VÍDEO: Vereadores trocam acusações sobre possível investigação da retenção de ônibus no 2º turno das eleições
Por Paulo Dourado / Ronne Oliveira
Os vereadores Sidninho (PP), da base do prefeito Bruno Reis (União), e Randerson Leal (Podemos), líder da oposição na Câmara Municipal de Salvador (CMS), protagonizaram um bate-boca durante a sessão desta terça-feira (3). O desentendimento ocorreu durante uma discussão sobre a proposta de abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar a retenção de ônibus do transporte público durante o segundo turno das eleições de 2026.
Confira momentos da briga:
A discussão começou após Sidninho questionar a declaração de Randerson de que solicitaria a abertura de uma CEI para apurar o caso em nome dos soteropolitanos. O vereador da base da prefeitura chamou o líder da oposição de "mentiroso" e afirmou que a comissão ainda não havia sido protocolada na Casa.
Segundo Sidninho, como são necessárias 14 assinaturas para formalizar o pedido, Randerson não teria conseguido e mentiu sobre isso. O parlamentar também reclamou de supostos "ataques nas redes sociais" e afirmou ser alvo de grupos organizados que, segundo ele, fazem críticas à sua atuação e à gestão do prefeito Bruno Reis.
"Uma pequena parte da população esqueceu que a eleição acabou. Eu quero saber quem é o mentiroso da eleição que sinalizou que protocolou uma CEI. Para uma CEI ser protocolada, [são necessárias] 14 assinaturas. Mentira que foi protocolada! Mentira que tem assinaturas! Estamos aqui para trabalhar pelo objetivo do Legislativo. Eu desafio qualquer vereador desta Casa que consiga protocolar a CEI. Um prefeito que entrega, um prefeito que é humano, que já mostrou nos últimos seis anos o que tem feito na cidade", alega Sidninho.
Em seguida, o vereador voltou a atacar Randerson e disse que precisou bloquear seu perfil no Instagram devido ao volume de críticas recebidas da militância, que o critica com uso de robótica. "Esse vereador mentiroso, nos últimos dez dias tive que bloquear meu Instagram, que tem esquema pesado, militância pesada e robótica confirmando no mentiroso do Randerson Leal. Vossa Excelência tem que entender de que lado vai jogar, amigo. Quero uma resposta e não minta", disse.
Críticas recebidas pelo vereador nas redes sociais | Foto: Reprodução / Bahia Notícias
Randerson rebateu as declarações e pediu respeito durante os debates na Câmara municipal, alegando que o seu colega opositor não tem decoro com a divergência política: "Acho que o colega está muito raivoso. E tem que ter respeito, independentemente de sua posição partidária. A gente debate no campo político. Se Vossa Excelência não tem altura para debater politicamente, então não venha aqui atingir qualquer vereador", rebate.
O líder da oposição também afirmou que a população de Salvador espera esclarecimentos sobre a retenção dos ônibus, que deveriam operar gratuitamente durante o segundo turno das eleições, e defendeu a investigação do episódio. "Se Vossa Excelência quer saber quem assinou, vai procurar a liderança da Casa. Não sou presidente. Não tem um vereador sequer que pode falar que sou mentiroso. O povo de Salvador quer isso, não quer picuinha", acrescenta Randerson.
Na sequência, Sidninho voltou a questionar a atuação do oposicionista e comparou a discussão a um debate eleitoral. "Parece debate na campanha. Um fala uma coisa coerente e o outro não responde com nada. No momento oportuno, quero ver as assinaturas, porque Vossa Excelência é mentiroso", retruca.
ENTENDA O CONTEXTO
Randerson Leal anunciou, na segunda-feira (26), que solicitaria a abertura de uma CEI para investigar a retenção de ônibus em garagens de Salvador durante o segundo turno das eleições. Segundo informações divulgadas pelo vereador, pelo menos 75 veículos teriam deixado de circular na capital baiana.
A denúncia foi oficializada pelo Partido dos Trabalhadores na justiça eleitoral. Em imagens é possível ver homens colando adesivos do partido nos ônibus. Logo, a oposição da casa questiona se a retirada dos veículos de circulação teria ocorrido de forma sistemática na cidade, onde Lula obteve 1.154.072 votos (73,24%) no segundo turno, contra 421.752 votos (26,76%) de Flávio Bolsonaro (PL).
O caso também foi alvo de fiscalização do Procon-BA. O órgão identificou 544 ônibus parados em cinco garagens de empresas de transporte público de Salvador no domingo (25), data do segundo turno das eleições presidenciais. A fiscalização foi motivada por denúncias de eleitores sobre um suposto bloqueio da saída dos veículos por parte da prefeitura.
Diante das denúncias, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-BA) determinou o restabelecimento integral da frota, com frequência equivalente à dos dias úteis, além da gratuidade no transporte para os eleitores. O tribunal também determinou a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade (Semob), Pablo Souza, que estava em viagem a Paris, na França.
A proposta de investigação apresentada por Randerson também prevê apurar as circunstâncias da viagem do titular da pasta ao exterior. Por sua vez, o gestor da capital baiana argumentou que o atraso na saída de transporte público se deve a problemas operacionais nas garagens e a mobilizações políticas.
Registros dos adesivos | Foto: Reprodução / Leitor BN
Esse episódio também gerou divergências sobre a responsabilidade pela retenção dos veículos. Na sexta-feira (30), o Sindicato dos Rodoviários de Salvador divulgou uma nota para rebater acusações de envolvimento da entidade no caso. A manifestação ocorreu após a divulgação de áudios atribuídos ao presidente interino da categoria, Fábio Primo, com orientações para a aplicação de adesivos em ônibus nas garagens.
Releia a nota do sindicato:
Nas gravações, integrantes da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) aparecem articulando a distribuição de materiais e a aplicação de adesivos. O sindicato negou responsabilidade pelos problemas na operação do transporte e afirmou que não aceitará acusações sem comprovação, além de defender a apuração transparente dos acontecimentos.
