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CORRUPÇÃO, IMUNIDADE E O SUPREMO

Em termos de notícia, ou de grupo gerador de notícias, a "Frente Parlamentar contra a Corrupção no Congresso" será um grande sucesso. Fora daí, duvida-se da sua eficácia, mas, de qualquer sorte, já é um início de um processo que pode prosperar. A idéia é do senador pernambucano Jarbas Vasconcelos, que tem feito duras críticas aos partidos que trocam interesses, valendo dinheiro, por apoio político. No Brasil democrático, onde as denúncias chegam à opinião pública pelo trabalho da imprensa, a corrupção tem sido uma constante. Mas, ao invés de melhorar, a classe política afunda na lama, protegida pela prerrogativa da imunidade parlamentar e pela lerdeza do Judiciário. No Supremo Tribunal Federal, fórum próprio para julgar um político, tramitam mais de 200 processos contra parlamentares. Não há, sequer, uma notícia de que o STF tenha agido, condenado e cassando o mandato de algum corrupto protegido pelo mandato. Os processos adormecem. Imaginava-se que após a aceitação da denúncia feita contra os 40 mensaleiros pela Procuradoria Geral da República, o STF começasse a agir. Mas qual o quê! Desde que as denúncias foram aceitas, nada mais andou. Somente no mês passado o Supremo informou que pretende jugar todos os denunciados até 2011. Não o fará. Paulo Maluf é o exemplo mais aberto, escancarado da corrupção acobertada pela imunidade. Assim posto, é bem vinda a Frente Parlamentar contra a Corrupção no Congresso, mas só isso. Nada a comemorar.

(Samuel Celestino)