÇÃO
Por (Evilásio Júnior)
Foto: Evilásio Jr./ Bahia Notícias


O guitarrista Armando Macedo, inventor da guitarra baiana, ficou lisonjeado com a homenagem feita aos 60 anos do trio elétrico. Ele ressaltou a trajetória da música baiana após as inovações implementadas, desde Moraes Moreira a Luiz Caldas, que para ele mudou toda a característica, e valorizou a continuidade com Daniela Mercury, Ivete Sangalo e Claudia Leitte. "Para mim, filho de um dos inventores (Osmar), a homenagem é ainda mais especial. Representa toda uma história de vida, do trio e da guitarra, que eu batizei de baiana. Mas tem que ser mantida a tradição da cultura da Bahia. Ela está sendo redescoberta pelos novos músicos. É tão nova que não tem um material específico para estudo. Mas as pessoas têm feito coisas novas, um pessoal do rock até, e ninguém faz nada obrigado. Ela tem uma sonoridade atraente, é nova e eletrizante", destacou. Em relação à festa atual, ele se mostrou descontente com o demasiado espaço dado à cultura descartável no Carnaval de Salvador, em que nomes como O Troco e Parangolé, a banda do Rebolation, têm "engolido" o cenário. "Quando nós montamos a banda nos anos 70 queríamos fazer rock. Tínhamos influência de Beatles e Jimi Hendrix e queríamos fazer essa música com o tempero baiano. A música comercial que está imperando nas rádios tinha que ir para o trio elétrico, mas os organizadores têm que ter cuidado para não deixar as tradições morrerem. O espaço tem que ser mais democratizado. A tradição foi desrespeitada nos últimos anos e não se pode deixar que uma música que aparece em um ano e depois some no outro ocupe os espaços de coisas mais importantes. Os blocos afro são os mais prejudicados nesse processo", avaliou.