CÉSAR NUNES VIRA O INIMIGO DA PM
Fernando Amorim/Agência A Tarde

Advogado de coronel Santana exibe alvará de soltura
Com um aparato digno de chefes de Estado, os oficiais da Polícia Militar que foram presos na última quinta no Quartel do Corpo de Bombeiros da região do Iguatemi acusados de receber propina para fraudar licitação para a compra de viaturas só deixaram o local cerca de três horas após a chegada do alvará de soltura. Sem falar com a imprensa, eles só saíram do quartel por volta das 21h40, protegidos por duas viaturas da Rondesp e por uma comitiva formada por mais de dez carros, todos com vidro escuro, para que nem a imprensa nem os curiosos pudessem fotografar ou identificar em quais deles estavam os acusados. O trânsito chegou a ser interrompido para facilitar a saída dos oficiais, que receberam todo o apoio tanto dos colegas oficiais quanto dos praças da Polícia Militar (PM). O clima é de indignação na cúpula da PM, que não esconde a revolta sobre a forma como aconteceu a operação que resultou nas prisões. Segundo os deputados estaduais Capitão Tadeu (PSB) e Capitão Fábio (PRP), que se colocam como representantes da categoria, os companheiros de farda dos oficiais presos não ficaram irritados as prisões em si, apesar do prestígio dos detidos, mas com a "pirotecnia" utilizada pela Secretaria de Segurança Pública para humilhar presos (como teria ficado claro com a liberação das imagens das prisões), típica das operações da Polícia Federal, categoria à qual pertence o titular da pasta, César Nunes. Além disso, o nome da operação, Nêmesis, que é a deusa grega da vingança, seria um sinal de que César Nunes estaria dando uma resposta fora de hora às queixas da corporação, que o acusa de privilegiar a Polícia Civil. Os dois deputados receberam dezenas de mensagens por telefone e e-mail que revelam a insatisfação da PM, que ameaça boicotar e até se vingar dos policiais civis. E só quem tem a perder com isso é a população. O governo que fique de olho bem aberto!