NO PLANALTO CENTRAL
Do Cariri, no Ceará, era possível alcançar São Paulo, em outros tempos marcados pelo êxodo nordestino, nos caminhões transformados em paus-dearara, que está definitivamente vinculado à saga dos miseráveis da região, que fugiam da seca em busca da esperança (isso quando São Paulo oferecia esperança). E, depois, Brasília, construída pelos candangos. Tanto SP como Brasília deve muito aos nordestinos, que, no entanto, foram e continuam sendo humilhados pelo preconceito. Ou são “paraíbas”, ou são “baianos”. Assim foi e ainda é. Agora, o lulismo quer ir buscar no Cariri, cantado no lamento de Luiz Gonzaga (“Só deixo do meu Cariri/ no último pau-de-arara”) o intempestivo Ciro Gomes, para se tornar ponta-de-lança como candidato ao governo de São Paulo. Isso porque o PT não tem um nome sequer no principal colégio eleitoral brasileiro em condições de se bater com os tucanos, em especial, o governador José Serra. Lá, “Dilminha”, a mais nova flor do cerrado do Planalto Central, está abandonada. O que querem com Ciro Gomes? O voto do nordestino, uma pequena esperança para a ministra escolhida por Lula, senhor incontestável do PT, nome maior do que a legenda. O PT não tem um só político paulista em condições de lançar. Todos estão queimados nos escândalos republicanos. Clique aqui para ler a íntegra da coluna de Samuel Celestino publicada hoje no jornal A Tarde.